terça-feira, 27 de outubro de 2009

Minta para mim!


Nos últimos anos, o cinema parece padecer da falta de criatividade. Tanto é verdade que hoje em dia, qualquer sucesso potencial vira uma franquia de 3, 4, 5 capitulos. Exemplos não faltam: Matrix, Transfomers, Harry Potter, Crepúsculo etc. Hoje em dia, o cinema americano (que é, senão, o que mais repercute mundialmente) vive mais de continuações, remakes ou adaptações de livros, HQs ou games. Há, claro, as tais comédias românticas, onde você sabe que a mocinha sofredora, vai terminar com o galã ou as comédias adolescentes, onde o nerd bobão acaba ganhando do jogador de futebol americano e fatura a gostosona.

Neste cenário, são poucas as produções realmente inteligentes que surgem. Geralmente, elas saem das mãos de diretores independentes ou já consagrados como Martin Scorcese, Peter Jackson, Michael Mann ou Clint Eastwood, por exemplo.

Mas se o cinema americano padece de criatividade, o mesmo não pode se dizer de sua programação televisa. Ao contrário do Brasil e suas novelas requentadas, as emissoras de TV nos EUA possuem uma grade de programação privilegida. Mas que nós, que não dispomos de TV por assinatura, ficamos relegados de assistir. A não ser, claro, que você tenha a sorte da locadora da esquina comprar para a locação os boxes de temporadas
das séries, ou você mesmo tenha a possibilidade de comprá-la. Ou ainda apelar para a prática do download, o que se tornou mais comum.

Genialidade em série
Nos últimos tempos, muitas das séries televisivas são tão bem produzidas e apresentam temática original, que muito se assemelham a um filme. Ou ainda: os geralmente 40 minutos de duração de algum capítulo consegue ser mais emocionante do que as duas horas de muitos filmes por aí. Quando Arquivo X estreou no início da década de 90 mostrou que há espaço para histórias adultas e capazes de gerar legiões de fãs. De lá para cá, muita coisa boa foi produzida: (24 Horas, Gilmore Girls, Grey's Anatomy, Cold Case, CSI, Alias, Lost, Heroes, House, True Blood, Dexter, Numb3rs, Smallville e muitas outras, entre boas e ruins. Mas todas com um conceito diferente.)

E eis que chegamos a Lie to Me. A série, encabeçada pelo excelente Tim Roth, apresenta uma equipe formada por especialistas em detectar mentiras. A série faz uso de uma ciência que estuda as mínimas expressões e gestões, os quais são avaliados por esses cientistas do comportamento.

- Todo mundo mente, no mínimo, três vezes a cada 10 minutos. Bem, nem todo mundo: só as pessoas normais.

Diz o dr. Cal Lightman, um cientista que dedicou-se ao estudo do comportamento humano. Segundo ele, por mais que uma pessoa esteja contando uma mentira, o corpo dá claros sinais de que aquilo que se está dizendo não é verdade. Numa barraquinha de lanche, ele lança uma pergunta ao vendedor.
- Você lavou suas mãos hoje?
- Claro- responde o homem, levando as mãos até a nuca.

Segundo o dr. Ligthman, um sinal dado por seu corpo de que ele estava mentindo. E é assim em várias outras situações: a testa franzida de um, a boca torcida de outra, um gestos das mãos...

O grupo liderado por ele conta com outras especialistas, uma psicóloga um pesquisador e uma ex-policial alfandegária que tem o dom natural de perceber mentirosos. Eles prestam serviços para a polícia, FBI, empresas particulares ou quaisquer pessoas dispostas a descobrir a verdade a qualquer custo. O interessante da série é que também se utiliza de imagens de pessoas reais, mostrando-as em momentos de constrangimento e desfraldando suas mentiras (vemos aí Bill Clinton, Hugh Grant, Saddan Hussein, Marilyn Monroe e Mike Thyson entre tantos outros).

Lie to Me (traduzindo: Minta para mim) não dá lições de moral sobre o que é certo ou errado. E, na verdade, em alguns casos até sustenta que a mentira pode ser até a solução para resolver um conflito de modo pacífico. Afinal, o ser humano não está preparado para encarar plenamente a verdade.

Veja um trailer da série:


Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

Série excelente, mas muito cansativa.