quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Traficantes proíbem venda de crack

No bairro Bom Jesus, em Santa Cruz do Sul, o slogan da campanha "Crack nem pensar", proposta pela RBS ganhou uma conotação um pouquinho diferente, com o acréscimo de um travessão ao final da frase, que ficou no impositivo. Agora é "crack, nem pensar!". É uma ordem, é uma regra. É para ser cumprida, senão...

Há poucos dias, mais de cem moradores estavam reunidos em sua associação de bairro para tratar sobre assuntos que preocupavam a todos. Entre eles, os assutadores índices de criminalidade em função do crack, uma droga que já tinha ceifado vidas e destruído muitas famílias. Mas imaginem a surpresa quando, no meio da reunião, surgiu um mensageiro de um gerente que comanda o tráfico no bairro, trazendo uma boa nova: a partir de agora está proibido vender crack naquela área. E quem desrespeitar a regra sofrerá sérias represálias.

Os traficantes consideraram que a venda do crack vinha causando muitos problemas até entre eles. E reconheceram que a dependência gerada pelo veneno era responsável pelo aumento da criminalidade. E, para eles, isso era um problema. Pois se a criminalidade aumentava, a polícia se tornava mais repressiva e isso acabava por atingi-los também (provando a máxima de que nenhum homem é uma ilha). A atitude dos traficantes foi vista com bons olhos pelos moradores e até por autoridades locais.

Eles descobriram que bandidos também tem alma e são capazes de se integrar à sociedade pondo um fim naquilo que o Estado constituído é incapaz: o de acabar com o tráfico de drogas. Mas isso, só em partes. Porque os bons traficantes de Santa Cruz do Sul anunciaram que, daqui para a frente, só vão vender maconha e cocaína. Tristeza de uns, mas alegria de outros.

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