domingo, 6 de julho de 2008

Parada gay será no dia 12


Não será exatamente uma parada gay o evento que estará ocorrendo no dia 12 e, sim, uma reunião de pessoas na praça Moysés Viana. Foi o que me disse o Vinícius Beck, que será um dos organizadores do evento, que esteve para acontecer no dia 28 de junho (Dia Internacional do Orgulho Gay), mas que em função do mau tempo, ficou para outra data. Portanto, dia 12 de julho. Em Santiago, existem muitas pessoas que estão tendo a coragem de mostrar a sua verdadeira natureza, sem se preocupar com comentários alheios ou maledicências. Creio que o tempo de se apontar e criticar alguém por ser diferente, está aos poucos ficando para trás.

Na década de 60, o escritor Caio Fernando Abreu certamente enfrentou uma Santiago bem diferente para ser quem ele era. Hoje, os tempos são outros. É claro que o preconceito ainda existe, mas pelo menos, não há aquela discriminação misturada com perseguição como existia. Tenho vários amigos homossexuais (homens e mulheres) e são amigos adoráveis, que me dão o privilégio de contar com a sua amizade. Portanto, pretendo apoiar abertamente a realização deste evento gay que estará ocorrendo na praça e que eu aproveito para divulgar aqui, neste blog.

É salutar abordar essa questão, uma vez que há poucos dias, estivemos vendo na mídia toda o caso dos militares que assumiram a sua condição sexual e que sofreram perseguição de todas as formas, sendo julgados e condenados pelo conservadorismo. Ora, o que importa a preferência sexual de uma pessoa? Por que a sociedade julga e condena alguém por sua vida íntima, pelo que ela faz ou deixa de fazer entre quatro paredes, longe dos olhos da sociedade? E, afinal, mesmo que a pessoa tenha a coragem de mostrar a sua afeição pelo outro em via pública, através de um beijo ou de um toque, o que é que os outros tem a ver com isso? Puxa, eu não posso com esses preconceitos. Acho que deveríamos ter preconceitos com aquilo que é feio em nossa sociedade (a miséria, a violência, os baixos salários, a falta de um lar digno para tanta gente...)

Lembro do caso de um amigo (homossexual assumido), que me relatou o seguinte: ele estava conversando com outro amigo, que o condenava por sua opção. Como justificativa ele dizia que "os homossexuais são vulgares". Tá bem, respeita-se a opinião dele. Aí, eis que ambos caminhavam e cruzaram por uma mulher bonita, ao que machão, chupou os dentes e emitiu um pequeno urro. "Uiuiui, mas que coisa mais gostosa". O homossexual lhe questionou sobre sua atitude. "Tu não disses que não gostava dos homossexuais por serem vulgares? E o que tu acha dessa tua atitude?" O outro teve de se calar e se deu conta de não existem dois pesos e duas medidas. A não ser para quem semeia o preconceito. E, geralmente, quem semeia esse tipo de preconceito, age exatamente como na história relatada. Comete as suas vulgaridades, mas não as percebe e condena o outro, que ousa ser diferente.

Portanto, espero que o dia 12 de julho seja marcado por um belíssimo sol, para que seja possível a realização deste evento gay em Santiago. Quero parabenizar os organizadores, em especial o Vinícius Beck, pela coragem em mostrar a cara e levantar essa bandeira. E tenho certeza de que, na parada Gay, também deve participar a minha querida amiga Juliana Mayer, outra grande figura que batalha pela valorização de sua busca pela felicidade.

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