quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quem mata um cão...


Todos que habitamos esse Planeta, seres viventes, formamos uma só espécie: somos terráqueos. E isso inclui não só os humanos, mas também os animais que coexistem em nosso meio. O direito à vida é tanto deles quanto é nosso. A mesma fome que é capaz de afligir um humano, também aflige a um cão. A mesma dor que pode ser causada a um gato, também a sente uma criança. Para muitas pessoas (inclusive eu), um animal de estimação que conviva em nosso lar é parte integrante de nossa família.

Portanto, repudio imensurávelmente tantos casos registrados nos últimos dias de animais domésticos assassinados por envenenamento. Pense por um instante: imagine que aquele cão ou gato que você tanto gosta e convive e tanta felicidade traz para ti seja atraído por algum tipo de alimento jogado no pátio? Um alimento que esconde uma vil traição que só mentes sórdidamente humanas seriam capazes de conceber: algum tipo de veneno letal. E, assim, atraído por seu instinto natural de sobrevivência (o de se alimentar), o seu animal ruma à morte certa, através da destruição de seu sistema orgânico, matando-o por dentro, impondo-lhe um sofrimento além do que seja capaz de suportar.

Meus amigos: quem mata um cão ou um gato, acaso não mataria um homem?

Qual a diferença, psicologicamente falando, de alguém que mate pessoas para aquele que às escondidas saia pelas ruas a distribuir alimentos envenados pela vizinhança? Essa pessoa é capaz de mensurar a tristeza que se abate em cada família logo após o êxito de seu ato criminoso? Nunca tive um animalzinho que morresse envenenado, mas já testemunhei mais mortes de animais do que eu gostaria de ter visto, assim como perdi um animal querido por causa de pessoas assim. Algo que nada agrada. Algo que nos coloca impotentes diante da maldade que faz parte da natureza de tantos seres humanos.

Tais pessoas seriam capazes de amar verdadeiramente? Aliás, verdadeiramente essas pessoas saberiam o que realmente significa o ato de amar? Não digo amar da boca para fora, quando se diz para a sua própria mulher ou ao seu próprio filho porque penso que amar a própria mulher e ao próprio filho é algo natural para um pai de família por exemplo e nisso não há nada de espetacular ou divino. É uma mera obrigação. Refiro-me a um tipo de amor mais sublime: o de amar também aos filhos dos outros, às famílias dos outros, a todos os outros seres viventes. E compreender que a dor que aflige a qualquer outro ser humano, poderia ser a nossa própria. É um tipo de amor cada vez mais raro em nossa sociedade e que só existe no coração de pessoas que realmente compreendem que a sua estadia neste planeta é transitória.

E que a vida que temos, em verdade, não nos pertence. Tampouco nos pertence a vida de outros. Quando vejo pessoas chorando a morte de seu cachorro de estimação, algo se revira em meu peito. É um misto de dor e de nojo de mim mesmo como ser humano. É uma vergonha por pertencer a uma raça que não respeita o seu próprio semelhante e não se importa com a dor que é causada a um animal ou a uma criança ou a uma mulher ou a um homem. E que tão longe estamos de evoluir todos que habitamos esse Planeta, porque a humanidade não evolui individualmente e, sim, coletivamente. E, assim, todos pagamos pelos crimes de uns.

Por que temos tantas pessoas que acreditam serem mais especiais diante da vida? Por que temos tantas pessoas que se incomodam com a felicidade dos outros? Acaso, a vida do homem é tão mais importante que a vida dos outros seres que também ganharam o direito a vida, através de uma energia muito acima de nossa compreensão? Por que temos tantas pessoas incapazes de amar, sendo que elas próprias foram geradas a partir desta matéria misteriosa que compõe o universo inteiro e que não tem outro nome senão Amor?

Não sei nenhuma dessas respostas, apenas faço essas indagações. Não sei se tanto para o mundo, não sei se tanto para mim mesmo. Mas acredito firmemente que se nós, humanos, temos a possibilidade de "governar" esse planeta, é certo que os rumos que o colocamos é bastante equivocado. Além de destruir o próprio meio em que vivemos, destruímos aos nossos próprios semelhantes e construímos bombas e espalhamos vírus e jogamos venenos nos pátios da vizinhança.

O que é triste é que muitas dessas pessoas que fazem isso, são aquelas que ao final da tarde se põe a chimarrear em frente de suas casas, desfrutando da doce tranquilidade de não ter que ouvir um cachorro a mais latindo pela vizinhança. Talvez até lhe agrade ouvir o choro de algum criança ou testemunhar o triste semblante de algum vizinho. Talvez essa pessoa até se sinta orgulhosa. Talvez até ria por dentro. Quem mata um cão ou um gato, acaso não mataria uma pessoa?

8 comentários:

Jorge Luiz da Silva Alves disse...

Um 'cabra' destes merece coleira, ração e desprezo - e mil encarnações como o mais indefeso dos animais. Um abraço do Jorge Luiz.

Lavienrose disse...

Concordo com você em suas sábias palavras. A realidade é triste,a humanidade está triste e doente e não sabe(muitos) dar valor ao que de lindo temos como animais e natureza.Abraços...

J Estanislau Filho disse...

Concordo inteiramente! Por isso sugiro ler duas crônicas minha sobre o tema: O Dono do Cão; Cão sem Dono. Aguardo comentário. Fraternalmente.

Ana Marques disse...

Concordo inteiramente com tudo o que diz. E à pergunta respondo: certamente que sim, quem mata um cão mata um homem. Eu tive um cão que foi envenenado 3 vezes ao longo da vida. A última foi fatal e quando o encontrei já estava morto e nada pude fazer. Doi-me até hoje e passaram dez anos. Faz-nos questionar sobre o que é ser-se HUMANO... Um forte abraço.

Fátima disse...

Caro Márcio, do ponto de vista humano, temos o Art.32 da Lei 9605/98:"Praticar ato de abuso , maus-tratos, ferir, ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena-detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa."A Pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal.

Mas como sempre falo no meu blog, não precisamos mais de humanidade, precisamos é de transcendência, de divinização, porque como humanos já fizemos todas as besteiras possíveis, já devastamos a face do planeta e só falta explodirmos como o Kripton do Super Homem.

A crueldade com os animais é uma questão de consciência nossa, nós degredados de Capela, que viemos para este orbe inóspito a fim de crescer espiritualmente, esquecemos do nosso paraíso perdido em contato com a densidade planetária e imergimos o pobre planeta nos nossos sete vícios capitais que foram a causa da nossa queda.

Não podemos mudar o mundo, mas podemos agir com responsabilidade, consciência e respeito para com nossos irmãos animais. Seria o caso de procurar o Ministério Público que é responsável por isso, fazer boletim de ocorrência policial,usar de todos os meios legais possíveis para alertar contra a crueldade com os animais.

Quem sabe não seria bom falar com o Dr. Disconzi e com a Leda Camargo da Associação de Proteção aos animais ...

Quem sabe organizar uma passeata em defesa dos animais...

Vamos pensar...

Que a Graça Divina esteja sempre contigo, com vocês.

Fátima

Mirna disse...

Não sei ou sinto que quem mata um cão mataria um homem rrsrssr, mas sinto que se matassem meus cães mataria um homem, sim rssrrsrs

Anônimo disse...

No dia em que o homen conhecer o intimo de um animal todo o crime contra um animal sera um crime contra a humanidade.(Leonardo da Vinci).
E ainda queremos ser superiores.Em quê?

Artur Castilho disse...

"quem mata um homem mata um cão"...