sexta-feira, 17 de julho de 2009

Descobri que não sou gay...(não que saibam, pelo menos)


Eu não sou gay e descobri isso hoje. Não que eu já não soubesse disso, claro. A questão é que tive a minha masculinidade atestada justamente por...um gay!! (?)!

Pára tudo...! Do que estou falando, afinal?

Vamos começar do princípio e reservando os nomes das partes envolvidas. Umas pessoas próximas a mim me relataram que alguns amigos delas, que são homossexuais assumidos, estava fazendo uma avaliação de uma lista de pessoas de Santiago de todas as áreas, na qual fui incluído (que tal?). Imagine a cena: de um lado, um grupo de mulheres, do outro um grupo de homossexuais. No meio da conversa, quem é ou não gay em Santiago.

- O dono da loja **********?
- É bicha! Cartão rosa!
- Aquele tal advogado, o **********?
- Bichona! Rosa!
- Aquele médico do **********?
- Bichonona! Cartão rosa!
- Aquele acadêmico lá da universidade, que tem o apelido de **********?
- É bichinha enrustida! Rosinhaaa!
- E aquele cara lá do *********?
- Tem todos os apetrechos. Mas é enrustido.
- Aquele outro lá, que tem tal carro?
- Esse não é. É galinha, só! Cartão vermelho, tira da lista!
- Hmmm.
- E aquele fulano, o **********, que passa em CTGs e festivais?
- Ih. Esse chora para ser boneca. Sapateia na frente do espelho e diz "hoje eu vou ser boneca", mas acaba não tendo coragem. Cartão rosa choque com lantejoulas douradas!

E foi numa dessas que surgiu o meu nome. Putz, bem que eu tava com as orelhas quentes essa semana.

- Não, o Márcio não é....(pausa dramática) não que eu saiba, pelo menos. Cartão vermelho!

E, assim, passei no teste de fogo e fui expulso da lista. Quando me contaram, eu achei graça de saber. Meus agravantes: uso perfume feminino, gosto de Shakira, Caio Fernando Abreu e sou meio "dado" com todo mundo e não apareço com mulher nos Center Halls por aí (e nem vou nessas porras). Meus atenuantes: não sei dançar, não uso roupa de marca e sou meio "misterioso"

Na boa, não me importaria se nesse conclave resolvessem que eu fazia parte da irmandade do armário. Tô nem aí, não me importo, não fico brabo nem nada, só acho graça. E outra, que tenho excelentes amigos homossexuais que são seres humanos que respeito e gosto muito e participam de meu convívio. E como disse o Hugh Jackman (o Wolverine) "não sou homossexual, mas negar isso é como se dissesse que há algo errado em ser. E não há".

Para mim, um cara contar que gosta de outro é como se dissesse que gosta de outro ser humano. Pronto, nada a ver.

O que cada um faz no quarto ou no sofá ou dentro do carro, não me interessa. E se fosse gay, não teria problema algum em admitir isso, ao invés de esconder desesperadamente.

Só não me agrado mesmo é de travesti ou de qualquer um que tente impor o seu jeito de ser, que tenha uma atitude de botar o dedo na cara dos outros e dizer "me aceite como eu sou, seu hipócrita machista, porco chauvinista!"

Acho que aí já é subverter a própria natureza para impor uma condição que não é a real. Mas, como diz meu amigo Sidi, "ca'um ca'um" (traduzindo: cada um é cada um).

Mas isso porque eu não gosto é de vulgaridade. Porque há muito carinha metido a comedor que é super-vulgar no trato com as mulheres. Na mesma medida há mulheres vulgares também e são coisas que não me agradam. Agora, julgar os outros por sua opção sexual...sei lá, acho tão mesquinho. Posso me agradar de uma pessoa pelo conteúdo dela, pela inteligência, cultura etc, mas não por causa de sexo. Foda-se! No bom sentido...

Um comentário:

Jean Carlos disse...

Que ponto de vista atual, livre de preconceitos e esclarecedor. Muito bacana seus textos. Vez ou outra passarei por aki... até