quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Política: O que se ouve por aí...

Falta menos de um mês para as eleições municipais e alguns ânimos estão cada vez mais acirrados. Não fosse a nova determinação do juiz Rafael Peixoto de proibir a passagem de carros-de-som pelo calçadão, é certo que a guerra iria se acirrar e muito. Os candidatos agora estão bastante enfocados nos programas de rádio. Dia desses até o Alceu Moreira (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa, esteve participando. Ele disse que era preciso votar em pessoas que não faziam política só nessa época, mas que estavam sempre em contato com o povo (de quem estava falando?). Em seguida, falou que era preciso votar em pesssoas honestas. O engraçado é que o mesmo Alceu Moreira está sendo investigado sob a suspeita de superfaturamento em licitação para compra de merenda escolar. Não sei se ele tem culpa no cartório, - e espero que não porque seria mais um atentado contra a honra dos políticos gaúchos- mas só por ser alvo de investigação é porque não é um político acima de qualquer suspeita. Vamos ver no que vai dar, afinal, ninguém é culpado até que se prove o contrário.

Agora, vai te esconder, né? Suspeita de superfaturamento em compra de merenda escolar é dose. Os politiqueiros deveriam seguir o seguinte mandamento:

Artigo 1- Não desviar dinheiro público. Nunca jamais. Sob hipótese alguma.

Parágrafo primeiro- Em caso desse artigo não poder ser cumprido à risca, pelo menos tentar não desviar dinheiro das crianças. Pega mal.

Parágrafo segundo- Nem dos idosos. É pior ainda.

Parágrafo terceiro- É permitido o desvio, desde que ninguém, mas ninguém mesmo a não ser os interessados, fiquem sabendo. Mas não conte nem para a sua amante ou cartomante, caso tenha uma.

Parágrafo quarto- Se você costuma frequentar rodadas de carteado, tome cuidado para não começar a frequentar cassinos do dia para a noite. Pode levantar suspeitas.

Parágrafo quinto- Sempre pregue e incentive a honestidade e os bons costumes Vai que os eleitores acabem virando o jogo.
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Um senhor me perguntou com toda a naturalidade esses dias quem eu achava que ganhava a eleição: O Vulmar, o Sandro ou o Chicão. Antes de responder, eu devolvi a pergunta.

- E quem o senhor acha que ganha?
- Ah, eu acho que vai ganhar o Chicão. Eu voto nele de novo.
- O senhor tá certo. O Chicão ganha.

Outro dia, estava comprando um xis ali no Chico Lanches. Ainda o intiquei. "E aí, Chico. Não vai concorrer a vereador também?". Ele deu risada. Em seguida, uma moça de uns vinte e poucos anos, estudante de enfermagem disse que já não aguentava mais tanto barulho com a política. "Esse pessoal tá bem louco. Mas não tem para ninguém. O Chicão ganha de novo".

Foram dois casos. Um senhor e uma moça. Ambos achavam que o candidato a prefeito era o Chicão. Para ver a força política do atual prefeito que conseguiu eclipsar até mesmo o nome de Júlio Ruivo, o candidato a sucessão do PP. Chicão não é um cabo eleitoral de Ruivo. Ele é um general eleitoral.
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Semana passada fui ao estúdio de fotografias de um amigo para revelar umas fotos. Vai e vem e surge o assunto da política. Ele fez os seus palpites e se revelou anojado de quem achava que iria ser o vereador mais votado. "É um playzinho, filho de papai que sequer se formou ou tem uma profissão. E vai ser vereador. Vê se pode um negócio desses. Olha o naipe", ele me disse.
Em seguida, comentou a respeito de um candidato a prefeito. "Periga, ele faz menos votos do que o vereador mais votado", disse o meu amigo que justificou o porquê. "Dia desses eu o vi lá na Ponto Cópias botando a boca num amigo meu que trabalha lá. Tava subindo por cima da cabeça dele, só porque é funcionário. Falta de respeito com as pessoas e ainda quer ser prefeito. Eu fora", disse. Eu, só balancei a cabeça. "Também tô fora. Tem gente que não sabe ter amigos, né?"
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Um jornal que circula lá pelos lados de São Borja produziu uma enquete, cujos dados vazaram às vésperas de ser publicada e confirmaram que o candidato que estava em segundo lugar crescia e se aproximava do atual prefeito, que concorre a reeleição. No entanto, ao ser publicada, a pesquisa mostrou que o candidato que estava em primeiro tinha quase o dobro do percentual do que estava em segundo lugar. Uma funcionária do próprio jornal denunciou a farsa.
A fraude ficou comprovada e a Polícia Federal foi acionada. Os computadores foram apreendidos e os responsáveis estão tendo que explicar a sua metodologia que, casualmente, bate com os índices apurados em uma pesquisa encomendada pelo candidato beneficiado. Minha teoria: os índices originais foram alterados para não conflitar com a pesquisa que já estava sendo divulgada pelo atual prefeito, ficando dentro da margem de erro. Caso tivesse sido publicada como estava, teria dado margem à desconfianças de que uma ou outra estaria equivocada. Como a coisa toda vazou, agora as duas estão sob suspeita. Na que os dados não haviam sido manipulados, o percentual somava 100% (com 300 pessoas entrevistadas). A segunda, em que os dados foram manipulados, o percentual somava 99% (com as mesmas 300 pessoas entrevistadas). Que matemática foi essa?
Também, analise as coincidências: o candidato da situação é PDT. O dono do jornal é PDT. O representante do jornal é PDT.É aquela velha história de que a mentira dos fatos tem pernas bem curtinhas.

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