sexta-feira, 25 de abril de 2008

Entrevista: Julio Garcia


O santiaguense Júlio Garcia é um membro histórico do PT de Santiago. Foi um dos fundadores do partido e esteve à frente da sigla em várias oportunidades, sempre acreditando nos princípios que defende, por uma sociedade mais justa. Garcia concorreu a cargos eletivos, sempre contribuindo com o fortalecimento da sigla. Hoje, residindo em Canoas, ele ainda se mantém ligado à Terra dos Poetas. Uma porque é também um escritor, um intelectual. Outra, porque é um santiaguense que carrega o amor por sua cidade. Nesta entrevista, ele fala um pouco sobre o que está percebendo do processo político que se avizinha em Santiago, em relação ao PT, o partido que colocou uma estrela em seu coração. Confira:


Como tu está vendo a organização do PT de Santiago em relação as eleições municipais?


Já estive mais entusiasmado com a re-organização do PT em Santiago. O partido tem uma rica história de luta e de coerência, principalmente durante seus 15 primeiros anos de existência. Mas ultimamente suas direções têm mais errado do que acertado. Ao contrário da defesa do compromisso ideológico e partidário, o pragmatismo tem imperado por aqui. Isso está prejudicando seriamente o PT, não só em sua representação parlamentar, que deixou de existir, como também em relação a sua inserção no movimento social, sindical, comunitário e estudantil, que hoje é apenas uma sombra do que já foi no passado.

Qual a tua posição, como líder histórico do partido, perante as movimentações que ora ocorrem na sigla em nosso município?

Saudei com entusiasmo a regorganização do partido através da eleição no último PED de uma chapa consensual. Da mesma forma, saudei a disposição de sua direção de lançar chapa própria para as próximas eleições municipais. Estranho, portanto, o paasso atrás dado na última reunião do DM de rever essa posição e desistir de lançar candidatura própria, ainda mais que tínhamos já lançado um nome do quilate do companheiro Júlio Prates. Tal recuo representou para mim uma grande decepção. Mas espero que essa decisão equivocada seja revista. Ainda há tempo para isso.


Tua postura é de que haja uma candidatura própria? Que candidatos tu indicaria para essa condição?

Defendo que o PT lidere a nível de Santiago uma chapa integrada por partidos que integram o governo liderado pelo Presidente Lula. Mas partidos que não tenham vergonha de assumir sua posição de governista. E que sejam leais. Gostaria muito de ver o PT liderando uma Frente Popular juntamente com o PDT e setores progressistas do PMDB, por exemplo. Dentre os nomes que poderiam muito bem representar o PT e a FP, cito os dos companheiros Júlio Prates, Antônio Bueno e Ruben Finamor. Não posso também ignorar a amplitude e a solidez de um nome experimentado como o do vereador Acácio Egres de Oliveira, do PMDB, numa possível composição do PT com esse partido, que integra, é bom lembrar, a base de apoio do governo federal. É uma alternativa também possível para a composição de uma Frente Popular, não podemos desconsiderá-la, embora entenda que a cabeça-de-chapa deverá ser petista.

Em caso de coligação, tu indicarias quais partidos?

Gostaria também de deixar bem claro que não tenho nada pessoal contra o nome do ex-prefeito Vulmar Leite, muito pelo contrário. O problema é político, na sua essência: o PSDB e o ex-PFL, hoje chamado DEM, representam a 'oposição raivosa' ao governo Lula e o desgoverno Yeda no RS. Seria uma enorme incoerência coligarmos com partidos tão distintos ideologicamente e tão sectários no ataque ao governo Lula e ao PT, tanto no estado quanto no país. Seria deseducar ainda mais nossa população. E isso não faz parte da tradição do PT. Da mesma forma, não faz parte da tradição do PT ficar em cima do muro, como dá a entender a decisão extremamente equivocada da maioria do DM do PT, tirada na última reunião, de 'liberar' o voto dos filiados e simpatizantes do partido , decisão essa que queremos ver modificada nas próximas reuniões de nossas instâncias maiores.

Como tu analisa a preferência, por parte de alguns membros do diretório municipal, em quererem coligar com o PP?

Acho que tanto a posição de não lançar candidatura própria quanto a de sair a reboque do PP (a propósito, perguntaram para a direção do PP o que eles acham dessa proposta?) representam as piores alternativas possíveis para o partido. Deixar o partido sem cabeça-de-chapa é desarmá-lo completamente, é derrotismo puro; coligar com o PP é descaracterizá-lo ideologicamente , é negar o seu passado e sua tradição de lutas contra a prepotência, contra o latifúndio, a favor da Reforma Agrária, dos trabalhadores e da Justiça Social. Nenhuma dessas alternativas será positiva para que o PT volte a figurar como uma legenda representativa em Santiago. Representará um recuo enorme e desagregador, um risco mesmo para a continuidade orgânica do PT santiaguense.

Nenhum comentário: