sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Em Santiago, um golpe contra a liberdade de expressão


O juiz Rafael Peixoto determinou que a partir de agora, os carros de som dos candidatos não podem mais cruzar pelo calçadão. Segundo revelou em reunião com os partidos e candidatos, resolveu regrar a situação que, segundo ele, estaria "demais". O magistrado também disse que fazia isso atendendo aos apelos dos empresários da região central, que estariam descontentes com o barulho proporcionado pelos jingles, que perturbavam o seu trabalho. Não bastasse isso, Peixoto também decidiu que agora cada candidato só pode ter um veículo de som apenas e que os candidatos a vereador não podem executar o jingle dos candidatos a majoritária. Quem descuprir, levará multa.


Tudo bem, é preciso aplicar o bom senso. Mas porque o juiz não fez essas determinações antes? Sei que vários candidatos foram prejudicados, uma vez que já haviam contratado as empresas de som. E outra, tais empresas se tornam prejudicadas também. Pois este é o período da "safra" para quem trabalha com esse tipo de propaganda. Penso que a decisão de não permitir que os candidatos a vereador toquem o jingle da majoritária é acertada, pois isso também não pode ocorrer no espaço de rádio. A decisão do juiz tem os seus prós e os seus contras. Mas creio que tende a beneficiar o cidadão, não há dúvida. Só penso que essa regra tinha de ter sido aplicada antes.


Agora, com relação a ele estar atendendo a uma reivindicação dos empresários, cabe aí uma crítica. Para os empresários: durante o ano inteiro, eles bombardeiam o calçadão e os bairros com suas promoções, olha o preço da carne, olha o calçado barato, olha a inauguração, olha o baile, olha isso ou aquilo. E todos são obrigados a ouvir. Agora, quando surge o período eleitoral, que é a celebração da democracia e da liberdade de expressão, eles dão contra. A verdade é essa: o ato de querer restringir os candidatos e os partidos é uma afronta à liberdade de expressão.


O juiz Rafael Peixoto está cumprindo o seu papel, não há dúvidas. Mas quem reclama, acaba prestando um desserviço, demonstrando o desdém com o processo político e democrático, da qual participam representantes de todos os setores do município e que deveriam ter o direito de propagar a sua mensagem. Que, afinal de contas, só acontece uma vez a cada quatro anos. É muito?

Um comentário:

melia kindler disse...

Pior... tem eleição a cada DOIS anos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Aff ¬¬