quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Levou a carteira, mas perdeu a honestidade


Mas tchê, que coisa mais sem fundamento aquela mulher lá em Santa Maria que furtou a carteira de outra dentro da loja Cacau Show. A tipa se aproveitou da distração de uma moça, de 26 anos, que havia esquecido a carteira em cima do balcão e, laralaralá, tranquilamente a enfiou dentro de sua bolsa. Teria sido o crime perfeito não fossem as câmeras de vigilância (ah, essas câmeras...).

Saindo dali, a cara-de-pau fez compras usando os cartões da guria, grávida de seis meses, presenteando-lhe com um prejú de R$ 250. Entre as coisas que ela comprou: uma fruteira, um porta retrato e uma caixinha decorada (que amoooreee).

Depois de ter sua imagem veiculada no Diário de Santa Maria, a gatuna se apresentou na Delegacia fazendo as vezes de Madalena arrependida, junto com seu advogado, dr. Sérgio Uhr.

- Ela disse que passou por um momento de fraqueza ao ver a carteira ali, esquecida. Ela nunca tinha cometido crime nenhuma na vida. Foi à Delegacia para admitir o que fez e devolver o que havia pego.

Muito bem. Que bom que resolveu devolver, menos mal. Essa história reafirma a velha máxima de que a ocasião faz o ladrão. Afinal, a carteira estava ali dando sopa, né? Foi só colocar na bolsa. No final da história, a mais prejudicada não foi a mulher que perdeu a carteira, mas a que pegou. A pergunta que fica é: ela teria se arrependido (e devolvido) se não tivesse sido pega com a boca na botija? Considerações...

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Essa história me lembrou de um fato que eu próprio vivenciei, certa feita. Eu caminhava ali próximo ao escritório do Dr. Valdir Amaral Pinto, bem onde tem uma parada de ônibus. Pois bem, olho pro chão e tinha um bolinho de notas de R$ 10, R$ 50 e sei lá. Um bo-lin-ho. Não sei quanto tinha, mas sem dúvida mais de uns R$ 300, acho. Talvez fosse o salário de alguém. Na hora, me bateu aquele impulso de querer pegar, junto com aquela ordem mental "de não é para pegar". Fiquei entre o pegar, não pegar, pegar, não pegar. Pois bem: não peguei. E continuei minha caminhada.

Alguns passos depois, olho para trás e já tinha gente se abaixando para pegar o dinheiro que eu deixei passar. Aí, tu me pergunta: não pegou porque tu foi honesto?

Nem penso que foi isso, mas uma mistura de sentimentos em frações de segundos. Como disse, deu vontade de pegar e de não pegar. Fiquei com aquele misto de medo, vergonha, desejo, vontade etc. Imaginei que foi sorte de achar aquilo, mas também foi azar de quem perdeu. E mentalizei na Lei do Retorno. Enfim: me passaram várias coisas na cabeça naquele momento e, talvez o tanto que tenha pensado, é que tenha me impedido de pegar o dinheiro. Mas não peguei, não me fez falta. Passou, a vida seguiu e só reafirmei minha convicção de nunca pegar nada (nem mesmo uma caneta) que esteja caída na calçada.
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Se foi melhor assim, não sei. Só sei que, graças a Odin, eu nunca perdi dinheiro na vida. A não ser uma vez que resolvi me achar mais esperto que o carinha das apostas no Parque de Diversões. Mas aí não perdi por azar. Mas por burrice mesmo...

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