quarta-feira, 16 de julho de 2008

Algo morreu em mim. Não sou mais quem eu era há cinco anos atrás. Não sou mais quem eu era há um ano atrás. Não sou mais quem eu era há um mês atrás. Nem mesmo quem eu era há uma semana atrás.
E, nesse momento, estou deixando de ser quem eu era há 10 minutos atrás. Mergulho na escuridão, na mais profunda escuridão, na mais perdida e complexa e inescapável escuridão. Não na escuridão da noite, mas nos abismos mais profundos de minha alma perdida e devorada por hárpias tenebrosas. Meu sangue se esvai pela ponta dos dedos e meu coração explodiu em pedaços mil.
Não sou mais quem eu era. Deixei de ser um anjo. Agora, sou o mais terrível dos demônios, capaz de vociferar as mais indizíveis blasfêmias e dilarecerar quaisquer esperanças de voltar à luz e, sequer, ingressar no inferno, impedido pelo cérbero à espreita.
Escrevo meus lamentos e uso meu sangue para escrever as minhas palavras abissais. Risco minhas unhas na calçada deixando a trilha de sangue e dor. A dor da morte, a dor da perda. A perda da inocência. O mergulho profundo na escuridão: algo morreu em mim.

Um comentário:

tainã disse...

Nossa, como tu está melancólico... pelo menos isso te rendeu excelentes textos!