segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Amores para serem guardados...


Março de 2005. O pior ano de minha vida. Até então, eu desconhecia a dor, eu desconhecia o sofrimento. Podia até falar disso, mas nunca havia experimentado. Pois bem, foi num dia 08 de março, dia internacional da mulher que minha vida mudou e eu passei a descobrir o que significa uma dor tão grande capaz de tirar o sono, capaz de tirar a vontade de comer, capaz de tornar sem sentido tudo aquilo que eu achava graça, o peito pesado e cheio de vazio. Foi nesse mês e ano que a Lidiane terminou o namoro comigo. A gente já não vinha dando mais certo há algum tempo. E muitas vezes, eu próprio quis terminar, mas ou não tinha coragem ou não tinha certeza se aquilo era o que eu queria realmente. Mas ela teve. E (que clichê, seu Márcio), foi aí que descobri o quanto ela fazia falta em minha vida. Foi com a ausência da luz dela que eu comecei a descobrir tantos recantos de sombra e escuridão em minha vida.
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A partir daquele momento e por um tempo, eu parei de assistir filmes, parei de comprar revistas, deixando para lá muita coisa que gostava. Comecei a emagrecer, a criar olheiras, a varar noites acordado. A sofrer, a chorar. A pensar nela, a lembrar dela. É interessante: toda pessoa que sofre por paixão, ela demonstra o seu egocentrismo, que faz com que os problemas do resto do mundo sejam pequenos, diante daquilo que ela sente. E eu me sentia assim. Achava que era o maior sofredor do mundo e que minha dor estava na vitrine, estampada.
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Quantas noites, eu lembro, que ficava como um imbecil choramingando enquanto rezava. E, confesso, não era de rezar. Não era de "falar com Deus", nem nada disso. Mas diante de toda a dor que sentia, rezar parecia algo tão lógico. E, assim, durante horas eu pedia que a gente voltasse, que a gente se acertasse, que as coisas voltassem a ser como eram.
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Ledo engano. Nada voltaria a ser como era. Havia se fechado um ciclo, ao mesmo tempo que uma ferida enorme se abrira em meu coração. Eu amava a Lidiane. E cada vez que eu a via ou ouvia a simples menção de seu nome, tinha vontade de chorar e de fugir, mas ao mesmo tempo era como se eu ansiasse por aquilo. Por mais que eu aparentasse ser forte, aquilo me destruia. No entanto, hoje eu sei, toda aquela dor me trouxe compreensão. Toda aquela dor me trouxe ensinamento. Nunca deixei de admirar o ser humano que a Lidi é, como nunca deixei de atender qualquer que fosse um pedido seu (raros foram), depois que nossa história chegou ao fim.
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Mas histórias chegam ao fim todo o dia. E outras se iniciam. E existem algumas que nem chegam a iniciar (o que também igualmente é triste).
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Patético. Eu, que sempre procurava analisar as coisas de um ponto de vista lógico e matemático, percebia o quão tênues eram as minhas convicções. Aliás, depois disso passei a ter a convicção de que nenhuma convicção consegue ser perene. Nem esta última. Eu era um bobo romântico, que não se reconhecia como tal. Era um idealizador, que imaginava a pessoa certa, a mulher ideal, o amor para toda a vida, a metade da laranja, a alma gêmea, o amor da minha vida...
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Tudo bem que ela tenha sido o primeiro amor, a primeira namorada, a garota que foi minha colega de aula e que me ajudava nas provas. A garota com quem voltava da aula junto imaginando um futuro a dois. Mas, como diz sabiamente a minha amiga Elisandra Minozzo: "Existem amores para serem vividos e outros para serem guardados"....
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Pois bem, a Lidiane certamente está guardada numa caixinha azul com um laço dourado. Assim como também guardarei com muito amor outras histórias que vivi e outras que não cheguei a viver. Guardo com ternura a minha paixão pela professora da segunda série (não deu certo. Eu só tinha 07 e ela era velha: tinha 20); uma paixão de 05 anos por uma colega chamada Simone (ela nunca soube, acho. Eu era tímido demais para dizer); a paixonite por uma colega chamada Aline. Assim como também guardo com carinho e respeito o namoro que tive com a Elisiandra (minha amiga querida), com a Marcela (hoje, amiga e confidente); guardo com profundo respeito e carinho os sentimentos por Melia Kindler. Mas encerramos por aqui.

Eu sou cheio de defeitos. Aliás, se um dia eu vier a casar, vou precisar contratar um caminhão para a mudança e outra para carregar os meus defeitos. Eu não sou fácil. Sei ser chato e xarope. Sei ser bobo e tapado. Tenho mil e um defeitos. E entre esses defeitos tenho um pouco de intolerância: não suporto bebida (lembranças de família), não suporto cigarro (acho um vício relaxado e nocivo), não tolero vulgaridade. E sou intolerante com várias outras situações.
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A despeito do que possa aparecer em meu orkut (com esse tal de Te Fucei, eu já nem administro mais sozinho o perfil do meu orkut), sou um sujeito solteiro. Não estou mais namorando com ninguém, nem tenho compromissos. Sempre é triste chegar ao fim de uma relação, não importa de que forma isso acontece. Acho que é difícil sair dando pulinhos e gritando "Uuuhuuu!!"
É chato de escrever sobre isso no blog. No entanto, eu já me expus sentimentalmente e socialmente das mais variadas formas. Por que, então, não o fazê-lo por aqui? É certo de que fica um vazio, pois com cada pessoa se estabelece um vínculo, uma história, uma cumplicidade.
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É certo que, no fim de cada relacionamento, a gente morre um pouquinho. Morre uma parte da gente. Morre aquilo que se sentia e também o que o outro sentia. Morre a pessoa que você era e a pessoa que o outro enxergava. Mas, vamos olhar pela ótica de Lavoisier. Se no universo nada se perde, tudo se transforma, quem sabe aí a energia desprendida com o fim de um relacionamento também não se converta?
Eu diria, então, que tal matéria poderia transformar-se em borboletas ou estrelas cadentes. Ou ainda impregnar-se nas flores ou tornar-se o néctar sorvido pelos colibris. Ou, mesmo que esses sentimentos não se transformem em algo assim, ainda eles continuam a fazer parte de nossa vida. Porque existem amores para serem vividos e outros para serem guardados...

3 comentários:

Froilam de Oliveira disse...

A Psicanálise criou o método: a fala cura. Abç

Anônimo disse...

Verbalizaste tua angústia através deste discurso,revivendo emoções perturbadoras e desejos rechaçados.O nosso mundo interno é algo encantador.

gui disse...

Acredito que externalizar os sentimentos de dor através da fala ainda é um dos mais significativos mecanismos de defesa que podemos usar para aliviar nossas tensões e com isso minimizar os conteúdos internos que nos causam adoecimento.