segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Hoje em dia não dá mais nem para andar de avião"...


Domingo, eu entrei num boteco (o conhecido Bar dos Campeões) para comprar uma Coca. Além do dono do estabelecimento, estavam lá alguns clientes bebericando junto ao balcão e outros jogando uma sinuca. Mas logo que entrei, estavam todos atentos às imagens na TV, que mostravam notícias sobre o tal avião que caiu. O dono do bar me atendia sem perder-se das notícias e da contagem de corpos. Nos segundos que demorasse me atendendo podia perder algum. Um dos clientes falou ao outro (sem tirar os olhos da TV):

- Hoje em dia já não dá mais nem para andar de avião...

A observação dele, triste e resignada, me fez viajar (não de avião) e imaginei que aquela mesma sentença talvez estivesse sendo repetida por milhões de pessoas. De repente, viajar de avião se tornou algo muito perigoso. E, não duvido que por esses dias não tenha diminuído o número de viajantes aéreos. Não vou aqui defender que voar é o meio mais seguro de todos e que tais desastres são tão raros que, quando ocorrem, dá essa celeuma toda da mídia. Morreram 228 pessoas duma só vez? Sim. Aviões são perigosos? Tá, são.

Ainda bem que não morre ninguém nas estradas e que ninguém abusa da velocidade. As mortes no trânsito, de repente, perderam seu lugar nas manchetes. Só avião é que mata. E hoje em dia não dá mais para andar de avião. Antes da semana passada podia...
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Mas, enfim. Quero confessar o seguinte: não assisto TV. Quando ligo a TV, é para assistir filmes. Para me informar, prefiro o rádio ou as notícias interativas via internet ou os jornais. Mas procurei não ler nada a respeito do tal acidente de avião. É que realmente não gosto de saber notícias de tragédias, por pura e simples especulação.

Mas hoje, com a globalização da informação simplesmente é impossível ficar à parte de tudo o que acontece. A rapidez da informação é tal que ela se propaga pelos mais variados meios de comunicação e se multiplica pelo boca-a-boca. Hoje, quando dei uma passada na Revistaria Riachuelo, a dona Maria Helena me fez duas perguntas. A primeira, foi sobre o clima.
- Tu acha que vai chover?

A segunda pergunta, adivinhe:
- Tu viu, que horror, aquele desastre de avião?

Eu vi. Tava na capa da Veja e de várias outras revistas da semana.

Um comentário:

Cristiano Freitas disse...

Interessante observação, meu caro amigo. Deveras interessante.
Eu fiz outra durante a semana, a cerca de 2078km de onde tu estás agora, uma cena muito semelhante, em um mini-mercado. O povo, humilde que frequentava o local, absorto, horrorizado com a tragédia do vôo zyxbcvjdk546854+41 (ou sei lá o código).
-Como puderam deixar isso acontecer? (luzinha amarela acendendo)
- É um horror mesmo, nada mais funciona nesse país. (luzinha vermelha acesa)
Terrorismo midiático. É como chamo o sensacionalismo e a manipulação política desses eventos.
Não aguento assistir uma edição inteira do Jornalão Nacional, sempre escavam um "drama pungente" (ou criam um a partir de uma situação corriqueira) e espetacularizam, rodam e rodam erodam, até levar a conclusões de boteco (esse país não tem mais jeito).
Ditam a pauta das conversas em todas as esferas (da universidade ao boteco), e assim, mantém o "gado confinado", com aquelas viseiras, que só os permitem ver o que o dono quer deixar.
Um grande abraço.