quinta-feira, 23 de julho de 2009

Torcidas organizadas: os brutos que também amam


Outro dia, durante uma reunião na casa de minha amiga Letice, estive assistindo uma reportagem sobre torcidas organizadas. E aquilo reafirmou as razões por eu não cultivar quaisquer paixão por times de futebol. Gosto do Grêmio, gosto do Inter e não gosto da Seleção Brasileira. Porém, não assisto jogo de time algum e jamais vestiria camiseta de time nenhum. Porém, é óbvio que essa é uma particularidade minha e não recomendo para ninguém. Quem gosta, tudo bem. Acho até curioso de ver a paixão que as pessoas manifestam por seus times. Acho realmente pueril de ver alguém declarando o amor mais infinito do mundo para uma porcaria de um símbolo numa camiseta, para um bando de machos correndo atrás de uma bola, comprando pôsteres de machos suados que são chamados de "heróis" e cujos feitos "heróicos" é, senão, vencer uma partida. Para os torcedores fervorosos, aqueles 90 minutos de jogos são um desafio às emoções. Uma cruzada entre o bem (o seu time) e o mal (a equipe adversária).

A vitória do time do coração é como esquecer todos os problemas, sentir-se parte de algo grandioso, uma torcida, uma família. A vitória do time do coração significa pertencer ao seleto grupo dos vencedores. É como gozar sem fazer sexo.

Fico intrigado de ver algumas pessoas serem capazes de verdadeiros sacrifícios para provar o amor por seus times do coração. E ainda mais: fico estupefato de ver que, em alguns casos, esse amor beira um comportamento realmente xiita.

Tenho amigos que realmente ficam putos quando o seu time perde. Ou insuportáveis quando ganham. O esporte é saudável, mas o extremismo é animalesco e dissemina a violência. Há quem deixe de se falar por causa de uma piada envolvendo uma derrota do time. Há quem vire inimigo, Há quem parte para agressão. E há casos até de morte por causa de uma estupidez assim.

E isso é muito comum entre as muitas das tais torcidas organizadas, ou melhor dizendo, gangues organizadas para disseminar o ódio contra os seus adversários. Unidos por um mesmo objetivo (quase religioso) se lançam contra torcedores do time adversário. Ou, muitas vezes, entre diferentes segmentos de uma mesma torcida.

Não há dúvida de que os estádios de futebol são interpretações modernas das arenas romanas e seus espetáculos sangrentos. A diferença é que outrora o sangue era o centro das atenções (como ilustra o filme Gladiador, por exemplo). No caso das torcidas organizadas, a violência é praticada pelos próprios integrantes dessa massa. Na reportagem em questão, alguns jogadores relatavam ataques sofridos pelos próprios torcedores que se voltavam contra os atletas quando o resultado alcançado pela equipe os desagradava. Ou seja: a vida de um jogador de futebol muitas vezes não é só o glamour e os passeios na Ilha de Caras.

O comportamento humano é interessantíssimo de se avaliar. E quer saber? Torcedores fanáticos, políticos corruptos e religiosos extremistas representam uma banda podre da raça humana.

E é incrível também que a maioria dos crimes e absurdos cometidos são justificados com base no "amor". É por amor ao seu time que alguns torcedores querem arrancar o sangue de outros. É por amor ao seu País que os políticos corruptos roubam. E é por amor ao seu Deus, seja ele qual for, que os fanáticos religiosos cometem também tantos absurdos. Que porra de amor é essa?

Minha esperança está nos nerds e nos geeks. São eles que vão salvar o mundo, afinal.

Nenhum comentário: