quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sou meu fã

Hoje eu descobri que sou meu fã. Sim, é isso mesmo. Verdadeiro e ridículo. Mas foi assim que aconteceu: eu estava conversando com uma amiga e percebi a frase do MSN dela, que achei bonita e dizia assim "a gente passa a vida se despedindo de pessoas especiais, que partem de nossas vidas ou que partem nossas vidas assim que elas acenam sua ausência". Sinceramente, eu achei bonita a frase e falei para ela, que disse se tratar de um texto que ela gostava. Pois bem e qual foi a minha surpresa (juro, legítima), quando descobri que o texto em questão tinha sido escrito por mim mesmo? Então, por isso que eu digo. Hoje descobri que sou meu fã. Já estou me convencendo que sou um gênio. Daqui uns dias, estarei tomando chá com o Paulo Coelho na Academia Brasileira de Letras. (Nota do Blogueiro: estou me debochando, of course, porque às vezes eu escrevo umas besteiras por aqui e acham que é verdade)

Ocorre que há textos que escrevo com muita atenção. Já outros, são simplesmente desabafos de sentimentos momentâneos e, portanto, não chegam a me marcar. Como foi o caso desse e outros.

O texto em questão é esse:


E por falar em saudade...

A saudade move o mundo e faz parte da vida. Tudo se torna saudade. Um momento especial que se vive se torna saudade examente um minuto depois que ele passa. Quando, feliz, você diz "oi", para alguém, sabe que também irá dizer "adeus" ou "tchau". E a gente passa a vida se despedindo de pessoas especiais, que partem de nossas vidas ou que partem nossas vidas assim que elas acenam sua ausência.

Seja por acidente, seja por estar atrasada para um compromisso, ou para uma festa, ou para dormir. As pessoas chegam e partem. E dizem oi e dizem adeus. E nós, não chegamos nunca a conhecê-las por completo. Nem elas a nós. Mesmo assim, elas deixam a saudade. Assim como nós também fazemos a saudade bater na porta de alguém. Há também momentos que não parecem ser especiais.

São simplesmente corriqueiros, cotidianos. Mas, com o passar do tempo, são esses diminutos momentos é que ecoam por uma vida inteira. Às vezes, coisas tolas e imperceptíveis é que acabam gerando um universo de emoções para quem os viveu.

Você vive uma cena e ela reverbera por toda a existência, martelando em sua mente os detalhes, repassando os diálogos, os gestos, as cores, os sabores. A saudade também reiterpreta algumas cenas, reescreve diálogos. "E se eu tivesse dito isso ou feito assim?"

Desta forma, as lembranças surgem como são, intactas. Mas, as vezes, se apresentam com diferentes versões de como poderia ter sido. Sugerem uma nova direção, outra atuação e as lembranças são estendidas, reinterpretadas, diálogos novos aparecem, surgem outras situações, tudo muda. E tudo ganha um final feliz. Mas a lembrança em si não pode ser negada. Ela está lá no arquivo do coração e da mente.

É um beijo suave, uma viagem especial, uma fotografia perdida, uma canção desconhecida, um filme muito bom que você não lembra o nome e nenhuma locadora tem, é o sabor de uma comida preparada com carinho, é um brinquedo da infância, é um amor que se teve e que se perdeu, um sonho não realizado, um caminho não trilhado.

Há tantas coisas. A saudade faz com que um minuto vivido torne-se a lembrança de uma vida inteira. A gente passa a vida inteira tendo saudades e dizendo "oi" e dizendo "tchau". Como será a saudade que sente quando chega o momento de se despedir da própria saudade?

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