sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Ditabranda"? Jornalista se revolta com artigo da Folha de São Paulo


Recebi um artigo do jornalista Pablo Vilaça, especializado em cinema e editor do site Cinema em Cena (e meu amigo de Orkut), onde ele critica um artigo publicado nesta semana no jornal Folha de São Paulo, que desconsiderou as ações militares no Brasil durante o período da ditatura, simplesmente dizendo que se tratava de uma "ditrabranda". Confira o manifesto de Vilaça:


"Em editorial publicado na última terça-feira, dia 17, sobre os esforços de Hugo Chávez para se manter no poder na Venezuela, a Folha de São Paulo trouxe o seguinte absurdo:"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.


"Não gosto de Chávez e lamento que tenha conseguido esta possibilidade de perpetuar-se no poder. Mas este post nada tem a ver com a Venezuela e sim com a classificação do período militar no Brasil como sendo uma "ditabranda"."Ditabranda".
"Ditabranda".
Filhos da puta. Suponho que, ao contrário de tantas outras famílias, os canalhas por trás deste editorial não perderam parentes para a "ditabranda". Nem tiveram parentes torturados pelos agentes desta "ditabranda".


Eu tive. Há, em minha família, pessoas que trazem nos corpos e nas mentes as seqüelas das torturas dos assassinos do DOPS e do governo militar. E estas pessoas que amo, por sua vez, perderam muitos amigos naquele período. Como a Folha se atreve, por qualquer motivo que seja, a usar o adjetivo "branda" em relação à sangrenta ditadura brasileira?


Tivesse o autor deste texto imbecil ficado pendurado num pau-de-arara por horas, tivesse ele levado choques nos genitais por dias, tivesse ele experimentado a agonia de um arame quente enfiado em sua uretra, tivesse ele sentido as unhas se despregando da carne, tivesse ele visto amigos morrendo sob pauladas, tivesse ele corrido o risco de ter o corpo descartado como lixo no mar de um helicóptero ou enterrado em cova rasa como um cachorro sem dono, tivesse ele sentido dezenas de cigarros sendo apagados em sua pele, tivesse ele experimentado o pavor do afogamento em um tonel repleto de água, tivesse ele ouvido as companheiras sendo violentadas por torturadores ou sodomizadas com cassetetes, tivesse ele um mínimo de respeito para com quem passou por tudo isso, não escreveria uma barbaridade dessas.


Ou, tendo escrito, se retrataria imediata e publicamente pelo absurdo cometido.No mesmo texto, o imbecil escreve:"Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo."Pois em nossa "ditabranda", caro editor da Folha, a oposição não podia se dar ao luxo de se sentir "revigorada" ou provocar o "desconforto" do governo, já que estava sob constante e sangrento ataque, sendo punida não com uma derrota política, mas com a perda da própria vida.


O que há de brando nisso?

3 comentários:

Nivia Andres disse...

O imbecil que escreveu essas barbaridades não pode ser editor da Folha de São Paulo. Não pode ser jornalista. Deveria juntar-se ao tal bispo que nega o Holocausto. Fariam um par nada "brando"...

Anônimo disse...

uma pergunta fora do texto:

Quem será novo diretor da URI ?

continuação do Clóvis(PP) ou Ayda ?

perguntem a alunos de antes e de agora, faça uma enquete

Cristiano Freitas Cezar disse...

Discordo da posição acima, que afirma que não pode ser editor da folha, nem jornalista, o cretino que escreveu tão tresloucada manifestação de saudosismo.
A Folha de São Paulo, com seu tentáculo chamado Folha da Tarde, cedeu carros de reportagem à "meganha", incumbida de capturar militantes, advesrários políticos do regime.
Boa parte da imprensa brasileira foi conivente com os sequestros, a tortura e os assassinatos cometidos em nome de uma "cruzada anti-comunista".
Os poucos que se opuseram como a tv Excelsior e o Jornal Última Hora, tiveram o mesmo destino: Foram fechados, sendo que o último foi entregue a uma família de bajuladores da ditadura, passando a se chamar Zero Hora.
A História nos mostra que a imprensa brasileira, sempre teve uma relação promíscua com o poder instituído, sejam os governos, ou as elites agrárias, industriais ou simplesmente expeculativa (ver cobertura "global do caso Dantas, onde acabarm crussificando a investigação e eximindo o "empresário").
Por falar em Globo, ela é uma legítima cria da última ditadura do país, fadada ao fracasso, envolvida com capital estrangeiro (o que é vedado no Brasil), gastando na ordem dos milhões e arrecandando aos milhares, fora saneada e "turbinada" pelos generais do pós 64.
Portanto, pode sim,, ser editor da Folha, e sua linha (burra) editorial, serve de parâmetro para a imensa maioria da imprensa nacional.