sábado, 25 de abril de 2009

Discursando um pouco (além da conta..)


Como as pessoas gostam de discursar, não é mesmo? O pior é que geralmente as pessoas que gostam de discursar são justamente as que não sabem fazê-lo com eficiência. Afinal, para quem domina a arte de falar em público, um discurso bem elaborado pode fazer maravilhas, motivar as pessoas, dizer algo que vai representar na vida de alguém, enfim. Já um discurso mal aplicado, se estende e se torna monótono, ainda mais aqueles cheios de chavões e impressões. Ao escrever isso, me vêm à mente filmes como "Coração Valente" ou "O Senhor dos Anéis", onde em determinadas cenas há personagens empunhando uma espada e à frente de seus exércitos, conclamando os companheiros para a batalha, após proferir discursos emocionados. Já em "Alexandre", por exemplo, o discurso é fraquíssimo. (pobre de Alexandre Magno, que era um grande líder)
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No entanto, na absoluta maioria das vezes, os microfones são ocupados por pessoas mais preocupadas em serem aplaudidas do que por realmente passar uma mensagem que toque ao coração. Foi assim ontem na inauguração da Tricola, onde falaram lá não sei quantas autoridades. Umas praticamente repetindo os discursos das outras, sem acrescentar nada. Lá pelas tantas, eu comentei com uma amiga de que eu estava aplaudindo determinado discurso longo não porque tivesse sido memorável. Estava aplaudindo porque ele havia terminado. Ela respondeu: "a maioria também está fazendo isso. Todo mundo já está cansado. A gente aplaude por costume, mesmo". É que em Santiago existe essa coisa: eu puxo o teu saco, se tu puxar o meu também e assim vamos dançando juntos, como duas "samexungas".
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Aí, pergunto: por que os organizadores dos protocolos castigam o público com esses repetecos?"Bah, mas vai estar o seu Fulano lá. Se o Beltrano falar, o Fulano vai ter que falar também". Aí, a coisa vai se arrastando. O mesmo aconteceu no lançamento do um livro no Centro Cultural. Foram não sei quantos lá na frente para discursar longamente, prolixamente, políticamente. O autor? Ah, esse foi elegante e de breves palavras, respeitando o objetivo da noite, que era o de lançar a sua obra. A mim coube, na I Feira dos Artistas, fazer um discurso na abertura (a contragosto, devo dizer). Ao ocupar o microfone disse apenas o seguinte: "a arte dispensa discursos para a sua apresentação. A obra de um artista fala por si só. E a recompensa por um trabalho sincero certamente será o aplauso do público". Fim.

Um comentário:

Nivia Andres disse...

Discursar um pouco (além da conta)é o artifício utilizado por pessoas que não têm muito a dizer e confundem, frequentemente, uma manifestação breve e concisa com palestra.

Não fui à reinauguração da Tritícola, mas participei do lançamento do livro do Cácio. É só aqui em Santiago que lançamento de livro tem discurso... Em outros lugares há, no máximo, uma apresentação da obra e o restante do tempo disponível é dedicado à interação entre o escritor e o público, para autógrafos, bate-papo e o que vier, menos discurso.
Lamentável, mas são coisas da província.

Essa situação também decorre da falta de cerimonialistas habilitados, que incutam bom senso em suas chefias e outra coisa muito importante - a circunstância de ontem não estava enqudrada nas regras do cerimonial público. Uma pena.