terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O menino que ficou sem presente de Natal


Faltava uns 20 minutos para meia-noite e Noel terminara de entregar o último presente. Naquela noite de 24 de dezembro, como em todos os anos, ele atendia pedidos de crianças de todo o mundo. Suas renas voadoras tomavam o rumo de casa. Ele estava cansado, mas feliz por ter cumprido a missão. O celular toca. Era um dos duendes.
- Uma criança ficou sem ganhar nada.
E agora? O velho não gostava de deixar ninguém sem presentes e sempre avisava isso aos duendes, que recebiam as cartas e cuidavam da fábrica. Há algum tempo, eram carrinhos, bonecas e super-heróis. Hoje, eram os Playstations e notebooks. E Noel atendia a todos os pedidos e recebia os sorrisos. Que cara ele teria de chegar até essa criança e dizer que não teria nada para lhe dar? “Algum duende deve ter errado a contagem”, zangou-se.
Na maioria dos lares, a ceia farta e os brindes de champanhe esperavam a meia-noite. Noel voou até casa do menino, que morava num fundão de vila. Encontrou-o, brincando com a tramela de madeira de sua janela. Devia estar triste, o pobrezinho, sem presentes.
-Estava lhe esperando, Papai Noel.
O velho não resistiu e chorou.
- Não tenho nada para lhe dar. Sinto muito..
Disse, mostrando as mãos vazias.
- Muitas vezes, os meus pais chegaram em casa assim- sorriu o menino- mas sabia que me amavam e isso importava. Agradeço ao senhor por ter nos presenteado com um emprego pro pai e uma cesta básica que a mãe ganhou. Foi o meu Natal mais feliz...
Disse o menino que indicou dois pratos.
- Vamos cear. O senhor deve estar com fome.
Com um nó na garganta, Noel ceou junto com o guri. Os dois ali, iluminados por uma vela. No céu, os fogos artificiais iluminavam outros Felizes Natais...

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