quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O amor é uma possibilidade


Sobre essa coisa de boatos, acho interessante a criatividade deles. Outro dia, soube que o meu nome também esteve envolvido em alguns boatos. Um deles, eu achei bem interessante: o de que eu andava ficando com uma garota que, supostamente, morava para os lados do colégio Monsenhor Assis. E mais, tinha dias e horários em que eu havia ido na casa dela. Fiquei pensando em vários nomes de amigas, pessoas que realmente moram para aqueles lados. Mas não dei bola. Aliás, nunca dou bola. Uns acham que sou namorador, outros que tenho uma filha com não sei quem, outros já dizem que sou homossexual. Outros já dizem não sei o quê. E eu fico ouvindo, às vezes rindo, acho graça na criatividade das histórias. De fato, eu não ligo, não dou bola, não estou nem aí. Me importo, é bem verdade, com poucas coisas. Me importo, sim, com os amigos, com as pessoas que eu amo. Mas quando é comigo, não me importo. Minha passagem por este planeta é breve e teria tanta coisa para fazer e tão pouco tempo, que acabo me ocupando em não alimentar raiva, ciúme, nada disso. Às vezes, esses sentimentos surgem, porque acabam sendo inerentes à prisão de carne em que nosso espírito vive. Mas tudo é experiência, tudo deve ser analisado e transformado em compreensão. Quem sou realmente? Nem eu sei. Sei que eu não sou eu. Não sou uma identidade, um RG, um CPF. Não sou o nome que carrego ou as roupas que uso. Sou alguém que procura ser feliz tentando ver os amigos felizes. No entanto, carrego a minha dor de amar alguém que não está aqui, ao meu lado. Uma dor que, aliás, muitos carregam de uma ou outra forma. É a quadrilha de Carlos Drummnd de Andrade, né?

- João amava Teresa que amava Raimundoque amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história"

Enfim, ninguém possui a obrigação de amar ninguém. O amor é uma possibilidade humana, nunca uma obrigação. Jamais uma condição. Nem Deus, o perfeito demiurgo criador e arquiteto do universo, impôs que nós o amássemos. Como podemos nós, tolos seres humanos, exigir amor deste ou daquela? É a necessidade que temos de sermos aceitos, compreendidos, completados ou de viver histórinhas iguais as que passam na novela, com trilha sonora e tudo. Aquele amor perfeitinho de ai, ai, ai e suspiros apaixonados e que não é, nem de longe, o que realmente é o amor. Ou cobranças ou presença. E tolo sou eu em tentar dizer o que penso sobre isso, porque acredito que explicar o amor é como tentar colocar um oceano dentro de um copo. "Eu te amo porque te amo ou porque amo a mim mesmo e me vejo refletido em teus olhos, portanto, me sinto mais belo e bem comigo mesmo por acreditar que tu me ama"? Se é assim, então, esse é um amor narcisista que surge da necessidade em ser aceito. Devaneios de minha parte, talvez.

No entanto, creio que não é o amor de dois seres que nos une por completo e, sim, o amor universal. O amor longe de convenções de alianças de ouro ou roupas no tanque. É o amor no todo. O amor desprovido de propriedade (ela é minha esposa, ele é meu marido). Temos essa mania tola, não? De achar que as pessoas nos pertencem (meu filho, minha filha). No entanto, cada ser é livre para buscar a sua verdade. No entanto, ficamos orbitando uma tradição arcaica. Nos prendemos a convenções que são verdadeiras prisões e que nos impedem de enxergar a verdadeira verdade: a de que somos livres e de que o amor não é uma obrigação, mas sim, uma possibilidade.

Um comentário:

melia kindler disse...

Se as pessoas realmente te conhecessem...

;*