terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Vende-se um estilo de vida. E é isso que a gente compra...


Nunca antes as empresas investiram tanto em propaganda (afinal, elas são a arma do negócio). Prova disso é que as agências de publicidade engordam o mercado e as universidades formam mais e mais profissionais dessa área. Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Mas como é um negócio que envolve alma, há muitos empresários que até vendem a sua pro diabo para obter sucesso. Ou, usando uma linguagem de mercado, "investem" sua alma. Assim, o que mais se vê nas propagandas televisivas ou de revistas de grande circulação não são empresas anunciando os seus produtos. São empresas anunciando um estilo de vida. Porque isso é muito mais fácil de comprar, do que o produto que eles querem te vender. Você compra a ilusão e segue comprando sistemáticamente aquele mesmo produto, porque se acostumou com ele, porque também comprou um sonho.

Cada spot de 40 segundos ou páginas coloridas procura encaixar o seu produto no contexto, mas não o centraliza.Ou seja, quando você vê a propaganda de uma família feliz em volta da mesa de um café da manhã, surge lá a margarina Doriana (ou Delícia Cremosa) como um coadjuvante na propaganda. Ela se torna o centro das atenções daquela família feliz, que começa bem o seu dia após passar a margarina num pão quentinho, fazendo-a derreter-se aos pouquinhos e ser saboreada. "Hmmm", sempre diz algum dos personagens. Ali está um estilo de vida. E é isso que faz com que o consumidor opte por aquela determinada marca lá no freezer do supermercado. Mesmo que ela não perceba, foi o desejo de conquistar aquele estilo de vida que determinou a sua escolha. E assim vamos determinando nossas escolhas na hora de comprar ou de desejar tal ou qual produto. Não pelo que oferece, mas pelo que pode proporcionar. Ah, não é assim? Você não concorda? Tá bom. Vamos ao intervalo comercial.

- Um guri de 10 anos está na porta do mercado. Para cada um que passa, ele pede um trocado. Até que confere suas moedinhas e entra no mercado. Compra um pão e um pote de margarina. Passa pelo caixa do supermercado muito contente. Vai para sua casa, num bairro pobre, onde encontra seu pai e sua mãe batendo boca. Ele senta-se na mesa da cozinha, abre o pote de margarina e passa no pão. E come, sorrindo. Ele diz: "Comer margarina é a melhor coisa do meu dia". Encerra a propaganda.

- Um casal chega na loja e escolhe uma bela TV de plasma. Chegam em casa e a colocam no melhor lugar da sala, combinando com a decoração. Assistem um pouco de TV e depois vão dormir. Apagam as luzes. Minutos depois, dois homens aparecem abrindo a janela da casa. Entram. E saem com a TV. Um dos homens volta para pegar o controle remoto. Encerra com a frase: "Semp Toshiba. Não há quem resista a uma televisão dessas".

- Uma mulher aparece belíssima e provocante, vestindo uma lingerie. Se olha no espelho. Caminha, com os cabelos envoaçantes e uma música sensual e vai até o seu homem, que está deitado na cama. Olha para ele e pergunta. "E aí, o que achou da minha Vitória´s Secrets?". O cara olha para ela, abobado. "Está linda". A mulher se atira em seus braços. "Já que gostou, pode tirar", ela diz. Ele responde. "Não precisa. Só arreda para o ladinho...". Encerra a propaganda com a frase: "Victoria Secrets, ele vai fazer questão de vê-la usando".

- Um homem está no hospital, com toda a dificuldade de respirar. Sua família está em volta, aflita. Tem um padre ali na cena também. O homem tira o aparelho de respiração. Ele quer dizer alguma coisa. "O que você quer, meu amor?", pergunta a sua esposa. "Bateu uma vontade de fumar Marlboro". O padre pega uma carteira de cigarro do bolso de sua batina (?) e dá ao homem. Encerra com ele fumando e a frase: "Marlboro. Nem morto você vai querer parar de fumar".

- Aparece um guri pobre, vendendo picolé. Surge um homem num carrão e pára do seu lado. O moleque oferece um picolé. O cara esnoba e segue embora. Os anos passam. O guri não vende mais picolé. ELe é agora um traficante bem sucedido. E vende drogas para o filho do cara que o esnobou lá no começo. Termina entrando com uma maleta de dinheiro numa concessionária para comprar um carrão. E paga à vista. "Sempre quis ter um carro assim", ele diz. Encerra a propaganda. "Mitshubishi: o carro que todo mundo quer."


Você nunca verá propagandas assim. Mas eu pergunto o seguinte: você compraria produtos que fossem divulgados dessa forma? Não? Agora, pense: o problema está no produto anunciado ou no estilo de vida propagado?

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2 comentários:

Cristiano Freitas disse...

Faça um exercício simples. Pare na entrada de um Centro de compras ou mesmo de um supermercado. Esqueça as pessoas, olhe para as vitrinas ou prateleiras.
Pergunte-se o que, do que está exposto, é necessário para a manutenção da vida humana.
Ficarás surpreso com a resposta.
Inverta a pergunta: "Disso exposto, do que eu não preciso?
Ficarás mais surpreso ainda.
O que tu chamas de "estilo de vida", são necessidades criadas pelos artífices do mercado: esses a quem tu chamas publicitários, e eu chamo ilusionistas.
Criam ilusões, necessidades fictícias, desejos, fetiches, que fazem a máquina de trucidar homens fabricar mais e mais utensílios com obsolescência programada e obsolescência estética.
Voltando às vitrinas e prateleiras, qual o percentual dos itens expostos, vão estar sendo utilizados ao fim de seis meses?
Publicitários criam ilusões, nós as compramos, usamos até a estética (também criada por esses) permitir, jogamos no lixo e compramos o "novo".
Montanhas de lixo, vendidas diariamente.

Anônimo disse...

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