quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Meio isso, muito aquilo

Você conhece alguma pessoa que seja meio chata ou muito egoísta? Ou alguma que seja muito legal e outra que seja meio fechada? Há também aquele sujeito que é meio cheio ou aquela mulher que é muito esnobe. Há o meio preguiçoso, meio gay, meio negro, meio retardado. Há também a muito burra, muito interesseira, muito fútil. A pessoa é meio isso ou muito aquilo, dependendo de várias variantes. São definições fáceis de se ouvir e de se dizer a respeito de outros. Mas quem realmente consegue ser metade ou muito alguma coisa? Será que aquela pessoa a quem designamos tal ou qual característica realmente é merecedora de uma etiqueta de “meio isso” ou “muito aquilo”?

Supondo que, sim, estamos certos em nossa definição de características em relação ao outro, então, isso significa que é possível resumir a existência daquele ser em duas palavras. Sendo assim, o conhecimento popular consegue desvendar um dos maiores mistérios da Ciência a respeito da consciência humana: o outro é meio isso ou muito aquilo e, não, uma amálgama de sentimentos e emoções (e desta forma, o ser humano deixaria de ser o conjunto de suas emoções e o resultado de suas ações). O fato é que, em tempos modernos, e quanto mais a humanidade avança em seus níveis de tecnologia, segue mantendo seus pré-conceitos a respeito disso e daquilo a tudo ou todos quanto lhes convencione julgar ou determinar. Seria possível livrar-se (e livrar o outro) de (des) considerações de toda ordem? Ou tais observações seriam intrínsecas de nossa programação mental, enquanto máquinas humanas, resultado das transformações do ambiente e das relações que temos uns com os outros? É, eu sei. Refletir sobre isso é meio chato...

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