quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pura balda

Uma leve dor de cabeça me importunava no início da tarde desta quarta-feira. Procurei ignorá-la. Aos poucos, ela foi querendo chamar a minha atenção aumentando gradativamente a sua intensidade. "Vai passar", pensei. "Não é nada". Motivos eu tinha para pensar assim, afinal, nunca tinha sentido antes uma dor de cabeça. Como eu tinha ignorado a dita cuja, outros sintomas resolveram acompanhá-la. Comecei a suar frio, sentir uma leve tontura e alguns tremores, seguido pelo prenúncio de um enjôo. Minha reação foi de sair de perto de meu computador. Afinal, se acaso viesse a vomitar, que não fosse em cima de meu computador, pelo menos. Fui até o Sidi e perguntei-lhe se, acaso, não teria um remédio para dor de cabeça.
Meu amigo se surpreendeu com minha pergunta. "Mas tu nunca teve dor de cabeça", ele respondeu. "Pois é, acho que é algo assim. Estou esquisito", complementei.
Resolvi sair para fora, molhar o rosto. O Sidi não tinha o remédio mas conseguiu um com a Sandra. Em minutos, todos já sabiam que eu não tava legal. A Sandra me chamou na sala dela. "O que está sentindo?" Respondi, é claro, que não era nada e aquilo iria passar. A Suzana atestou que eu estava suando frio e parecia ter febre.
Em seguida, minha colega Patrícia já vinha querendo saber o que eu tinha e o que eu estava sentindo. O Sidi, a mesma coisa. Voltei ao computador para seguir trabalhando. Tentei escrever, diagramar e a coisa só piorava. Fiquei com raiva. Levantei e fui molhar o rosto de novo. A Hilda procurava indagar se eu estava bem e aconselhava que eu fosse num médico. "Néééé! Vai passar", eu respondi. E me fui para o pátio nos fundos do jornal sentar numa pedra e esticar as pernas na grama. Fiquei por ali alguns minutos e as dores e o enjoo pareciam piorar, a ponto de lacrimejar. Fiquei ainda mais com raiva e comecei a me xingar mentalmente. "Fracotoloridículosehumanoimbecildoente". Não demorou muito tempo, lá estava a Patrícia, querida, me trazendo um copo d'água e demonstrando preocupação comigo. "Talvez seja pressão baixa", tentou adivinhar, me aconselhando a colocar sal debaixo da língua. "Estou bem. Estou melhorando", tornei a retrucar. Em seguida, veio o Anderson Taborda até mim. "Tchê, tu não vai morrer aí sentado, vai no médico". Meu colega me fez rir. A Patrícia insistia para que eu fosse deitar num sofá e dar uma descansada, mas eu queria era ficar no vento. Mas sua proposta se tornou conveniente quando o Antônio se achegou me chamando de "minha china" e acendendo um daqueles mata-ratos que ele fuma, empesteando o ar. A agradável companhia de meu colega foi rejeitada por causa da fumaça de seu paieiro, que me transtornava ainda mais. Resolvi, então, aceitar as propostas da Patrícia: colocar sal debaixo da língua e ir deitar um pouco. Foi o que fiz. Em seguida, a Suzana abriu a porta da sala onde estava deitado para saber se estava tudo bem. Tentou me convencer a ir medir a pressão e fazer exame de glicose no Hospital. "Não, já tô legal", eu insisti, evitando ao máximo ir num hospital. Eis que a Sandra entra na sala e tenta me convencer. "Olha a Suzana vai no hospital pegar uns exames. Vai junto e já faz companhia para ela e vê a tua pressão", enfim, resolvi ceder à pressão e me fui para o hospital, então. Chegando lá, dei uma aguardada na sala do pronto-socorro que, ainda bem, estava tranquila. Iria me sentir péssimo de chegar por lá ver um monte de gente esperando ser atendida e eu tirando o lugar de alguém para medir pressão. Mas, enfim, foi rápido e eficiente. O dr. Jorge Tusi me atendeu, me examinou e fez algumas piadas comigo e eu o acompanhei nos gracejos. Pressão, tudo ok. Batimentos cardíacos, ok. Glicose, ok.
- Vou ter me operar, doutor? Ou vou morrer mesmo?
- Vai. Só não hoje. Porque tu está bem.
E, assim, voltei ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Acho que era pura "balda", mesmo.

2 comentários:

Nivia Andres disse...

Não é balda, não!

Dor de cabeça sem motivo não existe. Pode ter sido um problema de digestão, já que tiveste náusea. Um chazinho de macela resolve.

E nunca é demais lembrar que a nossa profissão é profícua em stress e ansiedade. Por isso, alongar-se e movimentar-se constantemente durante o dia (e a noite) de trabalho são boas sugestões. Cuide-se!

Você está cada vez melhor. Seu texto é maravilhoso!

Um abraço,

Nivia

Ana disse...

No meu tempo isso tinha outro nome. Ao invés de balda, as pessoas chamavam de ressaca!

Mas então, diagnóstico de uma adolescente, eu tenho isso sempre que tá calor, e é por causa da minha pressão baixa. Uma vez que desmaiei por causa da minha pressão baixa, foi o mesmo médico que me atendeu, e fez tantas piadas da minha cara como ninguém mais será capaz de superar! IOSDHFIOSDHF


Abraço