terça-feira, 30 de setembro de 2008

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Eu gosto de ipês amarelos. Não que, ao afirmar isso, eu esteja discriminando os ipês roxos que são igualmente bonitos. Mas tenho uma afinidade maior pelas flores do ipê amarelo. É o colorido bonito, que dá o tom da chegada da Primavera. Acho que Santiago é uma das cidades que mais tem ipês. É possível percebê-los em toda a zona urbana, ainda mais nessa época em que eles se tornam especialmente chamativos. Gosto de caminhar sobre as flores caídas de ipês pelas calçadas, que se tornam ornamentadas com o colorido delas. As flores de ipê me fazem lembrar de algum coisa que eu não lembro o que é. Mas prometo contar quando eu lembrar...
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Estava pensando agora: acabo de eleger a Primavera como a minha estação preferida. Ela não é nem tão quente e nem tão fria. É amena, é ideal. Claro, espere só mais algumas semanas que o calor começará a dar as caras. Mas, por enquanto, vou curtindo o melhor da Primavera, que é justamente ver tantas flores desabrochando por aí. E os beija-flores e borboletas em festa com tanto colorido. Quer coisa mais importante do que isso?

sábado, 27 de setembro de 2008

Acho que estou gostando de alguém...e é de ti

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E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem, tudo bem...
Tudo bem, tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo:
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei

Quando quero....
Quando quero...
Quando quero...
Eu rabisco o sol que a chuva apagou...
Acho que estou gostando de alguém..

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ainda somos bárbaros

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O dinheiro é o culpado de todo o resto. O dinheiro ou qualquer outra forma de acumular riquezas ou desfrutar de uma condição acima da maioria. Apesar dos seres humanos serem iguais em sua composição física, diferem psiquicamente. Assim, somos universos opostos. Tempo estranho esse que vivemos. Paradoxalmente, somos uma sociedade mais avançada: temos a internet, lançamos moderníssimas sondas e foguetes para o espaço, criamos softwares, desenvolvemos a nanotecnologia e esperimentamos avanços científicos de toda ordem, que permitem a cura de muitas doenças. No entanto, o nível de amor da sociedade cai numa velocidade ainda maior. Quem sabe num futuro distante, digamos, uns 700 anos, os homens do amanhã voltem seus olhos para os livros de história (ou, claro, registros holográficos) e observem que o que difere a sociedade atual dos homens das cavernas é que não mais usamos clavas para caçar antílopes.
No entanto, ainda somos incivilizados Há elementos em nosso meio que matam por dinheiro, por um punhado de papel sujo ou por qualquer outro motivo fútil, destruindo vidas. Há médicos que deixam pacientes morrer porque não têm pagar por seu conhecimento. Ainda temos a bebida, ainda temos a droga, ainda temos traficantes, exploradores, ainda temos armas, ainda temos guerra, ainda temos disputas de territórios, ainda temos conflitos de ideologias e preconceitos de cor de pele ou sexulidade e, pior, destruímos o organismo planetário. A humanidade não evolui de forma coletiva. Há muitos que rogam pela paz e fazem algo pelo planeta. Mas há tantos outros que semeiam a discórdia e a indiferença. Ainda somos bárbaros, apesar de nossas televisões de plasma, celulares com MP3 e home theaters.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Caio Fernando Abreu: 60 anos

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Assista a uma reportagem que foi ao ar há um ano na RBS TV sobre a vida e a obra do escritor santiaguense Caio Fernando Abreu. Em Santiago, prossegue a exposição em homenagem ao escritor, que está sendo promovida pelo curso de Letras da URI. Nesta quarta-feira, 24, está previsto um painel sobre multiculturas, com destaque para a participação de Graciela Ferraris, mestre em Letras e responsável pelas traduções da obra de Caio Abreu na Argentina.

Moscas en la casa

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Mis días sin ti son tan oscuros
tan largos tan grises
Mis días sin ti
Mis días sin ti son tan absurdos
Tan agrios tan duros
Mis días sin ti
Mis días sin ti no tienen noches
Si alguna aparece
Es inútil dormir
Mis días sin ti son un derroche
Las horas no tienen principio, ni fin

Tan faltos de aire
Tan llenos de nada
Chatarra inservible
Basura en el suelo
Moscas en la casa

Mis días sin ti son cómo un cielo
Sin lunas plateadas
Ni rastros de sol
Mis días sin ti son sólo un eco
Que siempre repite
La misma canción

Tan faltos de aire
Tan llenos de nada
Chatarra inservible
Basura en el suelo
Moscas en la casa

Pateando las piedras
Aún sigo esperando que vuelvas conmigo
Aún sigo buscando en las caras de ancianos
Pedazos de niño
Cazando motivos que me hagan creer
Que aún me encuentro con vida
Mordiendo mis uñas
Ahogándome en llanto
Extrañándote tanto
Mis días sin ti
Cómo duelen los días sin ti.

sábado, 20 de setembro de 2008

DE MODELO A TODA A TERRA...

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O que é ser gaúcho? Para nós, que nascemos neste Rio Grande tão grande do Sul, ser gaúcho significa sermos um povo guerreiro, orgulhoso de seu passado, de sua fibra, de sua coragem. E viva os farroupilhas e suas lanças. E viva o sangue dos antepassados que lutaram pela paz (como disse Humberto Gessinger, se queres paz, te prepare para a guerra...). A história da humanidade, em qualquer parte do planeta, é recheada de conflitos de todos os gêneros. Toda vez que surgiu algum impasse entre governos, tribos ou grupos, a solução foi a destruição para depois, a reconstrução. Foi assim com o Japão, com a Alemanhã, com os EUA. E é assim nos conflitos atuais, militares ou civis, no Oriente Médio, na África, na Colômbia, no Rio de Janeiro etc. A paz é uma utopia para a humanidade, sempre em conflito. Que lição a história nos ensina para a construção do futuro? Neste pago, as lutas prosseguem, não mais com pontas de lança ou espingardas, mas através do suor de cada dia. Hoje, a luta deve ser contra as mazelas que a sociedade consumista impõe, gerando o desequilíbrio econômico e a miserabilidade. Se antes os nossos antepassados lutaram reclamando maiores lucros sobre o charque, hoje temos uma luta muito mais digna a ser empreendida: a de acabar com as mazelas de quem está à margem da sociedade, maltrapilho, farrapo humano. E aí estão, tantos semelhantes doentes, miseráveis, esquecidos e o próprio ambiente em que vivemos sendo degradado, o planeta destruído. Marcamos a nossa história como um povo guerreiro, mas é chegada a hora de mudarmos o rumo da história e nos tornarmos um povo pacificador. Que levemos a paz que reina em nossos plagas a muitos outros rincões mundo afora. Eis uma luta digna de ser empreendida contra essas forças. Para que, no futuro, as nossas façanhas sirvam de modelo a toda a terra.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O carnaval dos gaúchos

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E iniciou a Semana Farroupilha. Os gaúchos de ocasião já tiraram o bolor de suas pilchas e andam exibindo-as nos bailes e carrreteiros que acontecem nos clubes e CTGs da cidade. Costumo dizer que a Semana Farroupilha é o Carnaval dos Gaúchos. É a época em que muitos gaúchos da moda aproveitam para mostrar o seu "amor pelo Rio Grande" e, de preferência, encher a cara de bebida. Um amigo me disse que ia aproveitar a Semana Farroupilha para "beber todas até miar" e que já estava com as botas lustradas. Ainda me convidou para ir junto nos bailes. "Não tem. Esses bailes para pegar as louquinhas são melhor que o Carnaval". Agradeci. Disse que não tinha pilchas. "Mas eu te empresto", ele ofereceu. Aí, tive que dizer que realmente não gostava de Semana Farroupilha e que antes de botar uma pilcha de gaúcho, iria usar antes uma roupa de palhaço. Não sou de ouvir música gaúcha, não sou muito fã de churrasco, não sou de tomar chimarrão, não ando a cavalo, acho que a revolução farroupilha foi uma imbecilidade (como é qualquer guerra em que se mate ou se morra) e sei pouquíssima coisa da cultura gaúcha e vou lá me apresentar fantasiado de algo que nada significa para mim? "Credo, nem parece que tu é gaúcho, tchê", me retrucou o amigo. Não dei a resposta, mas penso agora: sou gaúcho, sim. Assim como sou santiaguense, sou brasileiro, sou terrestre, habito esse sistema planetário. O que é ser gaúcho, gremista, sagitariano, bairrista? É apenas mais um rótulo. A nossa sociedade cria inúmeros rótulos, adjetivos, especificações.
É muita coisa para a gente "ser". Não consigo ser gremista ao mesmo tempo em que sou "santiaguense", ou ao mesmo tempo em que sou "brasileiro". Ser alguma coisa resulta em seguir um modelo determinado. Já acho complicado de ser simplesmente humano (o que é muito mais urgente do que ser gaúcho)...

O meu amor por ti...

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... O meu amor por ti é mudo. Fica em silêncio, nada diz. É um grito sufocado, que incendeia minhas cordas vocais e faz crescer um câncer em minha garganta. São milhões de palavras que poderiam ser ditas, mas extraviam-se, desviam-se, transmutam-se, convertem-se. É uma implosão de sons e sensações, um big ben ao contrário. Uma anulação total. São milhões de palavras que calam e nada falam.
O meu amor por ti é cego. Não percebe defeitos, não inventa conceitos, não teoriza, não fantasia. Meu amor por ti enxerga além da visão, com os olhos do coração. Meu amor por ti só enxerga a ti. Ele tateia na escuridão, lê em braile, se orienta pelo deslocamento do ar por onde caminha, se guia por tua voz, por teu cheiro, pelo ritmo de teus passos rápidos, segue-te por instinto. Te vê ao longe. Morde os lábios.
Meu amor por ti surgiu junto com aquele friozinho na barriga quando te viu pela primeira vez. E esse friozinho sempre volta cada vez que te vê. Sempre e sempre e sempre.
Meu amor por ti é estúpido e inconseqüente. Meu amor por ti te vê invadir meus sonhos. Vem e vai. Sai e chega. Teu abraço não é de verdade, devaneio, ectoplasma, minha mente me sacaneando. Meu amor por ti são meus pulsos sangrando, gilete na veia, visão turva. Sacrifício fatal.
Meu amor por ti é saudade, sonho, desejo, beijo na boca. Meu amor por ti é contar as estrelas do céu mais estrelado. É piquenique à beira de uma cachoeira. Olha o arco-íris (e seu sorriso no final dele, as sete cores da tua íris). Meu amor por ti é um abraço apertado, não querer dizer adeus. É estar só no meio de tantos e ser tão só. É uma casa vazia, sons no chão. Noite fria. Noite quente. Meu amor por ti é o medo de te querer e de te perder (ninguém perde ninguém, seu tolo. Ninguém pertence a ninguém). Meu amor por ti é um prisioneiro, acorrentado nos porões dos medos mais imbecis que cristalizei. E é também livre como um cavalo selvagem. Sagitariano.
Meu amor por ti é aceitação e negação, total piração. Ele também é infantil, maçã do amor, mãozinhas dadas, bilhetinhos e tolices românticas. Meu amor por ti me faz forte e é a minha maior fraqueza. Meu amor por ti é bobo e me faz rir à toa e assoviar "eu sei que vou te amar". Ah, que raiva de confessar.
Meu amor por ti é infinito, vai além da carne e dos ossos, muito além dos suspiros, dos abraços, de um beijo roubado. Meu amor por ti supera a superfície, foge de mim, não cabe em si, alcança os céus, viaja pelas estrelas, toma carona pela via-láctea, explode com uma supernova, descobre outros mundos, ganha a imensidão. Meu amor por ti é insuportável, é dolorido. Meu amor por ti é fome e sede de ti. Meu amor é uma fênix, morre e ressurge mil vezes a cada vida. Meu amor por ti é assim, é tudo o que falo, vejo, penso, sinto, ouço, beijo, abraço. Meu amor por ti é um texto sem começo, devaneio, é sem fim...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Feliz aniversário, Paola!

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O Wendel quase estragou com tudo. Fazia uma semana que havíamos combinado de fazer uma festa-surpresa para a Paola. A idéia tinha sido da Tainã e na festa do Chico resolvemos planejar o que fazer e distribuir as tarefas. Tudo para que, quinta-feira, 11 de setembro, a Paola fosse surpreendida e tivesse realizado esse sonho. Os amigos organizariam tudo e ao Wendel sobraria, simplesmente, a tarefa de chegar em casa mais cedo, enquanto a Paola estaria fora (cortesia da Rita, que iria levar a filha para passear, enquanto enchiamos os balões e levámos a comida para o apartamento dela). Pois bem, os frios estavam encomendados, a torta estava comprada e os convidados estavam avisados. Estava tudo certo. O que poderia dar errado? O Wendel poderia estar com uma infecção intestinal e deixar a chave com a Paola. Ahhh, que droga!!! A Tainã queria matar o Wendel. Eu, mais delicado, só queria pisar no pescoço dele. Já o Chico queria puxar os cabelos dele. Mas, tudo bem. Cabeça foi feita para pensar. Apesar da Rita ter tirado a Paola de casa, ela queria voltar a todo custo, sabendo que o Wendel estava sem a chave, quase estragando tudo. Aí, restou ao Chico inventar uma história. Foi até a Paola e insistiu para que fossem até a casa dele para pegar as cadeiras da avó da Paola que estavam lá. O Chico inventou que o pai dele estava de cara e não queria saber mais daquelas cadeiras por lá. A Paola ainda tentou convencer o Chico de deixar as cadeiras para outro dia porque, poxa, era o aniversário dela. Ele não deu bola. “Ah, é teu aniversário. Legal. Parabéns. Mas eu não estaria insistindo se a coisa não fosse séria. O pai não quer aquelas cadeiras por lá. Diz que estão estorvando”. E assim, a Paola que tem um enorme coração e não sabe dizer não, aceitou carregar cadeiras às 9h da noite no dia do seu aniversário. Pobrezinha. Mas enquanto isso, eu a Tainã, o Gledson, Raysson, Maurício e Felipe corríamos para o AP da Paola.
A Rita estava lá embaixo nos esperando com a chave, já que a Paola tinha deixado ela de guardiã, caso o Wendel chegasse. Subimos e organizamos as coisas, enchemos balões, estouramos balões, comemos um pouco, rimos. Até que o Chico trouxe a Paola de volta. Pobrezinha, naquele dia ninguém dos amigos tinha lhe parabenizado ou lembrado de seu aniversário. Até que ela chegou até a porta e nós a surpreendemos com o parabéns a você, línguas de sogra, balões de coração e vela para soprar. A Paola ficou com o sorriso mais sincero que eu vi nos últimos tempos. Nossa correria durou uma semana. Nossa aflição durou uma hora. Mas a emoção da Paola vai durar a vida inteira. Não é preciso muita coisa para fazer uma pessoa feliz.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Política: O que se ouve por aí...

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Falta menos de um mês para as eleições municipais e alguns ânimos estão cada vez mais acirrados. Não fosse a nova determinação do juiz Rafael Peixoto de proibir a passagem de carros-de-som pelo calçadão, é certo que a guerra iria se acirrar e muito. Os candidatos agora estão bastante enfocados nos programas de rádio. Dia desses até o Alceu Moreira (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa, esteve participando. Ele disse que era preciso votar em pessoas que não faziam política só nessa época, mas que estavam sempre em contato com o povo (de quem estava falando?). Em seguida, falou que era preciso votar em pesssoas honestas. O engraçado é que o mesmo Alceu Moreira está sendo investigado sob a suspeita de superfaturamento em licitação para compra de merenda escolar. Não sei se ele tem culpa no cartório, - e espero que não porque seria mais um atentado contra a honra dos políticos gaúchos- mas só por ser alvo de investigação é porque não é um político acima de qualquer suspeita. Vamos ver no que vai dar, afinal, ninguém é culpado até que se prove o contrário.

Agora, vai te esconder, né? Suspeita de superfaturamento em compra de merenda escolar é dose. Os politiqueiros deveriam seguir o seguinte mandamento:

Artigo 1- Não desviar dinheiro público. Nunca jamais. Sob hipótese alguma.

Parágrafo primeiro- Em caso desse artigo não poder ser cumprido à risca, pelo menos tentar não desviar dinheiro das crianças. Pega mal.

Parágrafo segundo- Nem dos idosos. É pior ainda.

Parágrafo terceiro- É permitido o desvio, desde que ninguém, mas ninguém mesmo a não ser os interessados, fiquem sabendo. Mas não conte nem para a sua amante ou cartomante, caso tenha uma.

Parágrafo quarto- Se você costuma frequentar rodadas de carteado, tome cuidado para não começar a frequentar cassinos do dia para a noite. Pode levantar suspeitas.

Parágrafo quinto- Sempre pregue e incentive a honestidade e os bons costumes Vai que os eleitores acabem virando o jogo.
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Um senhor me perguntou com toda a naturalidade esses dias quem eu achava que ganhava a eleição: O Vulmar, o Sandro ou o Chicão. Antes de responder, eu devolvi a pergunta.

- E quem o senhor acha que ganha?
- Ah, eu acho que vai ganhar o Chicão. Eu voto nele de novo.
- O senhor tá certo. O Chicão ganha.

Outro dia, estava comprando um xis ali no Chico Lanches. Ainda o intiquei. "E aí, Chico. Não vai concorrer a vereador também?". Ele deu risada. Em seguida, uma moça de uns vinte e poucos anos, estudante de enfermagem disse que já não aguentava mais tanto barulho com a política. "Esse pessoal tá bem louco. Mas não tem para ninguém. O Chicão ganha de novo".

Foram dois casos. Um senhor e uma moça. Ambos achavam que o candidato a prefeito era o Chicão. Para ver a força política do atual prefeito que conseguiu eclipsar até mesmo o nome de Júlio Ruivo, o candidato a sucessão do PP. Chicão não é um cabo eleitoral de Ruivo. Ele é um general eleitoral.
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Semana passada fui ao estúdio de fotografias de um amigo para revelar umas fotos. Vai e vem e surge o assunto da política. Ele fez os seus palpites e se revelou anojado de quem achava que iria ser o vereador mais votado. "É um playzinho, filho de papai que sequer se formou ou tem uma profissão. E vai ser vereador. Vê se pode um negócio desses. Olha o naipe", ele me disse.
Em seguida, comentou a respeito de um candidato a prefeito. "Periga, ele faz menos votos do que o vereador mais votado", disse o meu amigo que justificou o porquê. "Dia desses eu o vi lá na Ponto Cópias botando a boca num amigo meu que trabalha lá. Tava subindo por cima da cabeça dele, só porque é funcionário. Falta de respeito com as pessoas e ainda quer ser prefeito. Eu fora", disse. Eu, só balancei a cabeça. "Também tô fora. Tem gente que não sabe ter amigos, né?"
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Um jornal que circula lá pelos lados de São Borja produziu uma enquete, cujos dados vazaram às vésperas de ser publicada e confirmaram que o candidato que estava em segundo lugar crescia e se aproximava do atual prefeito, que concorre a reeleição. No entanto, ao ser publicada, a pesquisa mostrou que o candidato que estava em primeiro tinha quase o dobro do percentual do que estava em segundo lugar. Uma funcionária do próprio jornal denunciou a farsa.
A fraude ficou comprovada e a Polícia Federal foi acionada. Os computadores foram apreendidos e os responsáveis estão tendo que explicar a sua metodologia que, casualmente, bate com os índices apurados em uma pesquisa encomendada pelo candidato beneficiado. Minha teoria: os índices originais foram alterados para não conflitar com a pesquisa que já estava sendo divulgada pelo atual prefeito, ficando dentro da margem de erro. Caso tivesse sido publicada como estava, teria dado margem à desconfianças de que uma ou outra estaria equivocada. Como a coisa toda vazou, agora as duas estão sob suspeita. Na que os dados não haviam sido manipulados, o percentual somava 100% (com 300 pessoas entrevistadas). A segunda, em que os dados foram manipulados, o percentual somava 99% (com as mesmas 300 pessoas entrevistadas). Que matemática foi essa?
Também, analise as coincidências: o candidato da situação é PDT. O dono do jornal é PDT. O representante do jornal é PDT.É aquela velha história de que a mentira dos fatos tem pernas bem curtinhas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

'Máquina do Fim do Mundo' entra em funcionamento

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Depois de 14 anos de muito trabalho e custando quase US$ 10 bilhões, o maior acelerador de partículas entrou em funcionamento. E o primeiro experimento já está sendo realizado. O Large Hadron Collider (LHC), localizado em Genebra, na Suíça, teve a participação de mais de 10 mil colaboradores de 111 países, incluindo mais de mil cientistas americanos.


LHC em Genebra
O principal experimento do LHC é bastante simples: através do seu túnel de 27 km localizado a 90 metros abaixo da superfície, serão enviados prótons à velocidade da luz, que colidirão em uma explosão espetacular, criando uma situação muito semelhante à existente após o Big Bang (considerado o "nascimento" do Universo).


Parte do túnel de 27km
Obviamente tudo isso é microscópico - exceto a energia envolvida nessa experiência: a explosão gerará 14 trilhões de volts, e o experimento consumirá 120 megawatts, suficiente para iluminar 40 mil casas.


Essa micro-explosão cinematográfica criará um buraco negro microscópico e instável, que desaparecerá alguns segundos depois. Entre as novidades que podem ser descobertas com esse experimento, estão a matéria negra, outras dimensões, a "partícula de Deus", entre outras.


A explosão será monitorada por diversos equipamentos e o resultado será analisado cuidadosamente pela comunidade científica. Além disso ser algo "maravilhoso" para os cientistas, esse experimento também poderá trazer benefícios reais: nas telecomunicações e informática, poderá haver uma revolução na maneira de se transmitir e armazenar dados, pois haverá uma melhor compreensão do mundo sub-atômico.

Na medicina, novas tecnologias poderão ser criadas, ajudando no tratamento do câncer e melhor entendimento do corpo humano, e a humanidade também poderá se beneficiar com a criação de novas fontes de energia, como a fusão atômica controlada.


Mas o LHC também tem seus críticos: muitos acham que o experimento criará um buraco negro que engolirá o nosso planeta, matando a todos, e por causa disso, alguns cientistas receberam ameaças de morte.

Além dos cientistas envolvidos no desenvolvimento e construção do LHC afirmarem que isso não é possível, o diretor responsável pelo projeto informou que, se algo sair errado, é possível desligar todo o acelerador de partículas em menos de um segundo.


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Considero a Ciência fascinante. Mas lendo isso tudo lembrei de um trecho do livro "Ami, o Amigo das Estrelas", que diz que toda civilização que evolui tecnológicamente apenas, superando o nível de amor do planeta, acaba por se auto-destruir...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Don't Cry

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"Não chore", ela pedia enternecidamente, enquanto remexia o cabo da lâmina fincada no meu peito, dilacerando o meu coração. Suas mãos estava sujas com o meu sangue, que fugia de minhas veias como água corrente. Aos meus pés, uma poça vermelha que brilhava no chão, refletindo o meu desespero e também o seu belo corpo. Meu sangue se transformou num espelho aos nossos pés. De mãos amarradas, não podia fazer nada a não ser chorar "Não chore", ela pedia enternecidamente. "Fiz isso por amor", ela completou.

Se não estivesse quase morto, eu teria gargalhado, mas doía rir. Ela não queria que eu chorasse. Não queria que doesse. Ela era boa para mim. Queria que terminasse logo com isso. O que faltava para que eu morresse? Não sei precisar quando tempo fui torturado, mas julgo ter perdido uma boa parte de meu sangue.

Não era nem para eu estar acordado. Estava zonzo apenas, mas eu a via deliciando-se com o sangue que escorria feito água corrente de minhas veias rompidas e de meu peito escancarado. Ela tocou meu coração com a ponta dos dedos. "Está quente", ela me informou. Uma informação útil, afinal, eu acreditava que tinha sangue frio. Não tinha. Aquilo doía. "Não chore", ela me pedia enternecidamente, tingindo os seus lábios com o vermelho-vivo do meu sangue. Os lábios mais desejosos que batom algum seria capaz de tingir. Eu chorava enquanto sentia que perdia a força de meus dedos e a vida escorria na poça sob meus pés. Ela agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, antes de me dar um beijo. O último beijo.


"Não chore"...(ainda ouvi ela dizer antes de.....

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Filme do Cazuza não chega aos pés do livro

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No final de semana eu assisti a vários filmes. Entre eles, o nacional Cazuza- O tempo não pára. Há anos eu pensava em ver essa produção. Chegava a segurar a capa do filme dentro de alguma locadora e acabava colocando de volta na prateleira. Se valeu à pena? Como diria o poeta, tudo vale a pena quando blá, blá, blá, blá. Diria que não me arrependo em ter deixado esse filme em banho-Maria para assistir. (Afinal, foi lançado lá em idos de 2004 e eu só assisti agora, quatro anos depois). Sei que o filme é baseado no livro Cazuza- Só as Mães São Felizes, que foi escrito pela jornalista Regina Echeverria, com base nos depoimentos de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza. Eu li o livro há anos e lembro de ter me apaixonado pela história, especialmente pela força e pela dedicação de Lucinha. Infelizmente, como dizem, filme é filme, livro é livro. E entre um e outro, fico com o livro. Este "Cazuza- O tempo não pára" é piegas.
E se eu ainda não gostasse do Cazuza, dificilmente iria passar a gostar depois de assistir ao filme. (O contrário aconteceu quando assisti 2 Filhos de Francisco. Não gosto das músicas de Zezé di Camargo e Luciano, mas o filme é ótimo)
Daniel de Oliveira, que interpreta o personagem principal, não interpreta. Ele recita as frases, num tom meio teatral, meio profético, soando superficial em quase todas as cenas. Em nenhum momento senti que ele tenha convencido no papel, a não ser fisicamente. Reginaldo Farias e Marieta Severo, excelentes atores, até tentam dar uma profundidade aos seus personagens. Mas o roteiro é raso feito um pires (crítica clichê, né?) e os personagens que são tão fortes no livro, não tem o merecido destaque no filme.
Eu escrevi personagens, mas é preciso lembrar que trata-se de João e Lucinha Araújo, pais de Cazuza. As únicas ousadias da produção ficam por conta das cenas de beijo que, em certos momentos, soam exageradas. Como se os diretores estivessem mostrando algo muito revolucionário simplesmente colocando dois homens se beijando em cena. Na disputa livro versus filme, esse é mais um exemplo em que o livro dá de chinelo. O Cazuza merecia uma coisa melhor. E, para quem não leu e tem curiosidade de ler, rola aí a pirataria. É só clicar na foto acima ou no link abaixo para baixar o livro e se emocionar com a obra Cazuza- Só as Mães são Felizes, que leva o nome de uma música de autoria de Cazuza.


Relembrando Caio Fernando Abreu

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Na próxima sexta-feira, 12, inicia a exposição Caio Fernando Abreu 60 anos, que está sendo promovida pelo Curso de Letras, Museu de Comunicações e Curso de Psicologia da URI. A abertura estará a cargo do professor Clóvis Fernando Ben Brum. Em seguida, o Marcus Vinícius fará uma performance com violão e voz e eu terei a oportunidade de fazer uma interpretação da crônica "A Raiz no Pampa", a última a ser publicada pelo Caio no jornal Zero Hora, poucas semanas antes de sua morte. A exposição prossegue em Santiago até o dia 7 de novembro, quando será lançado o livro em homenagem a ele dentro do projeto "Santiago do Boqueirão, seus Poetas quem são?". De 09 a 21 de novembro, o evento parte para a capital do Estado, no Mercado Público e de 21 a 1º de dezembro na Usina do Gasômetro.

Desfilando pela Pátria! Mas com muito frioooo

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Na fria manhã deste domingo, 7 de setembro, levantei cedo para participar do desfile, integrado ao projeto literário Santiago do Boqueirão seus Poetas quem São? A mim coube a honra de carregar o boneco que representava a professora e escritora Therezinha Lucas Tusi, a avó do meu amigão Alberto Ritter. Outros escritores que participaram do desfile foram a Erilaine Perez, a Lígia Rosso, o Zé Lir Madalosso, o Froilan Oliveira e o Ataliba de Lima Lopes. No entanto, vários outros foram lembrados através de seus bonecos: Nívia Andres, Oracy Dornelles, Barbela e muitos outros. Estava morrendo de frio, quando fui para o desfile, só usando uma camisa branca (a Rosane tinha me alertado para eu não ir de preto, como sempre). Lá pelas tantas, enquanto não entrávamos na avenida, corri até a minha casa para buscar um casaco. Melhorou. O lenço amarelo não faz parte de minha indumentária. Era, sim, para padronizar os participantes do desfile.
Quando cruzamos em frente a casa da Therezinha Tusi, levantei o boneco dela, para o delírio e aplausos efusivos de seus familiares. Lá estavam o Sílvio Tusi Jr, o Marcelo Tusi, a Berenice e o Zeca Tamiosso, a Laura Tusi, Márcio, Rossana e vários outros, esperando para vê-la na avenida.

Madonna dedica "Like a Virgin" ao Papa...toma papudo!!

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Acusada de ter produzir um dos shows mais "satânicos" da História, segundo os católicos fanáticos, Madonna surpreendeu ao dedicar a música "Like a Virgin" (Como uma Virgem) para o Papa Bento XI, durante um show em Roma. "Eu dedico essa música ao papa porque eu sou uma filha de Deus. Todos vocês também são filhos de Deus", disse a "rainha do pop" de 50 anos de idade aos 60 mil fãs que assistiam ao show da turnê "Sticky & Sweet" no sábado. Os jornais italianos elogiaram a performance da cantora e chamaram a dedicatória de provocação surpreendente.

É por essas e outras que a Madonna segue o seu reinado como a rainha da música Pop. Nunca houve e nem haverá alguém como ela. Ela é tudo o que Britney Spears, Avril Lavigne ou Miley Cyrius jamais serão. Madonna tem atitude!!! Tem que provocar essa sociedade hipócrita, essa burguesia farsesca. É isso aí: grande Madonna.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Gosto musical define personalidade

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Os fãs da música clássica e do jazz são criativos, os amantes do pop são pessoas que trabalham duro, e, apesar dos estereótipos, os ouvintes de heavy metal são tipos criativos gentis que sentem-se em paz consigo mesmos.
É o que afirma o professor Adrian North, da universidade escocesa Heriot-Watt, que estuda os vínculos entre as personalidades das pessoas e o tipo de música que gostam de ouvir.
"As pessoas frequentemente definem seu senso de identidade por seu gosto musical, as roupas que vestem, pelo fato de frequentar determinados pubs e usar certos tipos de gíria", disse ele.
"Assim, não surpreende que a personalidade também guarde relação com os gostos musicais."
Em um estudo que, segundo North, é o maior já realizado sobre a personalidade e as preferências musicais de indivíduos, pesquisadores pediram a 36.518 pessoas de todo o mundo que classificassem suas preferências entre 104 estilos musicais, antes de fazer um teste de personalidade.
"Pesquisadores demonstram há décadas que os fãs do rock e do rap são rebeldes e que os amantes da ópera são pessoas ricas e bem instruídas", disse North.
"Mas esta é a primeira vez que uma pesquisa comprova vínculos entre tipos de personalidade e uma gama grande de estilos musicais."
Pena que a pesquisa não foi feita no Brasil. Seria ótimo de descobrir o nível mental de quem ouve Calcinha Preta, Calipso e outras bicheiras.

Em Santiago, um golpe contra a liberdade de expressão

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O juiz Rafael Peixoto determinou que a partir de agora, os carros de som dos candidatos não podem mais cruzar pelo calçadão. Segundo revelou em reunião com os partidos e candidatos, resolveu regrar a situação que, segundo ele, estaria "demais". O magistrado também disse que fazia isso atendendo aos apelos dos empresários da região central, que estariam descontentes com o barulho proporcionado pelos jingles, que perturbavam o seu trabalho. Não bastasse isso, Peixoto também decidiu que agora cada candidato só pode ter um veículo de som apenas e que os candidatos a vereador não podem executar o jingle dos candidatos a majoritária. Quem descuprir, levará multa.


Tudo bem, é preciso aplicar o bom senso. Mas porque o juiz não fez essas determinações antes? Sei que vários candidatos foram prejudicados, uma vez que já haviam contratado as empresas de som. E outra, tais empresas se tornam prejudicadas também. Pois este é o período da "safra" para quem trabalha com esse tipo de propaganda. Penso que a decisão de não permitir que os candidatos a vereador toquem o jingle da majoritária é acertada, pois isso também não pode ocorrer no espaço de rádio. A decisão do juiz tem os seus prós e os seus contras. Mas creio que tende a beneficiar o cidadão, não há dúvida. Só penso que essa regra tinha de ter sido aplicada antes.


Agora, com relação a ele estar atendendo a uma reivindicação dos empresários, cabe aí uma crítica. Para os empresários: durante o ano inteiro, eles bombardeiam o calçadão e os bairros com suas promoções, olha o preço da carne, olha o calçado barato, olha a inauguração, olha o baile, olha isso ou aquilo. E todos são obrigados a ouvir. Agora, quando surge o período eleitoral, que é a celebração da democracia e da liberdade de expressão, eles dão contra. A verdade é essa: o ato de querer restringir os candidatos e os partidos é uma afronta à liberdade de expressão.


O juiz Rafael Peixoto está cumprindo o seu papel, não há dúvidas. Mas quem reclama, acaba prestando um desserviço, demonstrando o desdém com o processo político e democrático, da qual participam representantes de todos os setores do município e que deveriam ter o direito de propagar a sua mensagem. Que, afinal de contas, só acontece uma vez a cada quatro anos. É muito?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A fábula do sapo e do Escorpião

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Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. O escorpião vinha fazer um pedido: "Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo? "O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar." Disse o escorpião: "Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos." Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio. No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê?" E o escorpião respondeu: "Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza."

É a lei, seu Gerson

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Seu Gerson chegou bravo. Seu Silva indagou sobre o motivo do ranço. "Esses políticos sem vergonha que me dão nojo", disse o seu Gerson. Seu Silva quis saber mais a respeito da indignação. "É que tem um vizinho aí que é candidato. Ele esteve lá em casa, me pediu voto e disse que era para eu contar com o trabalho dele". Seu Silva ainda não tinha entendido o porquê da fúria do seu Gerson. "Acontece que eu procurei o sem-vergonha, porque a semana farroupilha tá chegando e eu precisava de uma pilcha nova. Só pedi para ele me pagar a água e a luz para me folgar dos pilas". Seu Silva já ficou intrigado. "Só que o ‘fiadapulícia’ não pagou coisa nenhuma, dizendo que não podia, que não sei quê, que a Lei não deixava. -É a lei seu Gerson, não posso comprar seu voto- ora, a Lei não deixar. Se eu quero vender, não tem de lei não deixar e outra que ninguém precisa saber, tchê".
Seu Silva ainda não achava motivos para chamar esse candidato de sem-vergonha. "Ah, mas tem mais", continuou o seu Silva. "Pedi que ele me desse uma mão numa Bolsa aí para minha filha e até isso ele negou. Ainda dei outra chance pro infeliz, mas já tomado de nojo, para que ele patrocinasse uma carnes e umas cervejas pro meu piquete. O infeliz só sabe falar em Lei que não permite. Baita sem-vergonha. Esses aí, se elegem com nosso voto, ficam lá, ganhando às nossas custas e não repartem com o eleitor. Falei umas verdade para ele e disse que o meu voto ele tinha perdido, esse sem-vergonha. Não quer, tem quem queira". Seu Silva esperou o a amigo tomar um ar. "Olha, seu Gerson, não vou lhe dizer o que fazer. Só lhe peço que me diga o número desse candidato aí. Porque o meu voto ele acabou de ganhar".

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A verdade da Polentina

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Acredito que a escrita, quando não está a serviço da coletividade, não vale de nada. Quando criança, tinha sede de conhecimento e lia os mais diversos livros e autores. Hoje, confesso, muito pouco tenho lido. E, sinceramente, não me tem feito falta. Penso que não adianta encher minha cabeça de intelectualidade. Não é com a minha mente que devo compreender o mundo em que vivo e, sim, com o coração. Pois todo aquele que se põe a perseguir um objetivo somente com o propósito de sobressair-se aos demais, presta um desserviço ao gênero humano, não empregando forças para auxiliar os seus irmãos. O conhecimento precisa ser compartilhado sempre.

O que é melhor: a literatura de um Stephen King ou de de um Karl Marx? Rá! Certamente, os intelectualóides dirão: Marx, assim, estabelecendo que o que é bom para eles, é bom para o resto do mundo. Será que é assim que as coisas são? Será que não é possível encontrar algum sentimento mais puro em algo mais simples, como Ami, o Amigo das Estrelas ou, até mesmo, lendo os versos de uma criança?

Antes, criança, eu lia para conhecer o mundo, para conhecer o pensamento de quem me antecedeu e deixou a sua mensagem para o mundo, compartilhando a sua visão de mundo, fosse através da literatura ou da história. Em tempos atuais, onde escritores transbordam em todos os recantos seja através do lançamento de livros ou de blogs de todos os gêneros, é cada vez menor e na mesma proporção a qualidade desses autores. Antes de prosseguir com meu raciocínio abro um parêntese: sou um escritorzinho medíocre, que tenta ter alguma habilidade escrevendo contos e crônicas. Não me prendo a técnicas e nem me valho de citar autores, filósofos, cientistas, pensadores, políticos etc. Minha literatura é passageira e, para mim, tem algum valor fugaz.

Acho que muitos escritores, jornalistas ou pensadores tem um sério defeito de se julgar sérios demais ou geniais demais. Quando digo isso não me refiro somente a Santiago, mas a tantos recantos por aí.
O Oracy Dornelles, que é considerado o maior poeta que temos aqui em Santiago, por exemplo, é um que acredita ter alcançado o pódio supremo da literariedade, reservando-se o direito de jogar raios na cabeça de quem julgue inferior: este escritor presta, aquele não vale de nada. E quando ele fala, parece ter proferido uma verdade absoluta e universal. Ledo engano. Ninguém pode exercer esse papel no lugar do leitor.

Tem ele, sim, o direito de expressar a sua opinião e essa deve ser respeitada dentro de seus limites. Mas o Oracy, na verdade, representa um segmento muito presente na literatura ou no jornalismo, de figuras que traçam um papel de julgar e condenar. De indicar ao leitor aquilo que presta ou não presta. Que isto (ou este) serve e aquele não presta.

O Diogo Mainardi, da Veja, é um exemplo de jornalista que prega um papel de falar mal do que quer seja, pregando verdades universais e quase sempre sendo contra a estrutura governamental vigente. No caso em tela, sempre perseguindo Lula e o PT. E assim, Diogo Mainardi está sempre cuspindo para cima e para os lados. Mas quando alguém aponta para ele, faz papel de vítima e de perseguido, com intuito de manipular a opinião pública para que esteja ao seu lado, para que tenha pena dele e o apóie.

É urgente e necessário que cada pessoa desperte o seu lado crítico, porém, abrindo o coração para os sentimentos humanos. As coisas não podem ser a ferro e a fogo. Nenhuma crítica pode ser tomada ao pé da linha e todo aquele que invada o plano moral, de tentar reduzir o valor dos outros, não merece ouvidos.

Neste momento, aproveito para criticar a tantos textos que eu próprio escrevi em algum momento de ânsia, de ego, de paixão ou por julgar apenas um lado da moeda, desconsiderando outros fatores da existência.

Como tenho sido (e sou) tolo em muitos momentos. Como tenho errado neste blog ou em minha coluna no jornal. Posso até refletir sobre a fala de um amigo que diz que "somos jovens e temos o direito de errar", mas não concordo 100 %. Faço parte desse plano físico neste momento, mas venho de outros tempos, minha alma já rodou algumas existências e sempre chega um momento de aprender e perceber-se equivocado.

E como tenho errado em minhas condutas pessoais em muitos momentos. Portanto, por conhecer cada falha minha é que sei que não posso me considerar esse "escritor" que alguns insistem em considerar. Por ser tão imperfeito, como posso eu receitar valores e dizer como outros devem agir ou analisar a moral e a ética de cada um?

Como posso pegar uma pessoa e reduzir sua vida a uma linha de texto e sob uma sinopse descrever quem ela é, cometendo a infantilidade de dizer ser esta pessoa "meio cheia" ou "meio chata", ou "meia isso ou aquilo"?

Como alguém pode ser meio algo? E as outras qualidades e os outros defeitos? Cabe a mim analisar e ditar uma consideração com propósito de influenciar a opinião alheia? Faço uma mea-culpa: várias vezes fiz isso e como fui imbecil em tê-lo feito. Por criancice, por birra, por estupidez ou por influência de outrem. É preciso que haja justiça para todos. Portanto, espero ser julgado com a mesma pena que, em alguns momentos, julguei a outros. Afinal, a Terra é, senão, um laboratório das emoções e como reagimos diante delas. E como elas conduzem os nossos atos.

Qualquer profissional de qualquer área está equivocado quando se julga superior a outras profissões a outros seres humanos. O que é mais importante: escrever ou plantar mandioca? Sinceramente, creio que plantar mandioca. O que é mais importante: escrever ou ser um médico e ter a possibilidade de curar? Assim, sucessivamente. Um escritor é mais importante que um gari?

Porém, acredito que por mais habilidoso tenha sido o escritor ou jornalista em desenvolver quaisquer raciocínios, terá sido fracassado em seu intento se a sua mensagem não servir para tocar o coração de alguém. Ou, no mínimo, dele próprio. Insisto em meu raciocínio: acredito que a escrita, quando não està a serviço da coletividade, não vale de nada.

Ganhar um prêmio, ter sua obra elogiada, ter fãs, vender livros? Puá! Qualquer escritor medíocre pode fazer isso. Qualquer livro, com uma boa dose de marketing é capaz de vender aos montes, por ruim que seja. Por mal escrito que seja.

Tudo bem, todos que gostam de escrever que continuem com a sua arte e ignorem as minhas críticas. As faço para mim mesmo. Mas se engana quem pensa que me considero o supra-sumo da literatura tupiniquim. Sou um nada, um vermezinho, uma coisa à toa, toda vez que deixo o meu ego escrever por mim. "Olha, vejam como sou bom, como me adoram, como eu sou genial, como minhas palavras dançam nesse texto tão inteligente, tão inteligível". Conversa fiada. Escritores não são astros.

E leitores que se gabam de terem lido 300 e tantos livros são uns ególatras. De que adianta ler tanto, se muitos são incapazes de passar esse conhecimento para a prática? Enchem a cabeça de referências, datas, personagens, poemas, mas de que vale tudo isso se tornam-se incapazes de sobrepujar as paixões humanas e colocar-se em defesa da coletividade em repassar seus ensinamentos. Não como forma repetidora, mas sim, tradutora. Acredito que qualquer mensagem deva ser codificada e transmitida da melhor forma possível.

O que tem mais valor: Guerra e Paz, de Tolstói ou o Pequeno Príncipe, do Exupery? A literatura adulta tem mais valor que a infantil? Por que? É preciso realmente ler algum livro para ser um humano melhor? É preciso ter dinheiro para ser feliz? É preciso ter um carro para ser feliz? É preciso lançar um livro, plantar um árvore e ter filhos?

Adultos são realmente capazes de compreender alguma coisa? Ou são criaturas dotadas de um ego enorme e que simplesmente adoram dizer que leram tal livro ou que escreveram tal texto e que por isso merecem aplausos por terem contribuído com o crescimento humano? Na verdade, eu tenho até vergonha de muitos textos que escrevi e penso, preocupadamente, que possa ter influenciado alguém com alguma de minhas imbecilidades.

Acredito que os melhores textos que concebi foram aqueles pueris mesmo, ingênuos, românticos e praticamente inofensivos. Gostaria de deletar todos aqueles textos em que, em algum momento, destilei algum tipo de sentimento mais agressivo. Como me arrependo de alguns textos em caráter político que escrevi. Só não os deleto para não esquecer de meus erros. Eles fazem parte da minha vida e assim continuarão.

Ser escritor é uma qualidade? Eu não me considero escritor, a não ser pelo fato que é através da escrita que exerço uma profissão, ganho minha vida. Talvez só venha a me considerar um escritor quando seja capaz de tornar-me um ser humano melhor, destilado de sentimentos raivóticos, egoístas, de ter acessos psicossomáticos, auto-piedade ou de natureza oriunda de infra-dimensões.

Até lá, sou um escriba, alguém que empilha palavras bêbadas em linhas tortas, nem um pouco digno de ser seguido ou compreendido. Fora isso, não creio que minhas palavras valem mais do que as descritas numa embalagem de Polentina que, afinal, está a serviço da coletividade. Para alguns povos, a palavra é sagrada e deve ser usada como um alimento, jamais como veneno.