quarta-feira, 29 de julho de 2009

A porra faz toda a diferença

Peço a licença dos leitores mais puristas, defensores da moral, bons costumes e de um palavrear mais refinado. E também estendo mesuras aos defensores do politicamente correto e aos possíveis moralistas de fachada. E também para os que que não se enquadrem em nenhuma dessas categorias mas que, por ventura ou busca Googleana, (essa vai pro Aurélio Millenium), venha parar neste mal digitado blog.

Há muitos anos gosto de publicar textos no jornal literário Letras Santiaguenses, que é uma publicação cultural de nossa cidade de Santiago. Foi no Letras que tive meus primeiros trabalhos divulgados e tenho grande orgulho disso. Apesar de que eram coisas horríveis, na verdade. (Escrevi poesias dignas de enfiar o dedo na garganta).

Mas, enfim. Passei alguns anos sem participar e, desde dezembro passado, retornei às páginas do Letras, com muita alegria. E enviei um conto para ser publicado na próxima edição que sai agora em agosto. Nessa semana encontrei o Zé Lir e perguntei se ele tinha recebido (por e-mail). Ele foi direto comigo.
- Recebi, mas a tua crônica tá meio apimentada. Não dava para ti trocar umas palavras meio pesadas?
O Zé Lir se referia ao uso excessivo da palavra "porra" no referido texto. Expliquei que não podia mudar e escrever "sêmen", por exemplo. Porque era a "porra" que fazia toda a diferença.

Mas não liguei e disse que trocaria por outro. Eu realmente não tinha me apercebido que tinha extrapolado as regras de bom comportamento sugeridas pelo Letras. E peço desculpas aos meus queridos Zé Lir e ao professor Auri Sudati, por isso.

Mas o que me enterneceu mesmo, foi que o professor Auri me enviou um e-mail para tratar sobre o assunto.

Diferente do meu amigo Zé Lir, que foi curto que nem coice de porco, o Auri explicou que o Letras era distribuído em escolas, lido por estudantes, crianças, etc. E foi se desculpando um monte por pedir que eu trocasse o texto, que não era para eu levar a mal etc. Mal sabia ele que eu já tinha enviado outro texto e não tinha ficado (e jamais ficaria, lógico) nem um pouco chateado.

Na verdade, acho muito legal que o Letras Santiaguenses preserve essa característica. Tenho imenso carinho por este jornal, um instrumento admirável para a divulgação da cultura.
...
Mas eu tinha gostado mesmo do meu texto anterior, porra.

Um comentário:

Nenhum Mistério disse...

KKKKKKKK!!!
Também acho muito admirável o jornal ainda preservar o tipo de linguagem adequada, afinal, já que não podemos usar certos tipos de linguagem... que seja!


Mas eu tenho certeza que a porra do seu texto anterio estava bem melhor daquela forma!!! kkkkkkk


Mil Beijos, Márcio!