quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Big Jesus, brother


Nota do blogueiro- O texto a seguir foi escrito no ano de 2003 por este blogueiro que vos fala. Como se trata de um texto de seis anos atrás, é certo que contém algumas ingenuidades, mas faz uso de um tema que está sempre presente em nossas vidas uma vez por ano. Não, não é o Natal. Não, também não é a Páscoa. É, sim, o Big Brother. O texto a seguir foi condenado pela Igreja Católica. Se você ler, também será condenado e vai arder no mármore do inferno, porque não se brinca com coisa sagrada e, assim como quem escreveu, não terá direito a um terreninho no céu, caso seja evangélico e nem será perdoado por seus pecados, caso seja católico e nem vai ingressar no sansara, caso seja budista, e nem vai...bom, você entendeu. Tá avisado. Não passe daqui. Ainda dá tempo. Arrependa-se. Pare de ler.

Eis o texto proibido (a partir daqui, por sua conta e risco)

Cristo estava na terra. Chegava de mala e cuia, pronto para cumprir a promessa feita há algum tempo de que regressaria ao planeta para pôr ordem na casa. Antes, porém, tentou convencer a velha turma a lhe acompanhar nesta empreitada. Pedro, o que era pedra, agora que estava com a chave dos céus alegou que não poderia abandonar o seu ofício de recepcionar as almas.
Thomé, que só acreditava vendo, não botou muita fé na viagem de Cristo, achava que era tempo perdido tentar falar aos humanos. O único que se motivou a acompanhá-lo foi Judas, que prometeu lhe encontrar tão logo ele estivesse na terra. Como haviam se passado algumas semanas de sua chegada, Jesus desistiu de esperar. O velho Judas ainda era o mesmo quando se tratava de passar a conversa.
O filho de Deus, claro, ficou perplexo ao tomar conhecimento da situação atual do planeta: conflitos e guerras em profusão, miséria, violência, Gugu e Faustão aos domingos...
Era terrível: Jesus percebeu que a humanidade havia se deixado seduzir pelo mal e nem se dava conta disso. Havia muito trabalho para fazer e tempo algum para perder. O Galileu arregaçou as mangas da túnica e resolveu começar pelo Brasil, pois acreditava que teria apoio no país, extremamente religioso. Já sabia que se resolvesse se embretar pela palestina, como antigamente, poderia pisar numa mina terrestre em suas peregrinações, colocando pelos ares a sua nova missão. Aquele ambiente já não era propício às suas pregações.
Jesus estava eufórico com a possibilidade de ter sua mensagem, enfim, compreendida. Afinal, naquele tempo não existiam jornais, TV, nem Internet, para que melhor propagasse a palavra de Deus. Além de que aquele povinho era ignorante, mesmo. Nada de pagar micos pelas praças e em meio as multidões, sem antes anunciar sua chegada e comprovar sua identidade. A era da modernidade, afinal, serviria para alguma coisa. Claro que as coisas não foram bem assim.
Tanto os jornais quanto as TV's não deram bola para Jesus, classificando-o como mais um doido a fazer pregações. Um Inri-Cristo da vida, um Uri Geller. O jeito foi apelar para a Internet. Procurou um web designer para elaborar sua home-page mas teve problemas até para conseguir um domínio com seu nome que, de todas as formas, já havia sido registrado por milhares de igrejas. Só o que dava era Jesuscristo.com. Jesuscristo.blogspot.com. Jesuseocara.net e por aí vai...

Novamente, as forças do mal davam um jeito de complicar a vida do pregador.
- O que posso fazer para ser ouvido, porra?, disse ele, irritado e já familiarizado com os palavrões usuais da nova geração.
- Ué, se inscreve para o Big Brother, meu.- respondeu um novo amigo e seguidor, que curtia o visual rebelde do filho de Deus e tentava convencê-lo a entrar para uma banda.
- Cuméquié?
- O Big Brother- solenemente- o programa onde o povo tem voz e vez. Tu fica trancado durante semanas com um monte de gostosonas, faz e fala o que quiser 24h por dia para quem quiser ouvir e ainda pode ganhar um bolada. Mó onda...
- Então, está decidido. Vou me inscrever no Big Brother. Iniciarei minha nova missão lá. Mas como é que funciona essa porra?
Depois das devidas explicações e, posteriormente, de sua inscrição, Jesus entrava para o programa. Não se sabe dizer por qual motivo a produção do programa aceitou-o, se foi por algum milagre ou porque foi considerado, digamos, exótico. Cristo realmente foi aprovado para ser trancafiado na casa global. Ele só não entendeu o contrato que assinou que, entre outros ítens, falava da possibilidade dele posar para uma tal de G Magazine. Jesus estava ansioso para pregar. Tão logo ele e seus colegas entraram na casa, decidiu começar. Não podia perder tempo.
- Irmãos, trago as boas novas. É chegada a hora de mudanças. Uma nova ordem será instaurada.
- Ih, meu. Será que vão mudar as regras?- indagou um participante.
- Sim, quero, em princípio, relembrar do mandamento maior, que é amar ao próximo como a si mesmo.
- Ôba, queria ouvir isso mesmo. Tava a fim de traçar umas dessas popuzudas daqui. Tá tudo liberado, galera. Putaria geral!- disse outro.
Será possível? Mais de 2 mil anos se passaram e esses humanos energúmenos ainda não haviam aprendido a ficarem quietos e ouvir. Cristo decidiu ser mais severo.
- Atentai-vos. Quem não guardar tais palavras será condenado ao fogo e ao ranger de dentes...
- Fala sério!
Constantemente o pregador era ironizado por seus colegas. Por isso mesmo, desistiu de tentar doutriná-los. Lembrou que a casa era vigiada por câmeras e que estas reproduziriam seus discursos para milhões de pessoas. "Se tivesse essas tranqueiras no Monte Oliveira não tinha gastado tanta saliva com aquela tigrada", ele pensou. E passou a peregrinar pelas câmeras de toda a casa dedicando-se à sua missão de propagar a palavra de Deus.

Entre suas atitudes estranhas, seus colegas não estranharam mais atitude. "Aquele ali é doidão. Acha que é Cristo". Mas ficaram desconfiados, achando que ele estava fazendo jogo para ganhar a simpatia do público.
- Vou mandar ele para o paredão- disse o líder da semana- afinal, tem que ser alguém. Eu lavo minhas mãos.
- Boa! Aí a gente se une e escolhe uma dessas gostosas aí para concorrer com ele. O público vai ter que tirar esse chato daqui.
A turma se uniu, enquanto Jesus peregrinava pelas câmeras da casa, sem saber que o que falava era editado depois. Os BBB's acharam que o mais forte era um rapaz cheio de tatuagens, o Robertão, que eles apelidaram de Barrabás só para chapear. No dia do paredão, não deu outra. Barrabás havia caído nas graças do público e Cristo, mais uma vez, foi crucificado.
- Eles não sabem o que fazem- foram suas últimas palavras antes de sair do ar.

5 comentários:

Jesus minha inspiração disse...

Perdoa-lhe, ele não sabe o que escreve. Deus ilumine sua mente e coração. Abraços.

Eduardo Martínez disse...

Márcio, texto muito legal. O final também poderia ter sido Jesus expulsando a chicotadas os participantes, da mesma forma que ele fez com os comerciantes no templo. Pois é, quando Jesus se enfurecia, perdia a estribeira e descia o cacete também! E isso está na Bíblia.

victor meloni disse...

BRILHANTE!!! TU ÉS UM GÊNIO! QUE ESTA TUA SAGACIDADE COM AS IDÉIAS DÊ MAIS FRUTOS QUE COELHOS EM PERÍODO REPRODUTIVO! NÃO PARE DE PARIR O QUE ENGRAVIDOU TEUS PENSAMENTOS. MAIS UMA VEZ: BRILHANTE!

Marcos Miorinni disse...

Olá Márcio, não tive tempo de ler todo o post,
portanto falarei da imagem do Brother Jesus Brother,
em sua campanha pelo incentivo de "retomada" da fé;
uma deliciosa paródia crítica dos dias atuais pelo
excelente movimento cinematográfico Dogma.

Ave (Salve) Dogma e Monty Pynthon.

Em tempo Alanis como deus o que dizer, excelentes idéias ...

abraço das letras
Marcos Miorinni
lembranças a Kevin Smith ...

Poeta Lendário disse...

Há! Há! Há! Há! Há! Há! Adorei!!! Cara, isso é engraçado e sarcástico demais!!! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Ah!!! E... Olhem!!! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Lá em cima... Há! Há! Há! Há! Há! Há! Não é que Jesus usa mesmo a Internet?!! Há! Há! Há! Há! Há! Há!