quinta-feira, 22 de maio de 2008

Um sonho expresso, quem sabe?


Eu era só um piá quando folheei pela primeira vez um exemplar do Expresso Ilustrado, em 1994. Estudava na escola Sílvio Aquino, ali no bairro São Vicente, e admirava o estilo do jornal. Gostava de ver o Araponga sentando a ripa no então prefeito Vulmar Leite, que não conhecia pessoalmente, mas achava legal a coragem do colunista em criticá-lo. Ali, percebi que o Expresso era um jornal diferente. Certa vez, a professora Sofia Brum me perguntou o que eu gostaria de ser quando crescesse. “Quero ser jornalista”. Ela, que sempre me incentivou, sugeriu: “leve teus textos para o Expresso ver”. Mas era óbvio que eu não ia botar aqueles meus textinhos juvenis debaixo do braço e bater na redação do jornal. Iam dar risada. Mas, sem saber, a profe Sofia plantou uma sementinha na minha cabeça. “Um dia, quem sabe?”. A partir daí, cada exemplar do Expresso que lia me fazia sonhar. “Será que um dia trabalharei no jornal, ao lado da Sandra e do João?”. Os anos passaram e, certo dia, incentivado pelo Sidnei Garcia fui até a redação, meio envergonhado e com um friozinho na barriga, inesquecível. E lá estava eu, com meus textinhos juvenis debaixo do braço.

Não tinha diploma, não era filho de doutor, nem de fazendeiro, mas de um simples pedreiro (construtor de casas, arquiteto de sonhos). Ou seja: pensava que minhas chances eram mínimas, mesmo assim, fui. O próprio João Lemes falou comigo, deu uma olhadinha nos textos e disse que não havia vagas no momento (sequer imaginava que o João era tão povão quanto eu. Quem ler seu livro também vai saber...) . Mas ele me deu uma perspectiva para “mais adiante, quem sabe?” Assim, fiquei eu na expectativa e sonhava em conquistar um emprego no Expresso, para ajudar em casa e ter dinheiro para namorar. Até que um dia, o próprio Lemes disse para o Sidi. “Chama teu amigo. Vai abrir uma vaga”. E aqui estou, há 9 anos, ocupando essa vaga no Expresso, que festeja 15 anos neste sábado. Tenho orgulho em fazer parte desta talentosa equipe de mais de 50 profissionais, nesta firma promissora que sonhei em trabalhar, única que carimbou minha carteira de trabalho. Talvez isso tenha acontecido por eu tanto ler livros, revistas e jornais e acreditar que o “preço de receber o que se quer é receber o que um dia se quis”, como dizia Neil Gaiman. Ou, como diria Shakespeare, “sonhos moldam o mundo”. Mas, mesmo sem ler nenhum livro, meu pai, o pedreiro Pedro Brasil, é que estava certo quando dizia que “tu tem que correr atrás daquilo que tu quer”...

Na foto acima, estou nas cascatas de Foz do Iguaçu, no lado argentino, um dos tantos lugares que conheci depois de entrar para o Expresso. Na época em que tinha cabelos compridos. Estou deixando crescer de novo...

Um comentário:

tainã disse...

Márcio e suas 1001 faces xD

Obrigada pelo convite ^^ Adorei!
Estarei lá, com toda a certeza!

Beijos