segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sexta-feira passada, a professora Rosane Vontobel me apresentou uma cópia do livro número 01 de contos do projeto “Santiago do Boqueirão, seus Poetas quem são?”, que será generosamente dedicado aos meus escritos. É estranho ver a minha foto e os meus trabalhos compilados num livro. Ao mesmo tempo em que me sinto honrado, também me sinto um tanto envergonhado. Desde criança eu escrevo (claro, muita porqueira) e sempre tive senso crítico em relação ao meu trabalho. Sei definir quando algo é bom e quando realmente não presta. Sempre acreditei que algumas coisas que eu escrevia tinham valor literário e mesmo não encontrando entusiasmo em muitas pessoas que liam o que eu escrevia, eu seguia criando, porque aquilo me agradava. Então, na verdade, eu cresci convivendo muito mais com críticas do que com elogios. De repente, surge a Rosane e o seu projeto, a Cristieli, a Cintia, a Ana Leal e várias outras pessoas. Várias pessoas que lêem e se agradam. De repente, é estranho conviver com elogios. De repente algumas coisas que eu escrevo, me agradam. Mas, acho legal que esteja também agradando a outros. Acho que as pessoas estão sendo generosas comigo, mas isso acaba sendo estimulante e redobra a responsabilidade para não escrever besteiras.
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Putz. A Ana Leal escreveu um artigo, falando sobre mim que me derrubou. A primeira vez em que eu li, morri de vergonha. Minha cara virou um pimentão. Eu estava lá na Rosane e ela me deu o texto para ler. Fiquei realmente sem jeito, pois era estranho ler uma crítica em relação a esses contos que eu publico despretensiomente no jornal Expresso Ilustrado. De repente, vem alguém do cacife da Ana Leal, do dr. Orlando Fonseca e me avalia positivamente...
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Bah. Gostei de uma frase que o Oracy Dornelles escreveu sobre mim: “Márcio, com esforço conquistou Santiago, mas para se completar deverá conquistar o “Brasil”. Eheheh. Muito bacana.
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Fiquei contente que incluiram no livro o conto “O Filho do Super-Homem”, que eu gosto muito. Quando criança, o meu primeiro contato com a leitura foi através das histórias em quadrinhos. Colecionava de tudo: Batman, Super-homem, Homem-Aranha, X-Men. Até hoje, às vezes, compro alguma coisa de quadrinhos. Tenho caixas cheias de revista em meu quarto. Não consigo me desfazer de minhas antigas coleções. Existe aí um amor antigo...
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Expresso em festa- No próximo dia 24 de maio, o jornal Expresso Ilustrado estará festejando em alto estilo os seus 15 anos. O Clube União Santiaguense será palco de grandes eventos: o lançamento do livro “João Lemes: 20 anos de jornalismo”, jantar à cargo do Buffet da Cândida; show com o musical Casablanca Show e muito mais, numa noite inesquecível. Reserve já o seu convite, no valor de R$ 25. Informações pelo fone (55)- 3251-1717 ou pelo e-mail jornal@expressoilustrado.com.br.
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Ando profundamente irritado com o universo da política. Tudo é muito lento, tudo é muito devagar. Não consigo ter esse ritmo. Aprendi a sempre procurar olhar adiante, ter estratégia, fazer auto-crítica e ser ágil. Quando não vejo as coisas acontecerem desse jeito, me dá um desespero, uma ânsia. Não gosto de protocolos, mesuras e nem de andar em círculos. Isso me deixa tonto. Sei lá, ando enjoado de tanta coisa. Ou eu é que sou um enjoado. Estou me cansando de tantas coisas...
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Uma coisa que eu detesto é que as pessoas não te conhecem, não sabem quem tu é, mas ficam te avaliando superficialmente. Te tiram como se tu fosse igual a outros exemplares. Poucas pessoas me conhecem de verdade e sabem realmente quem eu sou, o que penso e o que defendo. Portanto, erram o pulo comigo. Sou nascido e criado na vila Itu, estudei no colégio Silvio Aquino, me criei tomando banho de sanga e jogando taco e comendo pitanga no mato. Portanto, não sou elite e não tenho pensamento elitista de forma nenhuma. Não suporto injustiça, não aturo desrespeito e não tolero desigualdade. Sou da opinião branca e franca, como meu velho pai me ensinou. E outra: não estou à venda. Me criei juntando moeda para poder comprar qualquer coisa e isso nunca me caiu pedaço e nem nunca passei fome. Passei dificuldades, sim.
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Falando nisso e mudando de assunto, outro dia o Chico (meu melhor e mais fiel amigo) e eu conversávamos e lembrávamos de algumas proezas da infância. Quantas e tantas vezes a gente andava com um tênis rasgado do lado ou com a sola se abrindo. Ou com uma camiseta furada embaixo do braço. Ou com uma calça que tínhamos ganhado de algum vizinho. Ou com as meias furadas. E éramos felizes assim. Roupa nova, lá em casa, era uma coisa rara de se ver. Só comecei a ter isso quando comecei a trabalhar. E trabalho desde os meus 14 anos...
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Putz, estava lembrando. Quantas vezes o Chico e eu juntávamos uma tesoura e um rastelo e saíamos pela vizinhança limpando pátios. Passávamos tardes cortando grama e conversando sobre muita coisa. Depois da lida, subíamos para o centro para comer picolé e comprar alguma revista baratinha. O resto do dinheiro, juntávamos para comprar alguma roupa.
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Sem dúvida alguma, o Chico é um grande irmão. Íntegro, honesto, trabalhador e perserverante. Não entende nada de política, não entende nada de muitos assuntos. Mas tem um grande coração e é uma pessoa rara, que não perdeu a sua essência. É o mesmo de sempre. Ele tinha um sonho de ter muitos filhos. "Um time de futebol", como sempre disse. E o primeiro já está encomendado para outubro. Ele e a Luana estão namorando e muito felizes com o primeiro herdeiro. Se for menina, o nome será Amy (de Amy Lee, coisa da Luana); se for menino, será Jones (de Indiana Jones, coisa do Chico...)
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Estive no meu amigo Bactéria esse final de semana. Ele me gravou alguns filmes. Um deles é o tal de “Rec”, que eu não conhecia. Um baita de um terrorzão, estilo “Bruxa de Blair”, que prendeu minha atenção. Fazia horas que não assistia a um bom filme de terror. É um filme espanhol, muito bem produzido. Parece real.
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Putz. Essa chuva está um saco. Como eu só ando a pé, invariavelmente me vejo encharcado de todas as formas. Uma porque não tenho carro. Outra, porque não consigo usar guarda-chuva. E quando eu uso, acabo perdendo ou despedaçando. Vou ter que fazer que nem fazia quando era criança. Para ir ao colégio de minha infância, o Sílvio Aquino, minha avó enfiava um sacos (de matéria, ela dizia) de arroz ou de açúcar nos meus pés para não molhar os calçados. Puro mico, né? Fora aqueles guarda-chuvas quebrados que ela me fazia carregar para passar vergonha. Ahá, descobri o porquê de eu, adulto, não gostar de guarda-chuvas...

4 comentários:

Jaqueline Minuzzi disse...

Marcio, adorei tuas colocações no Blog hoje...embora em circusntancias diferentes eu e vc temos muito em comum, nao passei fome,passei dificuldaes, nao tive luxo, passei a comprara minhas coisas quando comecei a trabalhar tb, trabalho desde os 14 anos tb e isso nunca me tirou pedaços, pelo contrário: acrescentou à minha vida, tenho orgulho de dizer que corri muito de pé descalço na grama, fui e sou muito feliz. parabébs amigo, pelo teu sucesso pela pessoa maravilhosa que és!
beijao de sua amiga de sempre
Jaqueline Minuzzi

tainã disse...

Eu fui a 1ª a ver o teu livro ^___^
Sinto-me orgulhosa de ti!

Beijos!

Anônimo disse...

Olá Márcio

O que posso dizer....
Bom tenha certeza de q tu ñ precisas te envergonhar de ser homenageado, tu mereces, escreves com a alma, e a gente percebe isso só lo ler, mesmo sem te conhecer. Tu citaste o texto "O filho do super-homem", nossa ninguém pode imaginar a paixão que tenho por esse texto, acompanhei cada parte que saiu no jornal e chorei, e ainda choro quando o leio na íntegra, pois recortei todas as partes para ficar com ele completo.

Dificuldades como tu também passei, mas creio que por ser do interiro não as sentia tanto como tu, pois lá as diferenças sociais não se sobresaiam tanto quanto ocorre na cidade - ou a minha ingenuidade infantil não me permitia perceber.

bom já escrevi demais, e agora quem está vermelha de vergonha sou eu, pensando : Será que mando isso ou não? afinal sou um tanto atrapalhada com as palavras.

há mas o Márcio merece e masi que o meu comentário passar por um texto cômico não vai.

Abraço

minha sincera admiração
Juliana Deponti

Ana disse...

Márcio, agradeço o teu comentário generoso, mas na verdade foi um prazer ler teus contos e conhecer um pouco mais do teu trabalho. E guarda um livrinho autografado para mim, ok? hehehe
Abraços!