quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dica de filme: Watchmen


Chegou às locadoras o filme Watchmen. Trata-se da adaptação para o cinema da obra escrita por Alan Moore, desenhada por Dave Gibbons e lançada na primeira metade da década de 80. Watchmen, que é considerada a bíblia dos quadrinhos, é senão uma crítica voraz às neuroses da sociedade americana e também ao próprio segmento dos quadrinhos, pois foi a primeira obra a romper barreiras, apresentando um texto com altas doses de violência, política, sexo, drogas e rock and roll como nunca tinha sido vista antes. Não é a toa que há algum tempo foi a única história em quadrinhos que figurou numa lista da revista Time, que elegeu as cem mais importantes obras literárias do século passado. A HQ foi revolucionária e muitas das suas influências são notadas em séries como Heroes e Lost, além de uma penca de filmes que misturam cultura pop, ciência, misticismo etc.

A história se passa no ano de 1985, porém, num período alternativo onde Richard Nixon é presidente há várias mandatos. O mundo está à beira de uma guerra nuclear entre EUA e União Soviética. Os americanos, porém, tem a vantagem de contar com a maior arma possível, o semi-Deus batizado de Dr. Manhattan, que tem poderes extraordinários, sendo o único super-humano da história.

Os vigilantes máscarados são considerados criminosos e foram proibidos de atuar. Mas há o perigoso Rorschach que desafia a lei e segue fazendo justiça com as próprias mãos. E se for preciso sujá-las de sangue, tanto melhor. Ele começa a investigar a morte de um ex-combatente do crime, conhecido por Comediante (interpretado pelo Jefrey Dean Morgan, atenção Micheli!!).

E percebe que há algo de errado. Logo, tenta alertar antigos aliados, enquanto vai descobrindo um plano muito maior e que pode resultar numa grande catástrofe.

Assisti ao filme três vezes e duas versões do filme. A primeira, a de cinema (que é a que está chegando às locadoras). A segunda, a versão do diretor. E há duas formas de se encarar este filme. Se você conhece a história em quadrinhos em questão, não há dúvida de que vai gostar.

É, sem dúvida, a adaptação mais fiel já feita de uma HQ, reproduzindo mínimos detalhes de forma elegante e glamourosa. O projeto que era considerado infilmável teve no diretor Zach Snyder seu mais fiel discípulo (Alan Moore ficaria honrado se assistisse ao filme, o que não deve acontecer, porque ele sequer permitiu que o seu nome fosse creditado).

A segunda forma de ver o filme é como um espectador comum, que nunca ouviu falar de Watchmen na vida. E quando assisti a primeira vez, tentei olhar dessa maneira. Nesse caso, acho que é um filme "difícil" de encarar. A ação demora para acontecer, os personagens não despertam empatia direta e os flashbacks, essenciais para se compreender a história, podem confundir muito. É um filme que tem muitos diálogos e, para quem não é "iniciado", isso pode complicar as coisas.

De qualquer forma, seja como leitor de HQ ou não-leitor, uma coisa que me deixou cabreiro foi a trilha sonora do filme. Aliás, nisso o Zach Snyder quase sempre se mostra equivocado (Em 300 ele demonstrou todo o seu mau-gosto musical, o que foi elevado à nona potência em Watchmen). Há uma cena de sexo entre dois personagens do filme que, teóricamente, era para ser sensual, mas se torna comicamente involuntária devido a música que toca. (Assista e veja. Eu odiei a música. A cena se salva porque a bunda da Malin Akerman é simplesmente uma das 10 melhores coisas do filme).

O elenco não é formado por estrelas de primeira grandeza, como se esperaria de um projeto como esse. Na verdade, até acho que o diretor preferiu pegar atores que não fossem tão conhecidos do grande público, justamente para dar mais ênfase nos personagens. (Se Tom Cruise fizesse o personagem Ozymandias, como ele queria, você o veria no filme e pensaria TomCruiseTomCruiseTomCruise. Como aqui, o ator que interpretou o personagem é alguém desconhecido, se estabelece melhor a relação público-personagem).

Por fim, chega de falar. Loque o filme e julgue por si. Tenha em mente que é uma história adulta, com elementos diferentes do que você já tenha visto (se não conhecia Watchmen, claro). Ao final, da projeção, vai ser inevitável sentir-se invadido de um de dois sentimentos: ou você vai amar ou odiar Watchmen.


Alguém leu esse texto até o fim?

3 comentários:

Tainã Steinmetz disse...

Nem li.
:*

Nivia Andres disse...

Li, sim! E vou ver o filme.

Cristiano disse...

Excelente filme e ao contrário do Márcio, gostei da trilha sonora também... rs. Tive o prazer de ler a HQ na época do lançamento no século passado... rs. Quando ouvi que iam fazer o filme, pensei comigo: "tomara que não estraguem a estória". Quando fui ao cinema já sabia que o final seria diferente da HQ. Mas... Ficou excelente. Agora estou esperando sair no Brasil a versão definitiva para poder comprar. Nela está incluso o "CONTOS DO CARGUEIRO NEGRO" (estória inclusa na HQ). E como o Márcio disse, quem nunca leu a HQ, vai ter dificuldade para assistir ao filme. Mas mesmo assim... Assistam. Espero que um dia o Zach Snyder filme o Wolverine. Porque esse que fizeram... Com aquele final parecido com o jogo Mortal Kombat... não dá pra engolir.