sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cenas de pais e filhos


Jocelaine e o Hélio sentados na beira da piscina e a Elionora, aos 4 anos, fazendo gracejos dentro d'água. "Olha, pai", ela dizia jogando água para cima e observando as gotícolas tornando-se coloridas devido a reflexão solar e a dispersão. "Tô fazendo um arco-íris". A pequena sorria com a descoberta. O Hélio ainda mais. "Para ti pode não parecer, mas para um pai, o mínimo que um filho faz é o máximo". Gostei da observação do Hélio. Mas era mesmo o máximo ver aquela baixinha fazendo um arco-íris na piscina do Pesqueiro Chapadão...
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O Cristiano fazendo caras e bocas para o Pablo, de 1 ano (acima). Sentado no carrinho, o guri gargalhava toda vez que meu amigo escondia o rosto atrás de uma fralda e, depois, se revelava. "Cadê? Cadê? Cadêêêê?? Achouuu!!!". O Pablo achava o máximo. E adorava mais ainda quando o Cris mordia de leve os pequenos dedinhos do Pablo que, também adorava puxar o rosto do pai. E o Cristiano ali, indefeso e derretido diante daquele ser humano de menos de meio metro de altura que, sequer conseguia parar em pé sem estar agarrado à barra de sua calça...
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O João jogando bola com o João Henrique, de 6 anos, no pátio da casa. Ele era o goleiro. O filho cobrava pênalti. Conversávamos sobre assuntos diversos, enquanto ele brincava de pai e observava, orgulhoso, que o filho chutava forte. "Vai ser um grande jogador de futebol"...
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Éverton pegando o filme "Shrek 2" pela quarta vez na locadora. O Arthur, 05 e o Victor, 03, gostavam do Gato-de-Botas e do Burro...
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O Chico, orgulhoso. Seu filho de quatro meses tinha esboçado a primeira palavra sua vida. "Ele disse pá", revelou o pai gabola.
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Os bolsos do avô cheios de bala banzé. E, mais uma vez, ele trazendo mandolate ao invés de chocolate. Ele nunca acertava...
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O seu Sílvio junto ao leito do Hospital Universitário para cuidar do filho, de 37 anos. "Pai, eu já sei o que eu tenho...". Ele, preocupado, chegou mais perto para ouvir melhor, já que a voz do rapaz estava fraca. "Fala, meu filho...". Com os olhos em lágrimas, um tanto envergonhado, outro pouco cheio de coragem para enfrentar a verdade, pois sabia que a morte era uma possibilidade, o rapaz falou. "Eu tô com aids, pai". Eu estava ali, testemunhando aquela cena histórica, aquela revelação, com um nó na garganta. Seu Luiz beija a testa do filho. "Paizinho vai cuidar de ti, meu filho. Tu vai ficar bem"...
E ele cumpriu a promessa. O filho ficou bem. Tempos depois, era o filho quem beijava a testa do pai, que partia deste mundo numa manhã ensolarada...
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O gigante tinha comprado um ovo de Páscoa, antes de viajar para a cidade onde trabalhava. "Deixe do lado da cama dele no Dia da Páscoa", ele falou para os avós do guri. Antes da Páscoa, o gigante morreu. O ovo de chocolate derreteu no roupeiro...

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