segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Juremir Machado vs Mônica Leal


Não me surpreende que o Juremir Machado tenha criticado de forma tão veemente o trabalho da secretária Mônica Leal, em recente coluna publicada no jornal Correio do Povo. Afinal, o trabalho da secretaria foi de popularizar a cultura, criando eventos culturais que beneficiem um maior número de pessoas, ao invés de priorizar interesses de grandes festivais, apoio a escritores famosos ou artistas elitistas. Desta forma, é natural que grandes festivais, escritores famosos e artistas elitistas se sintam contrariados com o que está sendo feito por Mônica Leal.
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Como leitor, penso que apesar do Juremir escrever muito bem e defender suas idéias com maestria literária, ele é um xeróx do Diogo Mainardi e acaba sendo muito mais porta-voz de uma casta superior, regada a goles de uísque, tal qual o Mainardi é na Veja, representando o pensamento elitista e americanizado do homo superior, sempre contestando todo esforço de se fazer algo pela sociedade. Tais escritores se colocam sempre contra, por exemplo, a benefícios como o do Bolsa-Família, levantando o argumento de que "se dá o peixe e não se ensina a pescar" ou que "o povo deixa de trabalhar porque está ganhando tudo nas mãos". Tais argumentos são, naturalmente, acompanhados de embasamentos científicos, textos enfeitadinho e tal. Aí, o leitor menos preparado começa a reproduzir também aquele discurso.
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No entanto, o que dizer a uma família pobre, cuja maior fonte de renda acabe sendo justamente um desses benefícios eletrônicos? Que ela está equivocada em receber aquilo? Que ela precisa pescar e não ganhar o peixe? Que os políticos, festivais ou artistas privilegiados precisam mais daquele dinheiro? Tais escritores, o Juremir e o Diogo, deveriam descer de seus pedestais literários e conviver em meio às pessoas, conhecer suas aflições e anseios. E não reproduzir uma verdade absoluta escrita no conforto de suas salas refrigeradas, talvez até acompanhados de goles de uísque, de marcas que não se compram nem com o dobro do valor de um benefício oferecido pelo Bolsa-Família.
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É muito fácil falar mal e ser do contra. Confesso que muito me diverti lendo as colunas do Diogo Mainardi na Veja ou a do Juremir Machado no Correio do Povo. São intelectuais e escrevem muitíssimo bem. Porém, são mestres na arte de falar mal de seu país, de seus Estados e de sua cultura. Foi o Mainardi, por exemplo, que semeou um sentimento anti-literário às obras de Paulo Coelho, o maior fenômeno literário do Brasil em todos os tempos. Confesso que li poucos livros dele, mas querer reduzir a sua importância por ele ser popular, é algo esnobe da parte do Diogo, que deveria, sim, incentivar a leitura do povo. Se é de Paulo Coelho que as pessoas gostam, deixe que leiam. Mas, pelo menos, estão lendo e isso é que é importante. Mas não, o Mainardi arrasa com tudo. Afinal, ele escreve melhor que o Paulo Coelho. (Não estou defendendo nem um ou o outro, apenas colocando meu ponto de vista)
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Nada presta, nenhum esforço é digno e tudo é inútil, na ótica do Juremir ou do Mainardi cujas críticas devem ser comparada às irreverências do Casseta & Planeta, em muitos casos. Já em outros, merecem aplausos ao combater o idiotismo nacional.
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Há que se respeitar, sim, a opinião do Juremir Machado (assim como ele respeitará a minha). Mas também é preciso filtrar a sua opinião e não tomar como base para julgar todo o trabalho da secretaria de Cultura do Estado. Ela, pelo menos, sei que percorre o Estado e convive em meio ao povo e a eventos populares de todos os tipos. Ao contrário de muitos escritores, como os citados, que sentados em suas salas refrigeradas sentenciam verdades absolutas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Márcio,
É de pessoas como vc que o Brasil precisa,que olha para as pessoas sem desdém,sem superioridade,usando as palavras para um bem maior.Você com certeza fará a diferença nesse mundo cheio de escritores que usam as palavras para os sábios e filósofos,deixando de lado o povo,como se ele nada valesse,ou talvez não fosse merecedor .
Precisamos de muitos MÁRCIOS,JÚLIOS...
Artemísia