segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

2012 é o fim do mundo


Há poucos dias assisti ao mega-propagandeado filme "2012" que, confesso, estava curioso para ver. Bem, sabe quando sua expectativa com relação a alguma coisa é frustrada? Assim, dá para resumir minha opinião com relação ao filme. De qualquer forma, vou falar sobre ele começando pelas coisas que gostei:

Pontos positivos de 2012

- John Cusack e Woody Harrelson. Dois excelentes atores. O primeiro interpreta o protagonista da história, um pai separado que faz de tudo para defender sua prole e a ex-mulher, por quem ainda é apaixonado. O segundo faz um pesquisador e divulgador de teorias de conspiração, que mantém uma rádio pirata em que fala sobre o fim do mundo.

- Os efeitos especiais são inacreditáveis, mas nada que você já não tenha visto em filmes como "Guerra dos Mundos". De qualquer forma, é curioso de ver cidades inteiras sendo arrasadas. É o fime-catástrofe definitivo.

Pontos negativos de 2012

O diretor Roland Emmerich é fascinado por destruição e já dirigiu filmes como Independence Day, Godzilla e O Dia Depois de Amanhã, que atraíram o público justo por essa proposta de mostrar imagens impossíveis de destruição. O novo filme, 2012, foi propagandeado à exaustão como se aprofundasse sobre a profecia dos Maias sobre o fim da era dos humanos. Só que isso é dito num diálogo perdido por um figurante que você esquece dois segundos depois. Só o que fica sabendo é que o mundo vai acabar, porque a radiação do sol está mais intensa e, como consequência, o núcleo da Terra está esquentando.

Esse fiapo de roteiro serve como desculpa para toda a destruição sem sentido. John Cusack repete o papel de Tom Cruise em Guerra dos Mundos. É pai separado e fica responsável por cuidar dos dois filhos. E é apaixonado pela ex-mulher. Só que, enquanto está desempenhando esse papel, descobre que há mais coisas entre o céu e a Terra do que o Governo nos deixa saber. E ele começa a fazer de tudo para manter a sua família à salvo (exatamente como em Guerra dos Mundos).

Mas o filme também empresta ao personagem de Cusack outra característica de filmes de Tom Cruise. Como em Missão Impossível, Cusak consegue se safar das situações mais perigosas e implausíveis, demonstrando um fôlego e tanto para correr, saltar ou dirigir em meio a prédios desabando. Só que o personagem de Cruise tinha a desculpa de ser um bem treinado agente secreto. E o de Cusack é apenas um escritor fracassado.

Em tempos de Barack Obama, Danny Glover interpreta um presidente negro. Só que é o presidente mais bonzinho de todos os tempos. Um vovô compreensivo que, quando descobre sobre o fim do mundo, abdica de ser levado para um local de segurança. Decide ficar para trás só para contar a verdade para a humanidade o que está acontecendo com o planeta. E ainda que haja terremotos, erupções e tsnumanis por toda a parte, ainda há quem esteja assistindo televisão. Ainda que tudo esteja desmorando, ainda há energia elétrica e telefonia celular. É nesse momento do filme que você começa a ter vontade de vomitar.

É simplesmente impossível se identificar com as emoções falsas apresentadas. Tudo soa clichê. Todo diálogo é banal, mal escrito e piegas ao extremo. A gente fica mais é torcendo para que morra todo mundo (exceto um cachorrinho que, em determinada cena, confesso: fiquei na expectativa para que se salvasse...)

Acho que se o Zé do Caixão dirigisse um filme desse conseguiria fazer algo melhor, mais interessante. Porque a sensação que fica é justamente essa: a de que o filme poderia ter sido bom, mas desperdiçou a chance de sê-lo. E se você não sabe nada sobre a profecia dos Maias sobre o fim da raça humana, tenha a certeza de que não será assistindo a esse filme que vai saber. Esse filme é, sem dúvida, o fim do mundo. E da paciência.

4 comentários:

Amadeu Paes disse...

Oi Marcio!

Olha, vc leu lá a reportagem que eu postei e vem de encontro a este post que vc fez.

Existe muita propaganda com este negócio de fim do mundo,muita gente tá ganhando dinheiro em cima da ignorancia que a mídia dissemina, acho uma tremenda bobagem tudo isso.

Pelo que vc escreveu nem vou perder meu tempo vendo este filme, apesar dos atores serem bons.

um abraço!

Márcio Brasil disse...

Valeu pelo comentário, Amadeus. Mas te aconselho a olhar o filme. Até que é divertido de ver tanta bobagem reunida numa só história. Tantos erros cinematogróficos.

Outro amigo meu, o César Dors, também comentou que não iria assistir depois de ter lido o que escrevi aqui. Mas acho bom assistir. Não quero dar uma de crítico de cinema. Essa foi a minha visão do filme. Teve gente que gostou. Vai de cada um.

Abração e obrigado pela visita!!

Cristiano Freitas disse...

Cara. Tu acaba de descrever como eu tenho visto a todo o "Blockbuster" que acaba caindo no meu dvd, que salvo os documentários e filmes que tenho baixado da internet, não tem sido muito utilizado.
O clichê e a repetição do mesmíssimo é a norma vigente no universo hollywoodiano. As histórias de sempre, mostradas da forma de sempre, sob os mesmos efeitos, pela mesma ótica, aputados pela mesma lógica.
Tudo é tão repetitivo, que entrar em uma locadora, é quase o mesmo que assistir novelas, com a diferença básica, de que tu pode escolher o "capítulo" que quer pagar para assistir.
Assisti a essa merda (se meu chefe pode falar assim, eu também posso). Perdi os "três reau" que paguei ao camelô (espero que ele tenha feito melhor uso desses), mas fica a reafirmação de algo que repito há anos: Se algo é realmente bom, não precisa de propaganda para provar.
Abraços bicho velho.

Cristiano Freitas disse...

Cara. Tu acaba de descrever como eu tenho visto a todo o "Blockbuster" que acaba caindo no meu dvd, que salvo os documentários e filmes que tenho baixado da internet, não tem sido muito utilizado.
O clichê e a repetição do mesmíssimo é a norma vigente no universo hollywoodiano. As histórias de sempre, mostradas da forma de sempre, sob os mesmos efeitos, pela mesma ótica, aputados pela mesma lógica.
Tudo é tão repetitivo, que entrar em uma locadora, é quase o mesmo que assistir novelas, com a diferença básica, de que tu pode escolher o "capítulo" que quer pagar para assistir.
Assisti a essa merda (se meu chefe pode falar assim, eu também posso). Perdi os "três reau" que paguei ao camelô (espero que ele tenha feito melhor uso desses), mas fica a reafirmação de algo que repito há anos: Se algo é realmente bom, não precisa de propaganda para provar.
Abraços bicho velho.