quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pura nostalgia



Que coisa. Outro dia estive bem perto de ti. Bem diante de ti. Há poucos centímetros de ti. E a imagem que via de ti, não era a mesma que me encantava tanto (eu te amava tanto). O sorriso, antes doce, agora até um pouco amargo. A tua voz, que era música para os meus ouvidos, agora era comum, igual a tantas outras vozes. Tu tinha deixado de ser o tudo para mim. Tinha deixado de ser a única para mim. Que coisa. Eu te amava. E os anos, o que fizeram desse amor? Tentei enxergar em ti aquilo tudo que enxergava em ti.
Tu estava bem diante de mim, mas eu não conseguia te ver. Te via e não te reconhecia. Não como te via antes, com os olhos que te via antes. Pouco tinha mudado, mas tudo havia mudado. Eu mudei? Ou tu mudaste? Mudamos ambos? Ou foi o sofrimento que tanto passei (e que tu jamais vai saber o quanto passei...) que me transformou (ou me transtornou?). Que coisa.
Outro dia estive bem perto de ti. E todo aquele amor que eu sentia, estava bem longe de ti, mas ao mesmo tempo era como que quisesse reconhecer se era em ti que ele todo se encaixava. Teu olhar não tinha mais aquele brilho (ou não era mais em teu olhar que o meu, narcisicamente, se refletia). Mas eu te amava. E te amei. E chorei. E aquela história toda - que nunca encontrou um final, nem oi, nem tchau- num dia qualquer, sem aviso, sem marca, cicatriz, sinal e nem nada, se acabou. Quando chegou, foi como um vento alvoroçado, quando partiu, não disse nada. Amanheceu assim. A beleza que via em ti, o amor que eu via em ti, não estava mais em mim. Tu eras a mesma. Eu e o resto do mundo também. Só o meu amor que era pura nostalgia.

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