sábado, 17 de outubro de 2009

A história de nós dois


Nem "Titanic", nem "Romeu e Julieta". O filme mais romântico que assisti não possui demonstrações grandiosas de amor. É apenas a história de um casal comum. Mas uma história tão humana e verdadeira, que é impossível não se emocionar.

Já assisti a umas cinco, seis, sete vezes e mesmo sabendo o final, choro. Bruce Willis é Ben, Michelle Pfeiffer é Kate, são casados há 15 anos e tem dois filhos. Nos primeiros anos, a paixão era intensa, a empatia total, a vida a dois, o mar de rosas sonhado.

Mas a paixão é narcisista (só enxerga as afinidades), e os anos de convivência revelam defeitos que se tornam insuportáveis. Kate tem mania de coordenar a vida de Ben e ele detesta isso. Por sua vez, ela não suporta a forma imatura com que o marido leva as coisas.Ben e Katie Jordan, após 15 anos, estão lutando com o paradoxo universal: por que as qualidades que os fizeram loucos apaixonados agora são os motivos para que eles se afastem?

Chega um ponto em que acreditam que o fogo da paixão há muito se apagou. Em seu casamento só existe a incompreensão, se irritam por qualquer coisa e se odeiam em silêncio. Até que um dia, se separam e buscam viver livres sem ter que tolerar um ao outro.

Mas aí, vem o vazio.

A lembranças dos detalhes tão pequenos deles dois e que, veja só, significavam tanto. Kate sabia reconhecer os dias em que Ben estava mau-humorado, só pela posição de sua sobrancelha. Começava a sentir falta de seu braço, da maneira como brincava com os filhos. Já Ben, se sentia perdido sem Kate para lhe dizer que rumo tomar. Achava que era um defeito dela, mas agora via, também era uma qualidade. O final dessa história?

Kate explode num desabafo emocionado, que sempre me faz chorar como um bobo, dizendo que jamais poderia recordar, ao lado de outra pessoa, momentos tão mágicos de sua vida, compartilhados ao lado de Ben. Ela chora lembrando que todos os erros, defeitos, problemas eram menores diante da história deles dois. E Kate e Ben se beijam, descobrindo que a paixão de outrora, de fato, acabou. Mas que o amor de ambos era eterno. E ponto final.

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"Existe uma história aqui, e......histórias não acontecem de um dia pro outro. Sabe, na Mesopotâmia, ou na Tróia antiga...em algum lugar no passado, há cidades construídas sobre outras cidades...mas eu não quero construir outra. Eu gosto desta cidade. Eu sei o seu humor quando você acorda, pelas suas sobrancelhas...e você sempre sabe que sou calada de manhã e compensa isso.
Esta é uma dança que se aperfeiçoa com o tempo! E é muito mais difícil do que
eu pensava que seria, mas...há mais coisas boas do que más. E não se pode desistir! E não é pelas crianças... mas eles são crianças ótimas, não são? Quero dizer, Deus!
Nós os fizemos!Pense nisso! Eles não eram pessoas, e depois viraram pessoas, e depois...eles cresceram! E...
Vamos encarar. Todos têm manias que nos stressam. E não são só as suas manias. Eu também não sou fácil, mas...
Deus, nós somos bons amigos, e bons amigos são difíceis de encontrar"..

Kate Jordan (Michele Pfeiffer)


2 comentários:

Nivia Andres disse...

Tens razão. Este filme é lindo. Mas o filme que sempre me emociona e já o assisti muitas vezes é As pontes de Madison, com Clint Eastwood e Meryl Streep. A história é invulgar, a interpretação é maravilhosa e o cenário é deslumbrante. O condado de Madison, com suas velhas pontes de madeira cobertas é algo indescritível. Você, que é mestre na arte da fotografia, deve ter apreciado este filme.

Cristiano disse...

Caraca! Ficou demais esse novo layout. Parabéns Melia.