terça-feira, 9 de setembro de 2008

Don't Cry


"Não chore", ela pedia enternecidamente, enquanto remexia o cabo da lâmina fincada no meu peito, dilacerando o meu coração. Suas mãos estava sujas com o meu sangue, que fugia de minhas veias como água corrente. Aos meus pés, uma poça vermelha que brilhava no chão, refletindo o meu desespero e também o seu belo corpo. Meu sangue se transformou num espelho aos nossos pés. De mãos amarradas, não podia fazer nada a não ser chorar "Não chore", ela pedia enternecidamente. "Fiz isso por amor", ela completou.

Se não estivesse quase morto, eu teria gargalhado, mas doía rir. Ela não queria que eu chorasse. Não queria que doesse. Ela era boa para mim. Queria que terminasse logo com isso. O que faltava para que eu morresse? Não sei precisar quando tempo fui torturado, mas julgo ter perdido uma boa parte de meu sangue.

Não era nem para eu estar acordado. Estava zonzo apenas, mas eu a via deliciando-se com o sangue que escorria feito água corrente de minhas veias rompidas e de meu peito escancarado. Ela tocou meu coração com a ponta dos dedos. "Está quente", ela me informou. Uma informação útil, afinal, eu acreditava que tinha sangue frio. Não tinha. Aquilo doía. "Não chore", ela me pedia enternecidamente, tingindo os seus lábios com o vermelho-vivo do meu sangue. Os lábios mais desejosos que batom algum seria capaz de tingir. Eu chorava enquanto sentia que perdia a força de meus dedos e a vida escorria na poça sob meus pés. Ela agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, antes de me dar um beijo. O último beijo.


"Não chore"...(ainda ouvi ela dizer antes de.....

2 comentários:

melia kindler disse...

Comecei a ler o texto no exato instante em que "Don't Cry" começou a tocar.

Coincidência?

Beijos

Elisandra Minozzo disse...

Que coisa mais macabra Márcio!
Ainda bem que não entendi as entrelinhas...
Hehehe...

Bjos e tudo de bom...