sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cidade + cultura= Cidade da Cultura

Em breve, Santiago deverá concluir a sua Rua dos Poetas, consagrando o título de Terra dos Poetas, aprovado pela Câmara de Vereadores (autoria do Nelson Abreu). O projeto Santiago do Boqueirão, seu Poetas quem São? do curso de Letras da URI segue sendo o o maior projeto cultural já criado na cidade. Há pouco aconteceu mais uma edição do Santiago Encena e do Festival da Música Crioula. Semana que vem, inicia a Feira do Livro e a Festa das Etnias. A nossa cidade vive um período de efervescência de eventos, o que não significa examente cultura.

O teatro em si, a dança ou a música ou a literatura, separadamente, não representam a cultura. Mas, sim, fazem parte de um processo cultural. É como dizer que um pé de soja não representa uma lavoura, mas é uma parte dela. A lavoura é muito mais que isso. É a terra, são as pedras, as ervas daninhas, é a colheitadeira e é a mão do agricultor. E para que tudo isso exista ainda depende do sol e da chuva. Portanto, a cultura não é algo isolado e também é muito mais amplo. Ela vai além dos palcos do Encena ou dos microfones do festival de música. A cultura representa um processo generalizado.

O que ocorre na maioria das vezes é que se criam eventos de todos os tipos e gêneros, mas não se trabalha além disso: o público-alvo. Aplausos, fecham as cortinas e acabou o espetáculo.
Fazer cultura não é apenas encenar uma peça, mas fazer com que o espectador compreenda o que aquilo significa. Não apenas cantar uma música, mas tornar o público parte desse processo.
A cultura é extremamente ampla e deve representar também um papel político (a ciência política do bem coletivo). Não apenas criando um evento cultural, mas desenvolvendo uma consciência cultural. É dessa forma que se muda uma sociedade.

A consciência cultural inicia a partir do resgate do ser humano, de compreender que ele faz parte daquilo, torná-lo agente de qualquer processo, valorizando o seu pensamento e a sua participação. É inserir na mente de cada indivíduo de que a sua cidade é cultural, porque o valoriza e também valoriza a sua forma de pensar e de se expressar. Portanto, o inverso também ocorre: aquele indivíduo valoriza a sua cidade e sua forma de ser. (Exemplo: os alunos do Criança Feliz, projeto que criou uma nova consciência educacional. Quem participa do projeto, o ama e defende).

A cultura não é apenas dança ou literatura. É compreender o que significa viver em sociedade e respeitá-la, valorizá-la. Torná-la melhor, efetivando a participação dos seres humanos.

Através de uma compreensão cultural se modifica uma comunidade de forma ordeira e pacífica. A cultura jamais pode fixar-se somente nos clubes de elite. Deve estar também nos salões comunitários e ginásios espalhados por todos os bairros, nas canchas de bocha etc. Desta forma, até mesmo representando um papel político. Veja o caso da secretária Mônica Leal: enquanto Yeda Crusius promove um papel antipático como governadora (o que é natural para quem está com a caneta na mão), Mônica Leal surge nos mais diversos municípios, pequenos ou grandes, criando uma imagem simpática da Secretaria de Cultura e, consequentemente, do próprio governo. A Cultura atrai multiplicadores, formadores de opinião dos mais diversos segmentos, mas acaba limitando-se na classe mais ordeira da sociedade.

Ela precisa estar inserida em todos os âmbitos e manifestações. Em cartazes, slogans, jingles, cadernos escolares, camisetas.

Não apenas naqueles eventos que necessitam de sapatos lustrados e vestidos longos. Mas, sim, na capoeira, numa festa junina, num galpão e, porque não, dentro dos presídios, onde for. Os eventos culturais não podem ser criados apenas para aqueles que são considerados pacíficos, mas também para os "desajustados", pois será uma forma de integrá-los ao convívio social.

É bem verdade que Santiago ainda engatinha na questão cultural. E que bom que já tenta os seus primeiros passos. Mas quem dera nossa cidade ainda possa ostentar o título de Santiago: Cidade da Cultura. Um lugar onde não apenas o povo aplauda os seus artistas. Mas onde os artistas também possam aplaudir o seu próprio povo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Teatro é deprimente. Ainda mais os de Santiago.

Rúbida Rosa disse...

Tenho colegas dentro do Curso de Letras que dizem que em Stgo não existe ninguém que se mobilize pela cultura...
Concordo com vc, acho que os esforços deveriam ser intensificados por todos os dias do ano, mas confesso que a mentalidade das pessoas daqui "faz cair os braços" de qualquer um! Tem que ser muito persistente!
Abç.