segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Nada a ver...

São 1h32 da madrugada. No momento em que inicio esse texto. Final de ano está sendo bastante cheio de trabalho e eu não reclamo disso. Reclamaria, sim, da falta de trabalho. O ano de 2008 está se despedindo. Falta aí umas poucas horas e bau-baus 2008. Entraremos no ano 2009. Como disse há algumas postagens atrás, gosto da expectativa com o Ano Novo e das comemorações de Ano-Novo. O que 2009 reserva? O que trará o futuro? Estou sempre com a cabeça lá na frente, adiante, pensando no amanhã. Aliás, sempre quando estou caminhando na rua, mantenho o olhar adiante e, por vezes, isso até me faz desaperceber de alguém por quem eu cruze na rua. Às vezes me distraio mesmo. Me chama a atenção de perceber que muitas pessoas caminham com a cabeça baixa, às vezes olhando para o chão. Especialmente quando vão cruzar por alguém, evitando olhar nos olhos. Onde foi que perdemos esse contato visual? De caminharmos olhando uns nos olhos dos outros? E de cabeça erguida? Sei lá, apenas questionamentos da madrugada, ao som de Don'tell me da Avril Lavigne.
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Amo Santiago. Amo mesmo. Gosto da minha cidade de todas as formas. E toda vez que se aproxima o final do ano e chega perto do aniversário da cidade, eu começo a pensar o quanto é bom morar aqui, o quanto gosto da gente daqui. Jamais iria embora de Santiago, apesar de terem me surgido uma e outra oportunidades. Acredito que eu e a santa da praça estamos disputando para ver quem fica mais tempo por aqui (é possível que ela me ganhe, talvez). Mas não abandono minha terra. Às vezes, me irrito com a condição humana e critico a falta de consciência das pessoas (e minha, é claro. Estou no pacote, não sou melhor que um porquinho da índia), mas tenho a convicção de que jamais deixaria a cidade. É como diz o Caio: minha raz está plantada fundo nas aquarelas japonesas de Érico Veríssimo, Cyro Martins e Sérgio Faraco...
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Digo isso porque realmente fico triste ao ouvir algumas pessoas que dizem que vão embora de Santiago porque não gostam da cidade e enumeram tantos motivos, muitas vezes, desmerecendo a cidade. Compreendo que as pessoas busquem oportunidades de emprego em outros lugares. Isso é natural. Tenho amigos que foram embora daqui e sinto falta deles. Mas sei que estão bem onde estão. Foi sua decisão de ir e construir suas vidas fora. A minha vida pretendo escrever por aqui mesmo e da forma que for. E se puder ajudar a cidade da forma que for, melhor.
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Antes que alguém pense ou pergunte, já não penso mais em política. Pode ser que aconteça, pode ser que não e não me importo com isso. Se pensasse, é certo que em 2008 teria tomado alguma decisão quanto a isso. Como falei para a Lígia Rosso, acho que o mundo não precisa tanto mais de políticos e, sim, de bons profissionais em tantas outras áreas. Pessoas que façam a diferença, que ajudem a mudar o mundo no aspecto que seja. E, confesso, tenho a ousadia de ajudar a construir o que seja, como aquele colibri tentando apagar o incêndio da floresta com uns pingos d'água por vez.
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É interessante perceber as mudanças no comportamento. Isso é maturidade? Não sei. Às vezes tenho umas pegadas malucas. Mas há um ano atrás, eu tinha outras convicções. Hoje, somadas aquelas, surgem outras. E assim vai indo e se constituindo a "coisa". E dizer que outro dia estava ouvindo um jovem locutor dizendo que quer entrar para a política e revolucionar a Câmara de Vereadores, colocar juventude e ousadia por lá. Parecia que eu estava me enxergando nele. Aí, disse algo que talvez outra pessoa não dissesse. Ao invés de encorajá-lo, como tantas vezes alguns amigos fizeram para mim, eu disse o contrário. Que ele era excelente no que fazia e devia continuar assim. Que deveria, sim, se firmar como profissional primeiramente. Porque o mundo precisava muito mais de um bom comunicador, sincero e dedicado, do que de mais um político achando que pode mudar vícios cristalizados ou que vai fazer a diferença. E, na verdade, a conversa de alguns partidos é justamente que você entre nessa onda, como massa de manobra.
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Lembrei de uma conversa que tive com a Rebecca uma vez. Ela comentou que todo aquele que acha que pode mudar alguma coisa é que é mudado por essa "coisa". E que na verdade, esses que acreditam piamente em suas capacidades se tornam fracos. Que heróis, na verdade, são aqueles que não estão preparados para mudar alguma coisa. Mas quando algum desafio surge à sua frente, eles tomam as atitudes certas. Aprendi isso com ela, que é bem mais nova que eu. E acho fantástico isso. Quero aprender mesmo com quem seja mais novo ou mais velho. Afinal, a vida é para isso mesmo, né? Aprender.
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Não se peca por buscar aprender e por errar. Se peca, sim, por ficar parado. Já nem sei o que estou escrevendo e é madrugada. E não costumo revisar as postagens depois que lanço na net. Ainda mais nessa hora. A não ser, claro, nos contos que largo por aí.
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A vida é linda. Definitivamente. A vida é linda e é curta. E não dá para criar inimizades. É bobagem se indispor com as pessoas. Não dá, definitivamente. Todos temos a mesma origem, a mesma concepção. Somos todos iguais, essa é a verdade universal. Tentamos ser diferentes em nossas opiniões, na escolha de times de futebol, na forma de se vestir ou de usar o cabelo, ou opção religiosa ou de qualquer outra natureza. Mas somos iguais. E estamos aqui totamente de passagem. Não ficaremos neste planeta, ao findar o nosso estágio. Talvez fiquem nossas idéias por algum tempo. Talvez, não. Mas o certo é para tudo há o princípio e o fim. E a vida é curta. É mesmo muito curta para aprender a única lei absoluta do universo e que permeia toda a criação e todas as criaturas. A energia chamada...

Um comentário:

Lígia Rosso disse...

...também amo nossa cidade! As pessoas que mais amo na vida estão aqui (verdadeiros e poucos amigos(as) que são minha irmandade espiritual;meus pais; alguns familiares). Compartilho contigo Márcio dessa vontade de fazer algo, por menor que seja, para contribuir no desenvolvimento da Terra dos Poetas. O dia de amanhã...não sei. Viagens, estradas, andanças...mas o ninho é e sempre será aqui...Santiago - linda Terra dos Poetas, baita chão! E pobre daqueles que partirem de seu ninho e ignorarem o seu passado. Nossa Terra Natal é nosso ponto de referência, nossa memória. Uma pessoa que ignora seu passado e sua história torna-se (na minha opinião), vazia e um tanto mais triste...Abraço do tamanho de nossa Santiago pra ti. Ah, essa postagem tua me fez relembrar nosso papo-cabeça com o César ontem... Bjussss