quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dedinho podre

Tu é o culpado. Não desvie o olhar, não olhe para os pés, nem a xingue minha mãe mentalmente, porque ela é culpada também. Tu é o culpado e eu sei que também sou. A primeira coisa que temos que fazer é admitir. “Eu sou culpado”. Pronto? Ok. Agora, vamos ver aonde foi que erramos. A cada ano eleitoral é a mesma coisa. Ô dedinho podre esse nosso, de eleitores, não é? De tanto que a gente escolhe errado os nossos representantes. Tá bem, muitas vezes a gente acerta. E quando acerta, que bom. Afinal, escolher um prefeito, um vereador, um deputado ou um presidente é algo digno e representa um direito pelo qual as gerações atuais e as anteriores lutaram para conquistar. E foi uma luta sofrida, abaixo de surra de milicos, quando muitas vozes eram sufocadas e outras, caladas para sempre. Há décadas atrás, as mulheres sequer tinham o direito de votar. Em tempos modernos, não só temos o direito de votar, como o de sermos votados não importando nossa condição social ou intelectual. Mesmo assim, basta acessar qualquer meio de comunicação para vermos notícias desrespeitosas envolvendo políticos. Aqueles mesmos que apertaram as nossas mãos e nos convenceram em votar neles, nos envergonham envolvidos em negociatas ou comprando votos ou vendendo a sua (in)dignidade. E não adianta só falar mal deles, ou chamá-los de “sem-vergonha”. A conduta de um político reflete a vontade de um segmento que o elegeu, sob algum pretexto ou com alguma esperança. Por isso, o voto não pode ser jogado fora. É preciso escolher bem. Eu não votaria num candidato que busca na política para ter um emprego, nem para quem pretenda enriquecer. Ou ansei o poder, status etc. O voto é secreto, como em secreto está o nosso coração. O voto representa um conquista sofrida. Se o político que você eleger merecer a sua confiança, maravilha, há muita gente boa por aí. Mas se o seu representante lhe decepcionar lembre-se: tu é o culpado.

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