segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Filme do Cazuza não chega aos pés do livro


No final de semana eu assisti a vários filmes. Entre eles, o nacional Cazuza- O tempo não pára. Há anos eu pensava em ver essa produção. Chegava a segurar a capa do filme dentro de alguma locadora e acabava colocando de volta na prateleira. Se valeu à pena? Como diria o poeta, tudo vale a pena quando blá, blá, blá, blá. Diria que não me arrependo em ter deixado esse filme em banho-Maria para assistir. (Afinal, foi lançado lá em idos de 2004 e eu só assisti agora, quatro anos depois). Sei que o filme é baseado no livro Cazuza- Só as Mães São Felizes, que foi escrito pela jornalista Regina Echeverria, com base nos depoimentos de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza. Eu li o livro há anos e lembro de ter me apaixonado pela história, especialmente pela força e pela dedicação de Lucinha. Infelizmente, como dizem, filme é filme, livro é livro. E entre um e outro, fico com o livro. Este "Cazuza- O tempo não pára" é piegas.
E se eu ainda não gostasse do Cazuza, dificilmente iria passar a gostar depois de assistir ao filme. (O contrário aconteceu quando assisti 2 Filhos de Francisco. Não gosto das músicas de Zezé di Camargo e Luciano, mas o filme é ótimo)
Daniel de Oliveira, que interpreta o personagem principal, não interpreta. Ele recita as frases, num tom meio teatral, meio profético, soando superficial em quase todas as cenas. Em nenhum momento senti que ele tenha convencido no papel, a não ser fisicamente. Reginaldo Farias e Marieta Severo, excelentes atores, até tentam dar uma profundidade aos seus personagens. Mas o roteiro é raso feito um pires (crítica clichê, né?) e os personagens que são tão fortes no livro, não tem o merecido destaque no filme.
Eu escrevi personagens, mas é preciso lembrar que trata-se de João e Lucinha Araújo, pais de Cazuza. As únicas ousadias da produção ficam por conta das cenas de beijo que, em certos momentos, soam exageradas. Como se os diretores estivessem mostrando algo muito revolucionário simplesmente colocando dois homens se beijando em cena. Na disputa livro versus filme, esse é mais um exemplo em que o livro dá de chinelo. O Cazuza merecia uma coisa melhor. E, para quem não leu e tem curiosidade de ler, rola aí a pirataria. É só clicar na foto acima ou no link abaixo para baixar o livro e se emocionar com a obra Cazuza- Só as Mães são Felizes, que leva o nome de uma música de autoria de Cazuza.


Um comentário:

Fabi disse...

voce tem toda a razão :)
Não mostraram o Agenor de Miranda Araujo Neto, além de "bixa, maconheir"... ;*