sexta-feira, 8 de maio de 2009

James Blunt e flores mortas

Clarissa se arrepiava quando era beijada no pescoço. E por causa disso se tornava um alvo fácil nas mãos de Fernando. Após uma pequena discussão, eles se beijavam ferozmente. Ele a beijava ao mesmo tempo em que agarrava com firmeza o seu cabelo e até dava-lhe uns puxões. Já ela, mordia o lábio inferior dele, segurando-o entre os dentes até que ele produzisse um "ai", que a excitava. Era nesse momento que ele revidava e descia até o pescoço dela, deslizava a língua por sua nuca, umedecendo-a com saliva, e sussurrando qualquer coisa nos seus ouvidos. Num instante, suas mãos já estavam debaixa da blusa dela, percorrendo suas costas com a ponta dos dedos (os pelos dela ficavam eriçados), ziguezagueando por sua pele como que disfarçando a próxima parada: os seus seios. Ele aperta o seu corpo contra o dela, puxando sua cintura fina com força fazendo-a sentir sua excitação.

Neste momento, Clarissa suspira fundo, percebendo que ainda lhe restam alguns segundos de autocontrole, ainda pode interromper o percurso atrevido das mãos e da língua quente de seu amante, antes que ele alcance a sua calcinha, os seus pelos pubianos e aí, entregue-se mais uma vez no chão, no colchão, em cima da mesa ou debaixo do chuveiro.

- Não! Espera!
Ela diz, arrependendo-se de ter dito. Mas se mantém firme na decisão.
- Eu não quero mais. Não desse jeito.

Fernando se irrita. Ela queria continuar com a discussão que já durava horas. Eram amantes. Ele era comprometido. Clarissa era mais jovem e ele era um homem mais velho. Mas ela não queria mais tê-lo pela metade, não queria mais continuar sendo "a outra". Não queria mais ser um nome masculino disfarçado na agenda do celular dele para que a "vaca" não descobrisse sobre os dois.

- Nós dois, Fernando. Somos um clichê. Iguais a outros tantos. Iguais aos de novelinhas bestas. Tu vai seguir me enrolando e eu vou seguir acreditando que vai largar dela e ficar comigo. Vou seguir na esperança de que tu me prove que gosta de mim, como tanto diz. Mesmo sabendo que é ela que dorme abraçada contigo. É ela que tem o melhor de ti. Para mim, ficam essas migalhas de carinho, de tesão, de aventura proibida, de tua "ninfeta". Fogosa. Gostosa. Desencanada. Mas tu escolheu ficar com ela, porque tem medo de tomar uma decisão, aí, vai pelo caminho mais fácil. E isso dói, sabia? Dói pensar nisso. Dá ódio! Quer nadar até mim, mas pensa que pode se arrepender depois e não encontrar o teu porto seguro. Típico clichê. Foda-se, cara. Cai na real. Diga logo a verdade.

- Não diz isso, amorzinho. Tu sabe que eu te amo...

- Eu sei que tu ama é tirar a minha calcinha. Quer me colocar de quatro ou quer que eu te faça sexo oral. Eu sei que tu ama é estar no meio das minhas pernas. Eu sei que tu ama é de gozar em mim e gemer. E suar. E revirar os olhos de tesão. É patético. Ambos somos patéticos. Eu, por estar me prestando a esse papel e tu...não se enxerga? O que somos? O que existe entre nós?

- Porra!

Diz Fernando, irritado, enquanto ajeita o cinto da calça.

- Porra, sim. É nisso que se resume a nossa relação. Tu vem. E a genta transa. E espalha o teu esperma no meu corpo. E vai suado para o chuveiro, se livra do meu cheiro e corre para dormir com a tua mulher. Talvez, antes de dormir vocês rezem uma ave-maria juntos para depois dar uma trepadinha comportada que nem vovô e vovó já faziam. Porra é o que fica de ti para mim. Ou então esses presentinhos que me traz. CDs do James Blunt? Por favor, né! Flores? Até hoje não aprendeu que eu não gosto de flores mortas. Quer que eu me contente com isso? Ridículo. Pensa que sou uma tola que vou seguir acreditando em tua conversa idiota de "oh, eu te amo e vou largá-la para viver contigo que me faz feliz?". Eu vou te esquecer. Eu vou amar alguém que me ame e trepe comigo até a madrugada, mas que esteja ao meu lado quando eu acordar...

Fernando tenta abraçá-la, na intenção de calar sua boca com um beijo. Clarissa fica ainda mais furiosa.

- Eu disse não. E eu digo nunca. Quero que vá embora e me esqueça. E esqueça que um dia me conheceu. E nunca mais volte aqui porque eu não quero mais saber de ti. E te odeio porque tu fez eu te amar. E vou te odiar para sempre porque...

- Tu me ama?
- ....
- Shiii! Deixa eu te abraçar. Só um abraço e vou embora. Prometo.
- Eu não quero mais isso...
- Tá bem, eu sei. Vou pegar minhas coisas.
- Espera. Me abraça.
- Estou aqui. Shiiii.
- Eu só queria que as coisas fossem diferentes...
- Eu também...
- Sinto tanto a tua falta...
- Eu só penso em ti...
- Mesmo?
- É, sim.
- ...
- Vou pegar minhas coisas...
- Não! Deixa aí. Fica mais uma hora.
- Só se me der um beijo...
- Vamos pro quarto?

Um comentário:

Ivânia Garcia Felipe disse...

Pense, isso acontece mesmo.