quinta-feira, 26 de março de 2009

Popularizando a literatura


O projeto literário Santiago do Boqueirão, seus Poetas quem São?, idealizado pela professora Rosane Vontobel Rodrigues tem conseguido atingir em cheio o objetivo de popularização da cultura. A ideia de comercializar livros de escritores santiaguenses a um valor de R$ 3,00 tem dado um resultado considerável no propósito de ampliar o conhecimento das pessoas a respeito do trabalho que é feito por quem escreve poesia, contos ou crônicas. E vou dar o meu testemunho a respeito desse assunto.

Outro dia, eu cruzei em frente a um boteco, desses em que o pessoal vai para tomar martelinho e petiscar ovos cozidos, daqueles que ficam boiando nos vidrões de Nescafé ao lado de baleiros. Pois bem, logo que eu cruzava por ali, eis que um dos frequentadores saiu do bar para me cumprimentar.

- Dae, Márcio. Tudo bem?
- Olá, tudo beleza!
- Tchê, eu li todinho o teu livro numa sentada. Gostei muito dumas coisas que tu escreveu lá. Agora não sei te dizer o que, mas achei massa, assim...fiquei refletindo numas coisas...
- Opa, que bom. Valeu pelo incentivo.
- É sério. Eu li todo o livro, não tô te mentindo...
- Tu comprou ou ganhou?
- Não, eu li lá no boteco mesmo. Tinha lá no balcão pros clientes se entreterem...
- Puxa, que legal. Gostei de saber disso!

E me despedi desse rapaz, sem saber o nome dele, apesar dele saber o meu. E fiquei imaginando o livrinho do projeto Santiago do Boqueirão, entre baleiros, ovos cozidos e martelinhos. E achei o máximo. Afinal, veja: uma pessoa que nunca vi, nunca falou comigo, sabia o meu nome e veio me cumprimentar sem qualquer outra intenção a não ser a de dizer que "numa sentada" deu atenção a uns continhos que eu tinha escrito. Por um breve momento, entre um martelinho e outro, ele leu algo que eu tinha escrito e procurou entender, sem julgar-se inferior ou superior aos meus textos. Simplesmente, conectou-se com as ideias e aceitou o passatempo. E parafraseando Caio Fernando Abreu, o objetivo da literatura é tornar um pouquinho melhor a vida das pessoas. Nem que seja pelo tempo de uma sentada.

Um comentário:

Nivia Andres disse...

Isso é emocionante, Márcio! Senti a mesma alegria que tu, incontáveis vezes, quando pessoas que eu nem conhecia me paravam na rua, ou ligavam, para dizer que gostaram do que eu escrevi, que minhas palavras as tinham ajudado, servido como incentivo ou simplesmente que leram. Essa é a maior recompensa para quem escreve!
Espero que o meu futuro livrinho também tenha a honra de estar no balcão de um boteco e alguém se interesse por ele. Será a glória!
Um abraço!