quarta-feira, 3 de junho de 2009

Perdendo a majestade


Há poucas semanas, a escocesa Suzan Boyle se transformou num dos maiores fenômenos midíaticos da nova era, consolidando o Youtube como meio propagador de informações. Tanto é que o semi-desconhecido programa Britain's Got Talent tornou-se famoso no mundo inteiro, por conta da performance de Suzan. Emissoras de TV e jornais de todos os países divulgaram o feito dela que, aos 48 anos, ainda alimentava o sonho de ser uma cantora profissional. Mas tanto a plateia do programa quanto os próprios jurados julgaram-na pela aparência e riram de suas intenções. Em seguida, logo ao mostrar o vozeirão, todo mundo embasbacou com Suzan. E todo mundo mesmo. No meu e-mail (e no de muitos leitores, aposto), não foram poucas as mensagens sobre a atuação da escocesa, grifando que “não se pode julgar alguém pela aparência”.

Pois bem. Após tornar-se um ícone, a vida dela deu a maior das reviravoltas e já existiam até planos de transformar sua história num filme, estrelado por Catherine Zetha Jones. E a torcida para que vencesse a final do programa de calouros cresceu mundialmente. E o que aconteceu, no último final de semana? Ela perdeu (tá no Youtube). Antes disso, porém, a mídia começou a aplicar uma regra não escrita de que “muito mais interessante do criar uma lenda, é destruir uma”. E se estava saturado falarem bem de Suzan Boyle, o jogo inverteu e começaram a mostrar que o ídolo tinha pés de barro. E vieram as notas de que ela era uma pessoa rude, difícil, limitada e até mal-educada. E, de princesa, Boyle voltou à ser uma plebeia e tornou-se mais uma lenda destruída. Por causa das regras não escritas da qualidade total, do defeito zero, da superação. É que na sociedade atual- e cada vez mais- as pessoas são menos pessoas e mais produtos de consumo. Qualquer defeito de fabricação gera reclamação.

Um comentário:

Micheli Pissollatto disse...

Baah, maravilhoso isso que tu escreveu.. infelizmente a mais pura verdade "/