terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aquela guria chata...


Outro dia, tive o prazer de rever minha querida amiga S. Nos cruzamos pela rua, acenamos, sorrimos e paramos um instante para conversar, como vai, tudo bem, o que tem feito, trabalhando sempre, e você, já casou, ainda não, e você, cuidando dos filhos, tá morando onde, ali perto do, aparece lá, você também, foi bom te ver, até mais ver...

Enfim. Foi um diálogo de dois minutos ou mais. Ou menos. Mas durou o tempo necessário para uma volta no tempo. Ali na rua, éramos dois adultos. Em minha memória, lembrei da infância, quando ela ia com sua mãe nos visitar e teimava em querer me incomodar, enquanto eu estava trancado em meu quarto lendo minhas revistas em quadrinhos. E eu, mimado, pedia que me deixasse sozinho. Não queria ninguém me incomocando. Ninguém mesmo. E ela não dava ouvidos e fazia por gosto de provocar. E eu ficava bravo com aquilo. Aquela guria era uma chata. Mesmo assim, às vezes a gente brincava. E às vezes, a gente brigava. Lembro das festas de aniversário e das brigas até por causa de balões. (Uma vez, ela sumiu com um brinquedo meu, o que me deixou rancoroso por semanas)

E assim, seguimos por anos. Ora, brincando e ora brigando. E lembro bem que chegou um momento em nossa puberdade que a gente parou de brigar.

E foi exatamente no dia em que, sei lá porquê, a gente se deu um beijo. O tal de primeiro beijo. Foi a partir dali que eu percebi que aquela guria não era tão chata quanto parecia. E que sua companhia podia até ser agradável. No entanto, aquele beijo tinha sabor de "quero mais", mas também de "podemos levar uma surra se nossas mães descobrirem".

Houve uma tarde também, em que as duas estavam lá fora tomando chimarrão e descobrimos que existia uma diferença significativa entre ser menino e ser menina (mostra o seu, que eu mostro a minha, ela disse). E descobrimos essa diferença, poucos segundos antes de sermos também descobertos pelas mães.

Meu coração nunca tinha batido tão, tão acelerado.

E ela seguia me provocando, mas de um modo que já não me incomodava de jeito nenhum...

Update: Essa história não é ficção...

2 comentários:

Leonardo Rosado de Souza, disse...

Quem sabe agora que vocês já são adultos, vocês..........? deixa pra lá amigão.

Abraço,


Leonardo Rosado.

Márcio Brasil disse...

Eheheheh. Valeu pelo incentivo, Leonardo!

Vou ver com ela. Afinal, dizem que não há nada melhor do que namorar com ex-namoradas. (Desde que se consiga reconquistar uma, claro)

Forte abraço!!