sexta-feira, 13 de março de 2009

O brilho dos girassóis


No final da tarde desta sexta-feira, eu cruzei pela rua com a garota que foi o primeiro amor de minha vida. Aliás, tão primeiro amor que eu nem sabia que aquela aflição toda que eu sentia por ela na primeira, segunda e terceira série se chamava amor. Só sabia que eu gostava de sentar perto dela na sala de aula e que sentia como se o sol iluminasse só a mim quando ela me dizia qualquer coisa ou voltava para casa arrasado quando ela não me dirigia o olhar.

Simone, é o nome dela. Para mim, a garota mais linda que já tinha visto e de quem não sabia muita coisa. Só sabia que ela gostava de usar roupas amarelas, como um vestidinho que ela costumeiramente usava para ir às aulas. A cor também estava presente nas fitas que amarrava em seu cabelo. Amarelo era também a cor de sua flor preferida: um girassol. Fui colega da Simone até a sexta-série e nunca fui capaz de vencer a timidez e declarar para ela o quanto eu a gostava e tanto sonhava em segurar sua mão.

Talvez, convidá-la para tomar um sorvete. Quem sabe, dar-lhe um beijo em seu rosto. Em compensação, todos os meus amigos sabiam disso. E as amigas também. E eram elas que me dava dicas de como poderia conquistá-la. E me diziam que, sim, era possível que eu viesse a namorar com a Simone. Bastava que estivesse atento a algumas regrinhas básicas que elas costumavam prestar atenção.

Mas nunca disse nada para a Simone que, talvez tivesse sabido disso de alguma forma. Afinal, além de ser tímido também não tinha qualquer autoconfiança para tentar conquistá-la.

E, então, na tarde desta ensolarada sexta-feira, após muitos anos, cruzei pela rua com a Simone, o primeiríssimo grande amor da minha vida, tão primeiro que eu nem sabia que aquela aflição toda que eu sentia por ela se chamava amor. Ela sorriu para mim aquele sorriso que teria realizado todo o sonho de minha infância. Eu retribuí o sorriso e lhe dei um abraço. Falamos brevemente, agora dois adultos. "Como vai, tudo bem, o que tem feito, etc". Porém, não havia mais aflições ou sonhos, apenas um encontro de duas pessoas adultas que se conheceram na infância. Um encontro nostálgico tão somente, de dois amigos do passado se encontrando nos dias de seu futuro. (Era o que as professoras nos diziam: que éramos o futuro).

O seu sorriso continuava bonito. O seu rosto continuava doce e meigo, como eu lembrava. Só não estava vestindo amarelo, como na maioria das lembranças gravadas em minha mente. Só que usava um belo par de brincos com desenho de girassóis...

2 comentários:

melia kindler disse...

Bonitinho o texto.

;*

Micheli Pissollatto disse...

Lindíssimo texto *-* Muito bom mesmo, parabéns!