domingo, 13 de julho de 2008

No início da campanha política estive comprometido com a MUDANÇA...

Nesta segunda-feira, reiniciando os trabalhos, não estarei em Santiago. Vou com o PC, meu colega, para São Francisco de Assis e depois Manoel Viana. Vamos lá para fazer nosso trabalho de reportagem nas cidades. Gosto muito de ir a São Chico, onde possuo vários amigos e tenho um bom entrosamento com os assisenses.
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Meu final de semana foi legal. A começar pelo sábado, quando os diversos partidos políticos e candidatos rumaram pelas ruas da cidade propagando suas campanhas. Eu, alheio a isso, estive comprometido com a MUDANÇA. No caso, a mudança do Chico.

Logo cedo tive que saltar da cama a ir ajudá-la a mudar da casa que dividia com sua irmã para morar na casa de seus pais. Não foi uma mudança difícil, afinal, o Chico não tinha muitos móveis para levar. A mudança fará bem para ele e, principalmente, para a Luana. Outro amigo que esteve de mudança no final de semana era o João Lemes, que finalmente conseguiu se mudar para a sua sonhada casa, no bairro Zamperetti. Só imagino a emoção da Suzana em dedicar todo o final de semana a curtir a nova casa.

No sábado, depois da mudança do Chico fui para a casa de meus pais. Quer dizer, pais adotivos, pois são na verdade meus avós. Eu cheguei lá e meu velho pai estava se preparando para pintar a parede da sala e o quarto de minha mãe. Disse para ele deixar aquilo de lado, tirei os tênis, pus uma bermuda e uma camiseta e passei a tarde inteira pintando, após ouvir os conselhos dele de como deveria fazer isso. Foram as primeiras paredes que já pintei na vida e, ouso dizer que ficaram muito bem pintadas. Inclusive o piso (o que me deu um trabalho danado para remover depois, pois joguei tinta por tudo, menos em cima do papelão que estava no chão para aparar a tinta...)

Com excessão da tinta que ficou grudada nas minhas mãos, dedos, braços e pernas. Por mais que eu lave, ainda encontro tinta no meu corpo. Eheheheh. Faz parte. Fiquei contente em ter feito esse pequeno serviço. Algo diferente para mim, que sou praticamente um nerd.

Engraçado, durante muitos anos fui bem "teatino", andei por todos os lados, viajei para tudo que foi lugar, procurando não ficar na casa de meus pais por causa das lembranças que ela me trazia.

(vou ser claro: por causa da Lidiane e das impressões dela que ficaram por lá. Minha mãe até hoje tem uma foto dela e minha no seu quarto, pois gostava dela como uma filha e a mimava muito. Apesar de ser um capítulo encerrado, eu nunca pedi para ela remover a foto, pois não acho que as coisas se resolvam dessa forma e cada um lida a seu modo com a dor, o amor ou a saudade que sente...).

No entanto, nos últimos tempos, não há lugar em que eu me sinta melhor do que na casa deles, dos meus velhos pais. Às vezes, fico vendo minhas antigas coleções de revistas em quadrinhos, todas lá intactas. (Lembro como ela odiava minhas revistas na época em que eu tirava nota baixa no colégio. Ameaçava queimar porque eu só lia e não estudava e aquilo não seria bom para o meu futuro...). Às vezes, converso com meu pai, só para estudar um pouco mais o seu pensamento e gravar em mim as suas palavras. É meio clichê dizer isso, mas ele é uma grande figura paterna para mim (o mais próximo que eu conheci de um herói...). Uma pessoa pobre, mas extremamente honrada. Alguém que traz tanta verdade nas coisas que diz e faz. O meu pai é realmente um exemplo digno. Sua simplicidade chega a ser complexa...

Às vezes, deito na cama de minha mãe e fico pensando o quanto é bom estar ali.. Às vezes, olho para ela, velhinha, toda preocupada comigo, que não é para eu andar na rua até tarde. Que é perigoso e que ela ouviu não sei o que no Jornal Falado e ela reza por mim. E eu ouço isso há anos. (E é tão bom poder continuar ouvindo...).

Outro dia, fiquei reparando na penteadeira que ela mantém no seu quarto e perguntei algo que nunca me ocorreu, de quantos anos teria aquele móvel, tão bem conservado. E ela me respondeu, fazendo os seus cálculos, que teria em torno de uns 150 anos. E que tinha sido de minha bisavó.

Às vezes, simplesmente fico conversando com ela para saber das minúcias do dia-a-dia, das coisas que eu nunca fico sabendo, de tão corriqueiras (mas tão cheias de encanto). Ela me conta pequenas coisas como que a Fofucha (uma gata branca linda, filha do meu falecido gato Frodo) está meio rechonchuda.
- Acho que essa sem-vergonha vai dar cria de novo.

Ela reclama. Mas adora gatinhos novos pela casa. Me conta que o pai salgou demais a comida não sei em que dia. Que se recolheu cedo na noite anterior por causa do frio. Que fazem dias que ela não vê o meu tio Máurio. Que a novela das oito está ficando boa. Que ela quer costurar uma cortina para o quarto. Que ela pretende trocar a pia da cozinha. Que...

Ela me fala tantas coisas que há alguns anos atrás, eu sequer daria ouvido. Entraria em casa para trocar o tênis e antes que ela pudesse perceber, dois minutos depois, eu já não estaria mais na casa. Fico até imaginando quantas vezes ela não deve ter falado qualquer coisa comigo, achando que eu ainda estava por ali e, na verdade, eu já estava quilômetros longe. No entanto, aquelas conversas, as idiossincrasias que eu tanto desdenhava, agora se tornaram o máximo para mim.

Não me importa ler o "Caçador de Pipas" só porque está na moda. Não me interessa conversar com algum figurão da política e ouví-lo falar tanta insignificância, dizendo que tem projetos para mudar a vida das pessoas. Poupe-me. Não venha me falar matematicamente de uma realidade que eu conheço de forma geográfica e histórica. É por isso que não acredito em porqueira de partido político, do qual pretendo me desfiliar essa semana ainda; de pouco me importam as campanhas elitistas. Não quero mais estar ao lado desses senhores e seus bigodes espessos, ar de seriedade, mas que só querem satisfazer suas vaidades pessoais e pouco se importam com a vida de quem seja menos favorecido, sequer ouviram a reinvindicação de algum, sequer sabem de seus sonhos e de suas expectativas.
Querem, sim, serem considerados importantes. Querem, sim, serem reverenciados e temidos. Mas eu não os temo. Mas, afinal, é como dizem, os incomodados que se retirem. E se eu estou incomodado, é por isso que irei me retirar. Já vou tarde!

Agora, ouvir a minha velha mãe falar sobre a necessidade de comprar uma agulha nova, porque ela perdeu a outra ou que o leiteiro esqueceu de lhe deixar leite naquele dia, é das conversas que mais me interessam nos próximos dias. Afinal, não há melhor lugar do que o nosso próprio lar. E nada melhor do que conviver com pessoas que falam a linguagem pura e simples da verdade.

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