quinta-feira, 9 de abril de 2009

Asfaltar Santiago?


Não adianta, não adianta e não adianta. Em relação ao trânsito, os santiaguenses são o povo mais desordeiro do Brasil. Faixas de segurança? São pintadas para deixar mais bonitas as nossas esquinas poéticas. Placas de sinalização? Excelentes para a gente escorar o ombro ou firmar o braço e seguir debatendo os jogos do Grêmio ou do Internacional. Sinaleiras? Dizem que depois das 22h não é obrigado a parar diante delas. Limites de velocidade? Coisa de gente careta e que anda de Fusca.

E é justamente parte desse pessoal aí, que adora correr tresloucado e disputando rachas, que está louquinho para ver as ruas todas asfaltadas. Vai trazer o progresso e a "urbanidade"? Vai! Mas também vai propiciar aquelas corridinhas básicas que o pessoal costuma disputar de uma sinaleira até a outra. (perde quem não conseguir passar do sinal). Fora isso, aquela coisa, né: o asfalto retém o calor e impede o escoamento das águas da chuva.

Se me perguntarem, não acho nada legal que seja asfaltado o nosso centro. Mas eu ando a pé, né? Agora, se perguntarem pros motoristas, acho que as opiniões se dividem. Fora, claro, a rapaziada do racha. Mas o que esperar de motoristas que não respeitam sequer o pedestre e avançam sobre ele, mesmo em cima das faixas de segurança? E que tal a Brigada Militar que não dá bolas para isso (como mostra a foto acima, esquina entre as ruas Pinheiro Machado e Getúlio Vargas)..

Devo dizer: a foto é de uns meses atrás e foi publicada no jornal. Depois disso, pouco mudou. As pessoas ainda tem que esperar os carros passarem da faixa de segurança e não o contrário e os motoristas, infelizmente, tem que desviar dos pedestres. Só os brigadianos se cuidam para não serem fotografados mais em situações assim. Pega mal...

Um comentário:

JÚLIO CÉSAR SCHMITT GARCIA disse...

Caro Márcio, também sobre 'educação' (ou da falta dela), encaminho este texto sobre o genocídio de bugios que esta ocorrendo no Estado. Está nos blogs Diario Gauche e no 'O Boqueirão'. Convido-te a multiplicá-lo.
Abs,
Júlio Garcia
...

A febre amarela e a matança de bugios

Campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”

A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus que é transmitido por mosquitos. Ela possui dois tipos: a febre amarela urbana, erradicada do Brasil por volta da década de 1960, e a febre amarela silvestre. Os vetores (agentes responsáveis pela transmissão) da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

A febre amarela silvestre já provocou a morte de algumas pessoas e de muitos bugios em uma extensa área do Rio Grande do Sul desde o final de 2008. No entanto, ao contrário da maioria das pessoas, os bugios são extremamente sensíveis à doença, morrendo em poucos dias após contraí-la. Esses macacos já estão ameaçados de extinção no Estado devido à destruição de seu hábitat natural (as florestas), à caça e ao comércio ilegal de mascotes.

Infelizmente, os bugios também estão sendo vítimas da doença e da falta de informação da população. Inúmeros relatos indicam que habitantes das regiões de ocorrência do bugio-preto e do bugio-ruivo estão matando os animais, principalmente por envenenamento, por medo do avanço da doença.

Além de tornar mais crítico o estado de conservação desses animais, essa atitude é extremamente prejudicial para o próprio homem. A morte de bugios por febre amarela alerta os órgãos de saúde locais sobre a circulação do vírus na região, os quais promovem campanhas de vacinação da população humana, como se tem observado em quase 200 municípios do Estado.

O Ministério da Saúde considera esses macacos importantes “sentinelas” da circulação do vírus. Portanto, os bugios são nossos “ANJOS DA GUARDA”! Se eles forem mortos pelo homem, descobriremos que a febre amarela chegou a determinada região apenas quando as pessoas contraírem a doença. E talvez já seja tarde para alguns (ou muitos).

Além de NÃO transmitirem à doença para o homem, os bugios NÃO são os responsáveis pelo rápido avanço da doença no Estado. Eles são as principais vítimas. As mudanças climáticas e a degradação ambiental provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente aparecimento de inúmeras doenças infecciosas no Estado. Especialistas acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos ou outro hospedeiro ainda desconhecido.

Pergunto: Você mataria o seu anjo da guarda?

*Artigo do doutor Júlio César Bicca-Marques, professor titular da Faculdade de Biociências da PUC/RS, grupo de Pesquisa em Primatologia.