quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Que saco. Não estreou o novo filme do Batman no cinema em Santa Maria. Se eu tivesse 15 anos, diria que iria colocar uma bomba e explodir o cinema. Ninguém iria me dar bola porque era conversa de moleque. Hoje, se eu disser que vou colocar uma bomba para explodir o cinema, podem até achar que é verdade. Mas que dá vontade dá...
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Eu tava conversando com amiga, pela qual eu era apaixonado em fins dos anos 90, eu era tri-apaixonado por ela. Eu ouvia sua voz ficava encantado com a delicadeza e energia que ela transmitia. Lembro que, quando ela trabalhava em determinada loja, eu sempre inventava de ir comprar uma caneta que fosse, só para papear com ela. Ela me contou que até hoje guarda uma carta que eu entreguei para ela, naquela época, onde meio que me declarava, sem me declarar (típico...) e oferecia minha amizade eterna a ela. Em 1997 eu era um bobo romântico, tímido e ingênuo e que, nem tinha namorado de verdade com alguém. Até que veio esse alguém a quem eu amei de verdade. E que verdadeiramente me destruiu...
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Dez anos depois, sou uma criatura meio estranha. Acredito no amor, mas não mais no amor romântico. Em 1997 eu era tão "mãos-dadas-maçã-do-amor-abraço-apertado-vou-te-amar-para-sempre". Hoje, acredito tanto no amor romântico, quanto acredito que o Internacional vai ser campeão do Campeonato Brasileiro desse ano. Até, veja só que interessante, eu comparar uma relação amorosa com um time de futebol. Que coisa mais clichê. Até parece que eu dou bola para futebol. Outro dia, eu dormia tranquilamente em meu quarto e meu pai assistia ao jogo da Seleção Brasileira jogando (e perdendo) para a Argentina. Ele ficou decepcionado com os "nossos" jogadores. "Que vexame a gente deu", disse ele. Eu, sinceramente, nem sei por que tenho Brasil no sobrenome. Porque em mim, não doeu nada. Até acho bem feito.
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É irônico mesmo. Carrego o nome de um país no meu nome, sem me considerar brasileiro, ufanista. Tenho muito orgulho de ser santiaguense, de ter nascido e me criado na Vila Itu e tal. Amo Santiago, porque aqui é a minha cidade, minha terra, minha história. Mas não tenho o mesmo apego com relação a Rio Grande, Brasil, por exemplo. Amo tanto o Rio Grande do Sul quanto amo, por exemplo, a Paraíba. Ou a Bahia. Esse Brasil que é vendido pela mídia. Não há, nesse caso, para mim, um sentimento de apego, como eu tenho com Santiago. Tanto é que nunca morei longe daqui. Nunca iria embora daqui. Nunca trabalharia longe daqui. Santiago é a minha pátria, o resto para mim é o mundo.
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Gosto do Brasil e o considero um bom país. Mas não tenho esses sentimentos patrióticos de cantar o hino junto com a Seleção Brasileira, que é um produto da mídia e nada mais. Essa história de que "os jogadores nos representam" é o caralho. Ronaldinho e outros caras não me representam coisa nenhuma. São milionários, que viajam de avião, comem do melhor, saem na capa de jornais e revistas e sempre tem as mulheres mais desejadas ao lado deles. Que tipo de brasileiro eles representam? Um tipo fútil, esbanjador, playboy, vulgar, luxurioso. Portanto, não considero que eles representem o povo. A não ser o desejo de parte do povo, de ser igual a eles. Se for isso, até nesse ponto eu me aparto desses caras. Não é a minha vontade ser assim e nunca será...
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O Brasil valoriza umas imbecilidades de querer provar que é o melhor no futebol, no vôlei, no jogo do osso. Que bobagem. No que realmente importa em sermos melhores, somos péssimos. Segurança, saúde, valores humanos, educação. Nisso o Brasil é péssimo. Os brasileiros torcem por essas imbecilidades de futebol, em vez de torcer que todos tenham uma vida melhor, mais digna e mais justa.
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O que eu penso e valorizo, então? Ah, eu sou pão e manteiga. Simplicidade ao extremo. Arroz, feijão e ovo frito. Não dou bola para muita coisa. Não esquento a cabeça com muito. Não penso em ser rico, até mesmo porque eu abomino dinheiro. Eu desprezo dinheiro. Infelizmente, a nossa vida é movida pelo dinheiro. O próprio computador em que escrevo essas palavras custou dinheiro. Tudo na vida custa dinheiro. Minha postura é blasè. Eu sou um idiota, à minha maneira. Talvez, pior que os da seleção brasileira. Nem nisso eles me representam...
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Engraçado, sempre achei que quando a gente crescesse passava a raciocinar de outra forma, se tornasse outra pessoa. Mas em muitas coisas penso do mesmo jeito que pensava quando eu tinha 12 anos. Ainda curto revistas em quadrinhos, videogame e desenho animado. O que acontece é que, por causa do resto da sociedade, a gente é obrigado a adotar um comportamento tal. Às vezes, até usar uma gravata. Que coisa mais ridícula que é uma gravata, né? Para quê serve? Nunca consegui entender. Será que é para esconder os botões da camisa? Dá um ar tão...bobo. Parece um babeiro estilizado. Mas como todos os bobos formais usam gravatas, fica parecendo elegante. Sei lá. Acho que as coisas só tem importância quando você dá importância para essas coisas. Dinheiro, por exemplo. Não tem nenhuma importância. É papel sujo. Porém, a gente acha que tem valor, porque o resto da sociedade diz que ele tem valor. Aí, você pega uma nota de vinte anos atrás, que valia muito e que hoje não vale nada. Simplesmente porque a sociedade diz que não. Nossos valores são tão esquisitos...
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Eu não sou daqui, na verdade, não sou de lugar nenhum. Gosto de pensar que eu vim de outra estrela, de outro canto do universo, de outra galáxia, de outra fronteira. Gosto de pensar que sou o espírito de um ser de outro planeta que encarnou aqui na Terra e está procurando compreender essa cultura terrestre. Ou então, um animal que chegou ao estágio de ter uma experiência humana e não consegue compreender certas convenções tão particulares dos semelhantes. Talvez eu tenho sido uma borboleta, um cão, um gato, uma caturrita, um tigre, um macaco. Sei lá. Talvez, eu venha a ser um bicho desses. Ou talvez, eu volte para o lugr de onde e vim, em outra estrela, outro canto do universo, outra galáxia, outra fronteira. "Ôôô, seu moço, do disco voador. Me leve com você, para onde você for. Ôôô, seu moço. Mas não me deixe aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí.."
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Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer. Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração...
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Sobre eu acreditar no amor romântico tanto quanto acredito que o Internacional vai ser campeão brasileiro esse ano não é tão verdade assim. Eu acredito no amor, mas de uma maneira louca, que nem sei como explicar. "Amo em silênciooooooooo. Guardo essa paixããããããooo. Amo em silêncio, amoooo, com meu coraçãooooooo..." (coisa brega). Faz tempo que eu não choro. A última vez que eu chorei por amor, foi quando eu me destruí por amor. O amor romântico nos torna tolos, ingênuos e fracos. O amor individual destrói e decepciona. O amor coletivo é mais verdadeiro e fraterno. Pode até decepcionar, mas pelo menos não dói...

2 comentários:

melia kindler disse...

Tu se lamenta muito e sempre acaba chegando tarde demais.

Marcus Vinícius Manzoni disse...

E aí, Márcio. Que belo texto tu escreveste aqui! "Sentou o pau!" Curti pra caramba;