quinta-feira, 15 de maio de 2008


Quantas vezes, acabo me achando especial demais, que sou bom, que sou bem, que sou necessário, que minha opinião vale alguma coisa, que sou gremista, que sou colorado, que sou melancia, que minha roupa está limpa, que minha mesa está farta, que minha cama está macia, que comprei um novo CD, que pretendo viajar, que estou usando um tênis novo, que minha televisão é 29 polegadas, que minha mochila é nova, que preciso cortar o cabelo, que estou careca, que preciso emagrecer, que preciso engordar, que só devo comer margarina light, que Coca-Cola não pode faltar na mesa, que é preciso falar pilates, que o carro novo está disponível para test drive, que é preciso comprar mais bois, que é preciso comprar mais gente, que é preciso ter mais poder, que é preciso ter mais roupas, que é preciso ter mais posses, que o Brasil é Pentacampeão, que telefone celular é um saco, que é preciso ter um orkut, que reservei filme na locadora, que alguém me acha legal, que alguém não gosta de mim, que...(que droga!!)

E quantas vezes acabo reclamando de alguma coisa, mesmo que silenciosamente, quando não tenho alguma de minhas vaidades atendidas ou quando sinto o meu orgulho ferido com qualquer besteirinha que seja? Que egoísta que sou. Que imbecil que sou. Que ser humano mais inumano que sou. Por causa desse tipo de cegueira, proporcionada pelo capitalismo é que existe injustiça no mundo e tanto desequilíbrio de tantas as formas. E se há tanta injustiça contra meus irmãos, como posso eu ser plenamente feliz?

Afinal, de que adianta todo o resto se, no mundo em que existo, na sociedade em que vivo há semelhantes meus que sobrevivem e se alimentam daquilo que eu joguei fora?

(Eu sou mesmo um lixo...)

2 comentários:

tainã disse...

Lembrei de "A Metamorfose" do Kafka com esse texto. Adorei.

Beijos

Guilhes disse...

Ae Marcião? Tá pirando velho? Relaxa. Vive tua vida e nao da bola pra ninguem. Alias. eu tentei comentar no teu blog esses dias e nao deu nada. Ou eu fiz cagada ou alguma coisa nao deu certo.
[]s