segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Teias invisíveis


Vai piorar antes de melhorar. A frase do presidente americano Barack Obama reflete não apenas o panorama econômico americano e mundial, em função da tão propagada crise. As coisas sempre pioram antes de melhorar. É como dizem "depois da tempestade, a bonança". Durante o final de semana, Santiago registrou o primeiro homicídio do ano. É possível que nesta semana a gente veja pelas ruas familiares do rapaz assassinado empunhando faixas e cartazes pedindo justiça, lei e ordem. Essa é a natureza do ser humano: quando ele é atingido, resolve agir. Resolve exigir uma sociedade melhor, mais justa e mais igualitária. Afinal, é para isso que paga os seus impostos (até quando compra a cerveja) e exerce a sua cidadania.

Quando se está doente, se reclama da falta de saúde. Mas quando se tem saúde, nada se diz, nada se percebe e o ser humano segue abusando de todo o tipo de vícios ou práticas. Sempre piora antes de melhorar. É certo que já estamos vivendo o princípio do fim, o final de um estágio. Não sei como será daqui para a frente, mas é certo que as coisas devam piorar, como profetizou Obama.

Hoje temos toda a tecnologia do mundo, avançadíssima, à disposição da humanidade. Gastam-se trilhões na criação de um acelerador de partículas ou em programas espaciais. No entanto, se tais investimentos fossem capitaneados para a recuperação ambiental ou mesmo a recuperação moral de nossa humanidade, é certo que seria muito melhor aplicado do que tentar descobrir a origem do universo. Importa saber de onde viemos?

Sim, importa. Mas talvez importe muito mais saber para onde estamos indo. Nada ocorre em separado no planeta ou no universo, que funciona como as engranagens de um relógio. Está tudo relacionado e intrínseco, como uma enorme teia social, onde todos estão unidos e todos são atingidos. Não basta que a sociedade cobre dos governos para que invistam em educação, como sendo a chave de tudo. Não adianta fazer investimentos bilionários numa educação institucional, se a família- o princípio da coletividade, o micro-universo familiar- falha ao lançar para a sociedade um elemento carregado de problemas psico-sociais, levando uma herança familiar com os mais variados traumas ou obsessões.

É a família a célula da sociedade. E é de lá que surgem todos os tipos de pessoas, as boas e as más. As que conviverão de forma pacífica com seus semelhantes e as que irão explodir cabeças com tiros de trinta e oito. No entanto, não basta pensar a educação de forma mecânica: sala de aula-livros-palestras-concientização. Ocorre que hoje há inúmeras teias "invisíveis" que contribuem para a degradação social.

E esses mecanismos estão espalhados em tantos péssimos exemplos políticos, na lamentável música que se produz, nos pseudo-artistas (Zorra Total, Mulheres-Melancia?), ou nos extremamente nocivos programas de televisão, novelas, big brothers, noticiários, etc. Até que ponto, por exemplo, os meios de comunicação de todo o país cumprem um papel importante em nossa sociedade? Prestar a informação é importante, sim, e sacia a nossa sede de curiosidade. Porém, o que ocorre quando se cria a sensação de insegurança e a certeza da impunidade ao se veicular informações a respeito do aumento da criminalidade e a consequente desvalorização dos setores de segurança? Reflexão: será que tudo isso precisa piorar antes de melhorar?

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