sábado, 24 de janeiro de 2009

O futuro da Copa Santiago (na opinião de quem não entende de futebol)

Confesso que não entendo muito de futebol. Sei mais ou menos que quando a bola é chutada para dentro da goleira é ponto. Mas é impossível ficar impassível diante da estrutura montada pela Copa Santiago de Futebol Juvenil. É impossível morar em Santiago e não saber o quanto este evento significa para o município, já tendo revelado diversos craques para o mundo do esporte, como o Anderson Polga que, numa negociação inteligente do Cruzeiro, foi trocado por uma dúzia de camisetas que nunca aportaram no Alceu Carvalho (e se vieram, me corrijam, por favor).
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Como disse antes, não entendo muito de futebol. E, portanto, minha opinião neste campo é insignificante. Mas penso (logo existo) que essa discussão de reduzir a idade dos atletas participantes é um erro. Qual o argumento? Que equipes como Grêmio e Inter acabam enviando atletas mais badalados para a Taça São Paulo de Juniores que acontece no mesmo período. Aí, a estratégia de reduzir a idade, teoricamente seria a saída para trazer equipes melhores para a competição.
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Ao invés disso, não seria melhor simplesmente trocar a data da Copa Santiago para depois da que ocorre em São Paulo? Até porque, o evento de lá é o que recebe muito mais holofotes da mídia. Até o Efipan, de Alegrete, acaba atraindo mais atenção que a Copa Santiago, infelizmente. Tanto é que no Globo Esporte desta sexta-feira, divulgavam que o Grenal dos piazinhos que iria acontecer em Alegrete seria o primeiro do ano, ignorando que um dia antes, o tradicional embate se daria primeiro no Estádio Alceu Carvalho em Santiago.
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Não estou falando com o propósito de criticar, simplesmente. Como santiaguense, queria muito ver a Copa de minha cidade merecendo destaque no Correio do Povo, na Zero Hora ou na RBS TV de Porto Alegre (pois quando isso acontece é só em notas de roda-pé). Mas não é isso que ocorre. Por aqui, a gente diz que é o maior torneio juvenil da América Latina. Passando adiante de Santa Maria, a Copa Santiago acaba tendo a sua importância reduzida e a cada quilômetro percorrido longe de Santiago, ela diminuiu proporcionalmente. O que fazemos aqui não está encontrando eco lá "para cima".
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Se a Copa Santiago fosse mesmo o maior torneio da América Latina, não seria de esperar que grandes equipes fizessem questão de participar da competição? Que equipes que já participaram, fizessem questão de voltar? (Não vale citar a dupla Grenal).
Mas o que acaba acontecendo é que todo ano quando se divulgam as equipes participantes, sempre há aquelas que saltam fora de última hora. E muitas que já vieram, não voltaram mais. E delegações de alguns países já não participam. Por que isso acontece?
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Tenho uma teoria: por mais esforçada e bem intencionada que seja a organização de nossa Copa (e é preciso ressaltar o esforço de todos os dirigentes do Cruzeiro), a estrutura oferecida em Santiago não atende aos níveis de exigência das equipes. Que equipe abriria mão de participar da Taça São Paulo de Juniores, com toda a mídia em cima e alojamentos de primeiríssima, para participar da Copa Santiago, que não consegue nem oferecer ajuda de custo para o transporte das equipes? Já ouvi dirigentes de equipes do exterior reclamando de ficar alojados em quartéis ou escolas. Certa vez, registrou-se até um arrombamento num desses alojamentos, de onde foram levados vários materiais.
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Acontece que o máximo que temos a oferecer, acaba sendo o mínimo que as equipes participantes esperam. E por mais esforços sejam empreendidos pela comissão organizadora (e que sempre deve ser reconhecido), tais equipes precisam contar com uma estrutura melhor para o conforto de seus atletas. Afinal, eles precisam estar bem preparados para o embate no campo. Portanto, é de hotéis que eles precisam e não de alojamentos. Foi isso o que me disse um dirigente. Claro, há outros que acham tudo muito lindo e muito bom. Mas o nível de exigência de cada equipe varia. Tanto é que equipes juvenis do São Paulo, Corinthians, Palmeiras ou da Argentina não vem para Santiago.
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É esse o problema da Copa Santiago e não a idade dos atletas. Reduzir a idade, creio, seria um erro que deve ser evitado. Ouço pessoas dizerem que se reduzirem a idade dos participantes, não vão ver um bando de moleques jogarem. Afinal, quanto mais próximo do futebol profissional, mais se atrai o interesse do torcedor.
Muito melhor trocar a data do evento para não conflitar com a Taça de São Paulo e buscar oferecer melhores condições para as equipes. Sei lá de que maneira. Mas se me perguntassem, não diria o "não sei", mas sim o "vamos descobrir". O fato é que essa estrutura da Copa Santiago já vem de muito tempo e pouco evoluiu.
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Devo ressaltar: minhas sugestões são apenas para colocar um ponto de vista totalmente de fora. Simplesmente pensando no benefício deste importante torneio para a nossa cidade. O futuro da Copa Santiago, creio, depende de sua evolução em todos os aspectos. Não basta sermos o melhor torneio da América Latina no Vale do Jaguari. Temos aí um torneio profissional que ainda está sendo estruturado de forma amadora. Deixemos o bairrismo de lado para fazermos a autocrítica (BEEEP. Parem tudo. Admirem: esta palavra é da nova regra do Português. Ohhh) e percebermos o quanto a Copa Santiago já conquistou e o quanto mais pode vir a conquistar. Para o bem do Cruzeiro, da cidade e dos desportistas.
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Enfim, essa é uma opinião de quem não entende muito de futebol. Não levem a mal.

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