quinta-feira, 16 de abril de 2009

Confira discurso de Mônica Leal no Fórum de Desenvolvimento


Na tarde desta quinta-feira, 16, a secretária de Cultura do Estado, Mônica Leal, esteve em Santiago participando das discussões sobre a criação de uma identidade cultural para Santiago. Como o município possui possui forte atuação nessa área, ela fez uma explanação a respeito disso e também sobre o trabalho que está promovendo no Estado. Confira, na íntegra, o discurso que ela fez nesta tarde para a plateia presente no Clube União Santiaguense.

"É sempre muito bom estar em Santiago, e sempre digo isso, seja no contato direto e amigo que tenho com os dirigentes deste município e com as pessoas que trabalham por esta terra, seja quando escrevo e falo sobre esta cidade, e quando posso me pronunciar à população de Santiago prestigiando seus eventos culturais.

Mais uma vez, Santiago mostra a sua preocupação de administrar e divulgar muito bem o que é genuíno do município e da região onde está inserido, através de iniciativas nascidas aqui, que objetivam sempre o incremento, o despertar de vocações, a divulgação do produto e da mão de obra local e a conscientização sobre a necessidade da boa formação no presente visando um futuro melhor de forma geral.


Como já mencionei em outra ocasião, na abertura da última Exposantiago, é sempre importante frisar que, pela manutenção da nossa identidade gaúcha, da nossa história, é preciso preservar e valorizar o que é natural da terra, o que é genuíno do povo.

E a identidade de um local, de uma população ou nação, começa no auto-conhecimento de sua trajetória, de sua formação, de suas origens. Tendo a “Terra dos Poetas” como exemplo já estamos entrando no tema desse encontro que é “ Identidade Cultural ”.

Por Identidade Cultural, entende-se o conjunto de valores através dos quais se manifestam as relações entre indivíduos de um mesmo grupo que partilham patrimônios comuns como a cultura, a língua, a religião, os costumes, para citar apenas estes.

Não sendo um processo estático, ela vai evoluindo à medida que a sociedade avança do ponto de vista cultural, social, econômico e político.

É graças a ela que um indivíduo se identifica com um determinado grupo com o qual a partilha e é a ela também que se deve a coesão da sociedade. Quanto mais forte a identidade cultural de uma nação, Estado, grupo que comunga das mesmas origens, mais pertencentes e orgulhosos eles serão desse território, pois ali há condições favoráveis para exercerem sua cidadania, para contribuírem com sua história individual e familiar, e atuar para manter as tradições locais.

E isso gera coesão, união e harmonia na sociedade, e com certeza com menos violência e injustiças sociais. O nível de cultura de um povo determina muito de seus demais padrões sociais.
E para que isso ocorra naturalmente, e constantemente, além da sucessão das gerações, deve haver o papel atuante dos governos e do poder público - fomentando, mapeando, diagnosticando determinada sociedade, para conhecê-la, envolvê-la e conscientizá-la sobre os benefícios da educação, da cultura, da formação do caráter cívico, e da existência de um senso comum e maior que une a todos.

E na composição das coletividades, grupos que possuem fatores favoráveis adquirem e conservam sua identidade cultural mais solidificada - o que pode vir da influência das colonizações - e temos no nosso Estado um exemplo claro, pelas diferentes formações do povo gaúcho - ;de movimentos raciais de preservação, e posso citar a existência dos Quilombos no Brasil, que se caracterizam pela união e luta por seu significado na história do país, entre outros.

E assim, temos reforçadas a identidade negra, a identidade indígena, a portuguesa, a italiana, a alemã, a polonesa, a holandesa, que consequentemente, somam no quebra-cabeças que nos forma enquanto brasileiros, e nós enquanto gaúchos.

Realmente é um tema amplo, mas que a gente pode trazer mais para perto justamente observando e conhecendo comportamentos, ações, tradições e projetos que cada um de sua maneira, vão agindo na construção da nossa identidade cultural.

Nesses dois anos em que estou tendo a oportunidade de estar à frente da Secretaria da Cultura do Estado, pude conhecer mais de perto as infinitas manifestações culturais que o Rio Grande do Sul cria.

E na estrutura da pasta, temos mecanismos para promover os segmentos artísticos e culturais, que,no seu desenvolvimento, vão trabalhar diretamente na formação e no desenvolvimento geral do Estado em relação à cultura.

Temos na Secretaria sistemas e instituições que atuam com a preparação e com o estabelecimento de condições para que a Cultura se instale, se dissemine e se mantenha, vindo a fazer parte da vida da população, da vida de uma comunidade, e assim, dos indivíduos.


Cito como exemplo, o Sistema Estadual de Bibliotecas, o Sistema Estadual de Museus, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, e o Sistema LIC.

Podemos trabalhar o interesse e a motivação pela pesquisa e pelo hábito da leitura na população no momento em que trabalhamos para a criação de novas bibliotecas municipais, pela assessoria técnica para aquelas já existentes, para que se qualifiquem e se atualizem constantemente, podendo agir pelo atendimento correto feito por bibliotecários capacitados, na recuperação de livros, na distribuição de livros,fazendo este meio tão importante que é o livro chegar cada vez mais próximo do público.

E felizmente, como podem ver no quadro o Rio Grande do Sul possui apenas onze municípios sem bibliotecas, o que nos faz ser otimistas de que este trabalho de base atua de forma intensa na formação do povo gaúcho.

O Estado se destaca pelos seus museus e temos um número muito expressivo de instituições – quase quatrocentas. Assim, o Sistema Estadual de Museus oferece atividades de capacitação e de qualificação, estimula a criação de programas educativos que coloquem os museus em maior contato com a comunidade onde estão inseridos, presta assessoria para implantação e também readequação de museus quanto à guarda e conservação de seus acervos.


Quanto mais os museus atuarem na valorização da identidade local, mais estarão cumprindo sua função social no desenvolvimento e na inclusão daquela sociedade.

Através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, o IPHAE, realizamos convênios e parcerias junto aos municípios, com a intenção de mapear os bens edificados de valor cultural, atendendo, dessa forma, a todos os municípios do Estado, auxiliando para a implementação de legislações municipais de tombamento e desenvolvendo ações de proteção do patrimônio cultural em parceria com os municípios. Em 2009, temos destinados R$1.700.000,00 para restauração de patrimônio cultural.

A Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a LIC, prevê a compensação de recursos destinados ao pagamento do ICMS, por parte de empresas que apostam no financiamento de projetos culturais. Podem ser beneficiados pela lei, projetos culturais nas em diferentes áreas da cultura. Através da LIC a Secretaria da Cultura e o Governo do Estado são parceiros de importantes realizações culturais gaúchas.

Uma das minhas maiores causas como Secretária da Cultura foi o resgate da credibilidade da LIC, e a busca de medidas para a viabilização correta de projetos, e sempre com a preocupação que me acompanha como política e como cidadã, do bom uso do dinheiro público, isso passando pela parte técnica, pelos produtores culturais e pelas empresas.


E por fim, complementando, informações sobre a ida da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a OSPA,aos municípios do interior do Estado. Esse projeto da OSPA vem como meio de ampliar o contato da população com a música erudita, que por vezes parece tão inacessível, e que a Orquestra executa com tanto conhecimento e comprometimento.

E com muita alegria informo a todos que Santiago receberá um concerto da Orquestra em 29 de setembro. Temos,então, na implantação e aplicação de práticas e diretrizes através desses segmentos que citei, uma grande contribuição para a manutenção da nossa identificação como Estado de bom nível educacional e cultural. Através deles, a SEDAC chega aos municípios gaúchos a fim de conhecer as realidades e expandir, junto com a comunidade e dirigentes locais, os aparelhos e projetos culturais.


E todas essas ações oferecidas pela Secretaria estão voltadas para a descentralização, para a interiorização da Cultura e para a promoção da inclusão social, pois somos um Estado de muitos municípios e de muitas histórias, formações, vocações e talentos, e precisamos trabalhar em atendimentos específicos, mas sem esquecer do todo, pensando sempre na unidade da nossa memória gaúcha.

Assim, fico muito feliz de ver Santiago buscando esse conhecimento nas diversas áreas, para uma melhor atuação de sua nova prefeitura e suas secretarias. E espero que o conhecimento técnico da Secretaria da Cultura chegue sempre à Santiago, para juntos contribuirmos nas ações que servirão para fortificar e nortear o município no que diz respeito à uma aplicação efetiva da cultura para sua população".

Mônica Leal, secretária de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul

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