segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nossos ídolos estão mortos (e nossos ideais descansam em paz). Viva o passado!


Gosto muito de música clássica e, vez por outra, adoro de ouvir obras de Beethoven, Mozart, Shumann, Rubinstein, Verdi, Chopin e outros tantos compositores. Mas também me agrada alguns clássicos da música japonesa (medito e viajo), italiana, grega (raramente, claro) e irlandesa (com moderação). Conhecer a música de determinado país é adentrar um pouco na cultura daquele povo e absorver um pouco de sua história. Confesso que as canções instrumentais (clássicas ou não) que mais me conquistam são as que fazem uso de piano, violino, arpa ou flauta.

A música faz parte da história do homem e nos acompanha desde muito tempo. E até o século XX, a música servia para expressar sentimentos, animar festejos e, de forma mais refinada, ela era um regozijo dos mais abastados. O século passado trouxe uma revolução nisso tudo e a música passou a ser usada também para expressar atitudes, contar histórias e ter a ousadia de querer mudar o mundo. E não é exagero dizer que muitos cantores e bandas mudaram o mundo, sim, através do que eles representaram para as suas gerações. E no universo da música ninguém foi mais expressivo do que Elvis Presley. Ele marcou os anos 50 com suas canções falando de amor e inspirou o surgimento de muitos outros grandes cantores, como "Always on my mind". Em seguida, nos anos 60, os Beatles revolucionaram o mundo com seu estilo "Twist and shout". Individualmente, John Lennon também se imortalizou com "Imagine".

Os Beatles e Elvis foram tão precursores que até hoje suas canções são regravadas e reiventadas por toda a nova geração de músicos e bandas. No mesmo período, contrabalançando com os bem comportados Beatles surgiram os cheios de atitude e rebeldia "The Rolling Stones", liderada por Mick Jagger, ainda hoje em atividade e sempre se renovando (claro, já não com o mesmo fôlego).

Os anos 70 foram marcados pelo surgimento (ou consolidação) de bandas ou cantores como Pink Floyd, Led Zeppelin, Ramones, Eric Clapton, The Doors e Bob Marley. E vieram os anos 80 e a explosão de bandas e cantores. E foi esse o período dominado por Michael Jackson, Madonna, U2, Aerosmith, Qüenn, Metallica, Iron Maiden e muitos outros. Os anos 90 foram o período de consagração para o Nirvana (sem dúvida, a banda que mais marcou esse período), apesar de não ter chegado ao final da década. De igual (ou maior sucesso) foram os Guns N'Roses.

É possível dizer que cada um dos cantores ou bandas citadas abriu as portas ou inspirou o surgimento de muitos outros, que não citei, deixando de expressar meu gosto pessoal. No Brasil, essa história toda aí seria resumida em Roberto Carlos e Chico Buarque (anos 60), Elis Regina (anos 70), Cazuza (anos 80), Legião Urbana (anos 80 e 90) e pára por aí.

O que me refiro é que cada um desses citados foram (ou são) ícones justamente porque trouxeram alguma novidade, alguma atitude, alguma representatividade. E na esteira deles é que surgiram muitos outros.

E eis que chegamos aos anos 2000. Qual o cantor, cantora ou banda surgida nesse período e que mereça ser chamada de ícone? Penso eu que simplesmente não há! É incrível, mas vivemos justamente na época mais plolífera de músicos e, em contrapartida, não há ídolos para essa geração. Há, claro, as celebridades instantâneas, as da semana. Que fazem um sucessinho aqui ou ali, diante da geração Youtube, mas que logo perdem a sua importância. Não há um Elvis Presley capaz de encantar multidões. Não há Beatles ou Rolling Stones. Não há Kurt Kobain. Não há Freddy Mercury. Não há Janis Joplin. Antes, gravar um disco significava uma epopéia contra a indústria, um sem fim de dificuldades.

Hoje, qualquer banda de garagem tem o seu CD Demo (que às vezes é tão ruim que parece mesmo coisa do demo). Qualquer cantor pode gravar um videoclipe com os melhores recursos visuais e largar no Youtube. Mas o incrível é que nos anos 2000 existem inúmeras celebridades, mas não temos ícones, não temos ídolos e nem mais ideais a serem seguidos. O rock morreu?

Elvis morreu, Michael Jackson também. Madonna é um reflexo do que um dia foi. Os Beatles? Foi um sonho que acabou. Pink Floyd é eterno. E os dinossáuricos Rolling Stones se negam a fechar as cortinas (que bom). E ainda há o U2, com bom fôlego. E ainda a garganta de Steve Tyler é poderosa.

Deixando de citar a atual geração de cantores, cantoras e bandas, a verdade é que os anos 2000 simplesmente não representam nada para uma revolução musical. São o vazio criativo. É que é justamente esse o período da indústria, do dinheiro, da fama instantânea. Não há ideais para se lutar, não há críticas para se fazer. E não há mais o que falar de amor, que já não tenha sido dito antes. Há alguns ecos aqui ou ali, mas não despertam alcançam força mundial. É uma geração conformista, a geração Reality Show.

A verdade é que nesse período sem bandeiras, significados ou emblemas é justamente no passado que se vê a força criativa que tivemos. Os que por aqui passaram não cantaram para o seu tempo, mas para todos os tempos. Pois é aqui que está a beleza da arte pura e verdadeira: ela é universal e atemporal. Na falta de cantores ou bandas ícones para a sua geração, os anos 2000 fazem uso da máquina do tempo para voltar olhos e ouvidos para o que foi dito e inspirado por Elvis Presley, Beatles, Pink Floyd, Legião Urbana e tantos outros. Quem diria, Lennon, mas o sonho não acabou.
Ou, como profetizou Elis Regina, em "Como Nossos Pais" (de Belchior), os nossos ídolos ainda são os mesmos.

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